Empresas Custos de financiamento das empresas portuguesas nunca foram tão baixos

Custos de financiamento das empresas portuguesas nunca foram tão baixos

Os juros suportados pelas empresas portuguesas correspondem a 3,4% dos financiamentos obtidos, o valor mais reduzido desde pelo menos 2006.
Custos de financiamento das empresas portuguesas nunca foram tão baixos
Paulo Duarte
Nuno Carregueiro 16 de janeiro de 2017 às 14:29

A política monetária seguida pelo Banco Central Europeu tem contribuído para um alívio significativo da factura das famílias portuguesas com o pagamento de juros, sobretudo no crédito à habitação. Mas as empresas nacionais também têm sido beneficiadas e os números divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal mostram isso mesmo.

 

Os juros que as empresas não financeiras suportaram no terceiro trimestre de 2016 correspondiam a 3,4% dos financiamentos obtidos. Trata-se do custo de financiamento mais reduzido desde que o Banco de Portugal recolhe estes dados (2006).

 

Em comparação com o trimestre anterior a descida é de 0,1 pontos percentuais e contra o terceiro trimestre de 2015 a redução é de 0,4 pontos percentuais. A redução deste indicador tem sido quase contínua desde o terceiro trimestre de 2012. Mais de um ano depois do pedido de ajuda externa as empresas portuguesas apresentavam um custo de financiamento de 4,4%.

 

A redução de um ponto percentual desde então no rácio entre juros suportados e financiamentos obtidos deve-se não só à descida dos juros por parte do BCE, mas também à descida do risco soberano de Portugal.

 

Antes do terceiro trimestre deste ano, o anterior mínimo nos custos de financiamento das empresas portuguesas tinha sido fixado no quarto trimestre de 2010 (3,5%), meses antes da troika entrar em Portugal.  

 

Apesar de os dados não serem directamente comparáveis (não se sabe a maturidade dos empréstimos das empresas portuguesas), os custos de financiamento das empresas nacionais no terceiro trimestre comparam com o juro das obrigações soberanas de Portugal de 0,4% no prazo a 2 anos e de 3,3% a 10 anos.

 

De acordo com Banco de Portugal, esta descida nos custos de financiamento foi transversal a todos os sectores de actividade e classes de dimensão, ou seja, beneficia pequenas e grandes empresas.

 

A descida dos juros suportados pelas companhias portuguesas é um dos factores que ajuda a explicar a melhoria de vários indicadores de resultados.

 

O rácio entre o EBITDA e os juros suportados situou-se em 5,4, o que representa um aumento de 0,9 relativamente ao terceiro trimestre de 2015. Quer isto dizer que no terceiro trimestre de 2016 as empresas portuguesas geravam um lucro antes de impostos, juros e amortizações que dava para pagar mais de cinco anos de juros.  

 

A rendibilidade bruta do activo, medida pelo rácio entre o EBITDA e o activo, aumentou uma décima para 6,9%. A autonomia financeira das empresas, medida pela relação entre o capital próprio e o total do activo, aumentou meio ponto percentual para 35,7%. Os financiamentos obtidos pelas empresas portuguesas representavam 36,9% do total do activo das empresas, o que equivale a uma descida de três décimas face ao trimestre anterior.

 

 




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