Banca & Finanças DBRS avisa para dificuldades no veículo para malparado da banca

DBRS avisa para dificuldades no veículo para malparado da banca

Os bancos ainda não estão suficientemente bem capitalizados para reconhecer perdas na constituição de um veículo para o malparado e as regras europeias impedem o uso de dinheiros públicos. São problemas que a DBRS vê neste dossiê.
DBRS avisa para dificuldades no veículo para malparado da banca
Diogo Cavaleiro 24 de Outubro de 2016 às 19:33
A DBRS acredita que a criação de um veículo para retirar o crédito malparado ou reestruturado dos bancos portugueses é um bom passo para o país. Contudo, a agência canadiana de notação financeira, que manteve a avaliação à dívida portuguesa, também vê problemas na forma como se concretizará aquela entidade.
 
"A DBRS sublinha que, sob as regras da Directiva de Recuperação e Resolução Bancária, há uma flexibilidade limitada no uso de fundos públicos que resolvam questões herdadas no sector bancário, e que os bancos não estão suficientemente bem capitalizados para reconhecer as perdas com esses créditos", indica a nota da agência emitida esta segunda-feira, 24 de Outubro.
 
Assinada por María Rivas e Elisabeth Rudman, a nota indica, no entanto, que a criação do veículo do malparado poderá ajudar à limpeza dos balanços dos bancos nacionais.
 
O Governo já revelou vontade de avançar com reformas legislativas para facilitar a diminuição do peso do crédito em incumprimento nos bancos mas ainda não há novidades. O primeiro-ministro, António Costa, afirmou que será uma "medida sistémica" e que não envolverá dinheiro público, não se tendo comprometido com calendários, declarou que a implementação está para "breve". O ministro das Finanças, Mário Centeno, revelou, há uma semana, que o diálogo com a Comissão Europeia sobre este mecanismo iria começar dentro de "dias".
 
Para a DBRS, a "elevada carteira de crédito malparado" nos bancos é um dos "dois grandes desafios" que a banca nacional enfrenta. O segundo é a pressão que ainda existe sobre o capital dos bancos, nomeadamente num "ambiente caracterizado por baixas taxas de juro, perspectivas de crescimento económico lento e crescente regulação".
 
Neste último aspecto, a agência canadiana considera que a maioria dos bancos está, actualmente, focada no reforço do seu capital, dando o exemplo do investimento da Fosun no BCP e da oferta do CaixaBank sobre o BPI.
 
Nos comentários ao sector bancário, a DBRS também opina sobre as "recentes acções do Governo português" que permitiram "retirar alguma das incertezas e preocupações que têm envolvido o sector bancário português desde a resolução do BES". A certeza de que não haverá contribuições extraordinárias para o Fundo de Resolução e a capitalização da Caixa Geral de Depósitos são as acções elogiadas pela agência canadiana.

Em relação à venda do Novo Banco, a DBRS, que com a acção de sexta-feira passada permitiu a Portugal continuar a beneficiar do programa de compra de activos do Banco Central Europeu, defende que a sua conclusão bem-sucedida "continua a ser desafiante e que está dependente das condições das diferentes ofertas vinculativas".



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comentários mais recentes
Pedro Pires de Lima Antero Há 1 semana

Nunca chegará a existir um veículo para o mal parado em Portugal.

Camponio da beira Há 1 semana

Esta historia do mal parado da banca é como algumas falencias, muita gente fica rica. muito desse dinheiro está bem parado no Panamá e comp.Se não nos tratassem (aos contribuintes e clientes) como criancinhas de 5 anos e apertassem os tomates desta escumalha, num torno até sair sangue....

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