Banca & Finanças Depósitos dos portugueses recuam pela primeira vez em três anos

Depósitos dos portugueses recuam pela primeira vez em três anos

Depois de vários meses a fixarem recordes, os depósitos bancários dos portugueses baixaram em Março. A culpa é dos produtos de poupança do Estado.
Depósitos dos portugueses recuam pela primeira vez em três anos
Bruno Simão
Nuno Carregueiro 09 de maio de 2017 às 11:32

Os depósitos dos portugueses nos bancos do país registaram em Março a primeira queda anual desde 2014, o que de acordo com o Banco de Portugal "reflecte a preferência das famílias por aplicações alternativas para a poupança, nomeadamente, instrumentos de dívida pública".

 

O volume de depósitos, que tem vindo a reforçar recordes nos últimos meses, desceu em Março para 138,8 mil milhões de euros, de acordo com a informação divulgada esta terça-feira, 9 de Maio, pelo Banco de Portugal. Em Fevereiro a taxa de crescimento anual tinha sido de 0,1% e em Janeiro de 0,9%, o que já representava taxas de crescimento bem inferiores ao verificado no ano passado.

 

Com as taxas de juro dos depósitos cada vez mais baixas e próximas de zero, as famílias portuguesas têm vindo cada vez mais a optar por aplicar as poupanças em títulos de dívida emitidos pelo Estado.

 

Desde Outubro de 2013, altura em que foram lançados os Certificados do Tesouro Poupança Mais, o Tesouro captou mais de 17.000 milhões de euros junto das famílias, que já detêm cerca de 12% da dívida directa do Estado.

 

Esta mudança de depósitos para produtos do Estado terá continuado em Abril, já que no início do mês passado o Estado fechou uma emissão de mil milhões em OTRV. O valor captado nas quatro emissões deste novo instrumento, a par dos montantes aplicados em certificados de poupança, levou a que a proporção de dívida do Estado nas mãos das famílias passasse de cerca de 5,5% para quase 12% desde Outubro de 2013, altura em que foram lançados os Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM).

 

O Banco de Portugal, na nota publicada esta terça-feira, 9 de Maio, nota que nos depósitos a menos de dois anos, que representam mais de 75% do total de depósitos de particulares, a taxa de variação anual é de 10,2%.

 

Crédito continua a baixar

 

No que diz respeito ao crédito concedido, o Banco de Portugal refere que os empréstimos concedidos pelos bancos a sociedades não financeiras e a particulares continuaram a apresentar taxas de variação anual negativas, embora menos intensas.

 

Em Março de 2017 os empréstimos a empresas caíram 2,3% e aos particulares baixaram 2,7%, quando em Fevereiro tinham descido 2,6% e 2,8%, respectivamente.




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mais votado Anónimo 09.05.2017

O problema da dívida soberana de Portugal só se resolverá quando se flexibilizarem as regras laborais, dinamizar o mercado de capitais e for dada ordem para despedir excedentários no Estado e cortar em definitivo nas prestações sociais.

comentários mais recentes
Anónimo 09.05.2017

Caro Anónimo, nós todos já lemos esses comentários nas outras notícias que fizeste copy paste, sê mais criativo, pelo menos troca uns verbos ou usa sinónimos. Sempre a mesma conversa do excedentário, quando TU ao seres pago para comentar, és a pura definição de excedentarismo, não acrescentas nada

Anónimo 09.05.2017

Se houvessem menos depósitos mas mais investimento privado em boas ou potencialmente boas empresas nacionais e estrangeiras, tudo bem. O problema é que, ao contrário das economias mais ricas e desenvolvidas, Portugal não tem enquadramento legal nem cultura económica que estimule isso porque opta quase sempre por más políticas anacrónicas e as boas são revertidas ou subvertidas.

Anónimo 09.05.2017

O problema da dívida soberana de Portugal só se resolverá quando se flexibilizarem as regras laborais, dinamizar o mercado de capitais e for dada ordem para despedir excedentários no Estado e cortar em definitivo nas prestações sociais.

Anónimo 09.05.2017

Depositar o dinheiro a prazo e colocá-lo no colchão é igual, sem juros não há incentivo. Se com esses 130 mil milhões de depósitos os Portugueses comprassem dívida pública, além de obterem retornos de 3% resolviam o problema da dívida soberana de Portugal e com isso a inevitável subida do rating.

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