Construção Credores da Irmãos Cavaco aprovam suspensão da liquidação

Credores da Irmãos Cavaco aprovam suspensão da liquidação

Além de 62 ex-trabalhadores, votaram a favor da liquidação da empresa de obras públicas, com sede em Santa Maria da Feira, vários fornecedores, prestadores de serviços e o banco Bankinter.
Credores da Irmãos Cavaco aprovam suspensão da liquidação
Miguel Baltazar
Lusa 11 de Outubro de 2016 às 18:28
O Tribunal de Oliveira de Azeméis determinou esta terça-feira, 11 de Outubro, a suspensão da liquidação da construtora Irmãos Cavaco, por um prazo de 60 dias, apesar do voto contra da maioria dos ex-trabalhadores.

A suspensão da liquidação foi aprovada com o voto a favor da maioria dos créditos presentes na assembleia de credores (90,9%), indo ao encontro do relatório do administrador da insolvência, Francisco Duarte.

"Os credores não foram unânimes, mas acima de 90% votaram a favor de dar continuidade à empresa, de apostar num plano que viabilize a empresa e que recupere mais rapidamente o passivo dos credores, que é elevado", disse à Lusa o mesmo responsável.

Além de 62 ex-trabalhadores, votaram a favor da liquidação da empresa de obras públicas, com sede em Santa Maria da Feira, vários fornecedores, prestadores de serviços e o banco Bankinter.

Na mesma ocasião foi constituída a comissão de credores que será presidida pelo Novo Banco e que integra ainda representantes da Segurança Social, da Autoridade Tributária, dos trabalhadores e dos fornecedores.

Na próxima assembleia, que deverá decorrer no prazo de 60 dias, vai ser votado o plano de insolvência apresentado pela devedora, que terá de ser aprovado por dois terços dos credores para ser viabilizada a empresa.

O administrador da insolvência manifestou-se confiante na aprovação do plano, afirmando que "os credores recuperam mais pela viabilização da empresa, do que propriamente com a passagem à liquidação do activo".

O plano de recuperação, que ainda poderá sofrer alterações, prevê o pagamento de todas as dívidas no prazo de 15 anos, com quatro anos de carência, com excepção para as dívidas ao Estado e aos trabalhadores que começarão a ser pagas após a homologação do plano.

O administrador da insolvência referiu ainda que a construtora, que se encontra inactiva actualmente, está a dar continuidade às obras públicas que tinha em curso, através de outra empresa do grupo.

"Esta situação permite evitar que os donos da obra venham pedir indemnizações e executar as garantias bancárias, o que poderia significar o fim imediato da empresa", disse.

Fundada há 40 anos, a empresa que se especializou em obras hidráulicas, foi oficialmente declarada insolvente no passado mês de Agosto, depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter revogado o segundo Processo Especial de Revitalização, que estava em curso desde 2015.

De acordo com a lista provisória de credores elaborada pelo administrador da insolvência, a Irmãos Cavaco tem dívidas de 93 milhões de euros distribuídas por cerca de 1400 credores.

O Novo Banco, que reclama uma dívida de 19,6 milhões de euros, é o principal credor da empresa.

Segue-se a Parvalorem, sociedade que gere os activos tóxicos do ex-BPN, com um crédito de 10,1 milhões de euros.

A fechar a lista dos cinco maiores credores estão outros três bancos: o BCP (7,8 milhões de euros), o Santander Totta (7,1 milhões de euros) e a Caixa Geral de Depósitos (3,3 milhões de euros).

A empresa deve ainda 1,9 milhões de euros à Segurança Social e 766 mil euros ao Estado.



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comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Será assim

Anónimo Há 3 semanas


Como é possível o estado permitir que estes fulanos tenham uma empresa falida com uma divida brutal e depois possam abrir outra ao lado provavelmente a trabalhar com o equipamento da outra etc etc
A CORRUPÇÃO O SEU MELHOR

Anónimo Há 3 semanas

Os Portugueses vão continuar a encher os bolsos dos corruptos dos bancos dos juízes e de empresários espertos aqui está uma vez mais a prova porque vamos continuar a ejectar dinheiro em empresas falidas.

Anónimo Há 3 semanas

Esta aprovação é a maneira de os bancos não apresentarem mais prejuízos no final do ano!

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