Obrigações DBRS ameaça cortar rating do Novo Banco

DBRS ameaça cortar rating do Novo Banco

A agência de notação financeira canadiana colocou a classificação do Novo Banco sob vigilância, com implicações negativas, na sequência da troca de obrigações que o banco vai lançar para se recapitalizar.
DBRS ameaça cortar rating do Novo Banco
Sara Matos
Carla Pedro 13 de abril de 2017 às 17:05

A DBRS pode vir a cortar o rating do Novo Banco, depois de anunciar esta sexta-feira, 13 de Abril, que colocou a entidade presidida por António Ramalho sob viligância, com implicações negativas.

"A DBRS decidiu hoje colocar os ratings sénior do Novo Banco em ‘under review with negative implications’, os quais incluem o rating de longo prazo de dívida sénior e depósitos actualmente CCC (high) e o rating de curto prazo de dívida e depósitos atualmente R-5", refere o banco em comunicado divulgado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

 

A decisão de rating foi tomada na sequência do anúncio (…) de que, integrado no processo de venda do Novo Banco, será realizado um exercício de gestão de passivos envolvendo as obrigações sénior do Novo Banco", sublinha.

 

Separadamente, a DBRS cancelou o rating de BBB (low) das obrigações seniores e não subordinadas do Novo Banco garantidas pelo Estado Português, considerando que esta dívida foi reembolsada e/ou cancelada, acrescenta o comunicado.

No seu relatório, a DBRS explica que tomou esta decisão por considerar que o risco para os obrigacionistas aumentou devido ao anúncio sobre a troca de obrigações que o banco vai lançar para se recapitalizar.

No passado dia 31 de Março, recorde-se, o Banco de Portugal comunicou que, como parte do processo de venda do Novo Banco, será feito um exercício de gestão dos passivos junto dos obrigacionista seniores com o objectivo de recapitalizar o banco em pelo menos 500 milhões de euros.

Nesse mesmo dia foi anunciado o acordo de venda de 75% do capital do NB à Lone Star, ficando o Fundo de Resolução com os restantes 25%.

Durante este período em que a classificação do Novo Banco estará sob vigilância, e que "não pode exceder os três meses", a DBRS irá focalizar-se nos termos e condições do exercício de gestão de passivos envolvendo as referidas obrigações sénior do banco, destaca a agência no seu relatório.

"A DBRS poderá ver o exercício de gestão de passivos como uma operação ameaçadora se os termos da troca forem desvantajosos para os detentores de obrigações", acrescenta.

Se tal acontecer, adverte, o rating da dívida senior do banco será cortado para "D", para reflectir o facto de a oferta ser considera coerciva para os detentores de obrigações senior.

A DBRS é uma das quatro agências de "rating" - a par com a Standard & Poor's, Moody's e Fitch - cujas avaliações são consideradas pelo Banco Central Europeu ao aceitar activos como garantia no financiamento que dá aos bancos. 


A agência canadiana utiliza os termos ‘alto’ (high) e ‘baixo’ (low) nas suas notações, associados a letras. Esses termos correspondem aos sinais de ‘+’ e ‘-’ atribuídos pelas três maiores agências de rating e pela grande maioria das restantes agências.

O patamar CCC significa que se considera que a qualidade do crédito é altamente especulativa, havendo o perigo de incumprimento das obrigações financeiras. 

A troca de dívida sénior do Novo Banco por novos títulos perpétuos levou também a agência Moody's a cortar os ratings da dívida do Novo Banco. 




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comentários mais recentes
pertinaz 16.04.2017

ENTÃO??? TANTOS DIAS COM A NOTÍCIA EM DESTAQUE... JÁ CORTARAM???

Anónimo 14.04.2017

deixem-se de ameaças ignorantes o NB è o melhor banco do pais , fechem a porcaria da CGD essa sim està mais do falida e continua a roubar o povo português

Anónimo 13.04.2017

O PSD devia ter deixado os bancos já sem solução alguma entrar em processo de falência e liquidação. Os bancos com alguma solução ou alguma esperança, como o BCP, deviam ter sido nacionalizados, reestruturados e consolidados com a CGD. Isso só não foi possível porque a legislação laboral e a máfia sindical nunca permitiriam despedir os milhares de excedentários dai resultantes. Temos a leis e a cultura de gestão que temos. Não digam agora que isso não acarreta custos enormes para o Estado e para a economia, porque seria uma rotunda mentira dizê-lo.

Conselheiro de Trump 13.04.2017

A medida q a gerigonca vai dizendo dos seus sucessos,a inquietacao de quem nos olha da parte de fora aumenta,sera isto bater o pe como a mariana aguamort?Tera este cabrao condicoes para ocupar o lugar maximo no banco recauchutado?Se a gerigonca mostrou maus figados as verdades do jeroen,como reagira

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