Empresas Credores liquidam a Ricon por unanimidade, gestor judicial pede 24 horas para a salvação

Credores liquidam a Ricon por unanimidade, gestor judicial pede 24 horas para a salvação

Os credores das “holdings” do grupo Ricon aprovaram esta terça-feira, por unanimidade, a liquidação das empresas, sabe o Negócios. Entretanto, o administrador de insolvência diz que há negociações com investidores para salvar a dona da rede de lojas Gant em Portugal.
Credores liquidam a Ricon por unanimidade, gestor judicial pede 24 horas para a salvação
Pedro Silva, presidente e dono do falido grupo Ricon.
Jornal T
Rui Neves 30 de janeiro de 2018 às 12:30

Já terminaram as primeiras três das oito assembleias de credores do grupo Ricon, que fecha esta terça-feira, 30 de Janeiro, as fábricas e as 20 lojas da Gant em Portugal, após ter despedido os seus 580 trabalhadores.

 

Foi por unanimidade que os credores reconhecidos no processo de insolvência da Nevag SGPS, da Nevag II SGPS e da Ricon Serviços votaram favoravelmente ao encerramento e liquidação dos activos das "holdings" e à cessação da actividade da actual administração.

 

Formalmente, falta ainda o despacho judicial quanto à liquidação, porquanto a Caixa Geral de Depósitos (CGD) pediu para votar por escrito, alegando não ter tido acesso ao relatório do administrador de insolvência, tendo-lhe sido concedido dois dias para o fazer.

 

De qualquer forma, o voto do banco estatal não é determinante para o desfecho da votação.

Entretanto, à saída das assembleias de credores, o administrador de insolvência da Ricon disse haver "negociações com investidores" para "salvar as empresas operacionais" do grupo.

 

Em declarações aos jornalistas, Pedro Pidwell deixou uma mensagem de esperança, afirmando que as próximas 24 horas vão ser fundamentais para o futuro do grupo Ricon.

 

"Até a assembleia deliberar a liquidação das empresas operacionais do grupo há sempre tempo de inverter o caminho, não é expectável, mas em tese... Há contactos com outros investidores, que não são da região, são nacionais e estrangeiros. Há esforços para salvar as empresas operacionais, as quatro unidades fabris", garantiu Pidwell.

"Vamos ver o que é que as assembleias nos reservam, enquanto há vida há esperança", rematou o mesmo gestor judicial

 

Estão marcadas para amanhã, 31 de Janeiro, as assembleias de credores da Ricon Industrial e da Delveste - o "braço" produtivo do grupo e a detentora da rede de 20 lojas Gant em Portugal, respectivamente. No dia seguinte terá lugar as assembleias de credores da Fielcon (unidade que fabrica camisas), da Delos (fabricante de calças) e da Ricon Imobiliária.

 

Só o processo de insolvência da Ricon Industrial, que despediu os seus cerca de 380 trabalhadores, conta com uma lista de 772 credores, a quem foram reconhecidos créditos que totalizam 39,3 milhões de euros. O Santander surge como maior credor, herdando os créditos do Banif no valor de 9,8 milhões de euros, seguindo-se bancos como o BPI (4,1 milhões), o Novo Banco (3,6 milhões) e a CGD (1,3 milhões). A Segurança Social tem a haver cerca de 94 mil euros.

 

Já no processo da Delveste, que despediu cerca de 200 pessoas, o total de créditos atinge os 32,4 milhões de euros, com o Santander a reclamar 8,2 milhões, a Gant 4,7 milhões e a Segurança Social cerca de 60 mil euros. 




(Notícia actualizada às 13:12)




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anonimo Há 2 semanas

< votaram todos por unanimidade>, ou seja, a segurança social também votou a favor da liquidação. Deve estar contentíssima por ter que atribuir subsídio de desemprego a cerca de 800 trabalhadores.Pelos menos podia votar contra, assim dava um sinal de que estava a tentar arranjar uma solução

Anónimo Há 2 semanas

È facil neste país abrir insolvencia e falencia!!!! Verifiquem para quem transferiram algumas dessas firmas ( em nome de laranjas) e depois volta para o mesmo dono!!!! Abram os olhos para o obvio....

Anónimo Há 2 semanas

É pena que o procedimento não seja igual para os Bancos. Assembleia de Credores e liquidação.

Invicta Há 2 semanas

E quem por má gestão, leva uma empresa à falência, devia ser responsabilizado criminalmente por tal. Reduziam-se o número de falências.

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