Banca & Finanças Dainièle Nouy: “Falta de rentabilidade da banca é, de facto, algo que nos preocupa”

Dainièle Nouy: “Falta de rentabilidade da banca é, de facto, algo que nos preocupa”

A líder da supervisão europeia quer que os bancos aproveitem as condições económicas favoráveis para combater as suas deficiências. Mas Danièle Nouy avisa que os cortes de riscos não podem ser na gestão de risco. E alerta os bancos de que precisam de estratégia.
Dainièle Nouy: “Falta de rentabilidade da banca é, de facto, algo que nos preocupa”
Reuters
Diogo Cavaleiro 07 de fevereiro de 2018 às 09:51

A supervisão europeia está preocupada com os problemas de rentabilidade da banca europeia. "O retorno sobre o capital dos bancos na Zona Euro melhorou, na sua generalidade. Contudo, para alguns bancos, este continua demasiado baixo, e levanta preocupações sobre a sua capacidade de cobrir o risco de capital no médio e longo prazo".

 

A afirmação é de Daniéle Nouy, que preside ao Mecanismo Único de Supervisão, e foi proferida na conferência de imprensa anual sobre supervisão bancária que teve lugar esta quarta-feira, 7 de Fevereiro, em Frankfurt. "Apenas os bancos que fazem lucros serão capazes de apoiar o crescimento e continuar a constituir almofadas de capital".

 

Danièle Nouy não mencionou instituições financeiras específicas na sua intervenção inicial, mas o ROE é um dos indicadores em que os bancos portugueses ainda estão a trabalhar, depois de anos a apresentarem prejuízos. Em Junho, o ROE dos bancos portugueses era de 3,9%, face a -7,3% do final de Dezembro de 2016.

 

No trabalho em busca da rentabilidade, a líder do Mecanismo, que junta o Banco Central Europeu e as autoridades europeias, declarou que cada banco é que tem de desenhar a sua estratégia. Mas frisou que é necessária estratégia: uma gestão capaz de definir o que a instituição quer fazer. Mas há uma certeza: "os bancos precisam de cortar custos, mas a gestão de risco não é, definitivamente, o local para fazê-lo".

 

Para aumentar a rentabilidade, a limpeza de balanço, com a libertação do crédito malparado, é necessária. E as actuais condições económicas são "benignas" para conseguir fazê-lo, frisou Danièle Nouy.

 

Caminho para fundo de depósito comum

 

"Balanços robustos são cruciais para reduzir os riscos e restaurar a confiança nos bancos. Isto tornará mais fácil decidir sobre o último pilar da união bancária: um esquema europeu de garantia de depósitos", relembrou Danièle Nouy, na conferência de imprensa, mostrando-se satisfeita com os passos dados pela Comissão Europeia nesse sentido.

 

Neste ponto específico, o rosto da supervisão bancária europeia também deixou um alerta: "o esquema europeu de garantia de depósitos poderá ser acompanhado por outra revisão da qualidade dos activos. E isso dará aos bancos outro incentivo para reduzir os riscos".




pub