Banca & Finanças Deutsche Bank paga 425 milhões de dólares de multa a regulador nova-iorquino

Deutsche Bank paga 425 milhões de dólares de multa a regulador nova-iorquino

O banco alemão concordou em pagar uma multa de 425 milhões de dólares (397 milhões de euros) ao Departamento de Serviços Financeiros de Nova Iorque, para fechar um caso de lavagem de dinheiro russo.
Deutsche Bank paga 425 milhões de dólares de multa a regulador nova-iorquino
reuters
Carla Pedro 31 de janeiro de 2017 às 02:14

O Deutsche Bank vai pagar ao Departamento de Serviços Financeiros de Nova Iorque uma multa de 425 milhões de dólares (397 milhões de euros) para encerrar as acusações que pendem sobre a instituição financeira alemã e que envolvem a lavagem de dinheiro de milionários russos, avança a Bloomberg.


Este acordo com o regulador nova-iorquino fecha assim as acusações de que funcionários do Deutsche Bank terão usado um esquema que envolvia a compra de acções de clientes em Moscovo, em rublos, que eram depois vendidas em dólares através do banco em Londres.


Estas operações, conhecidas como "negociações espelho", terão permitido que aqueles clientes fizessem sair da Rússia avultadas quantias de dinheiro, ocultando a sua proveniência.


Segundo o regulador de Nova Iorque, este esquema de operações espelhadas terá resultado no desvio indevido de 10 mil milhões de dólares da Rússia entre 2011 e inícios de 2015.


A autoridade reguladora descobriu que um familiar de um supervisor do banco alemão em Moscovo aceitou subornos da ordem de 25 milhões de dólares para que esse mesmo supervisor aprovasse aquelas transacções.


Em finais de Agosto do ano passado, a The New Yorker explicou como se processava todo este esquema. O russo Igor Volkov deslocava-se quase diariamente à sede do banco alemão em Moscovo, entre finais de 2011 e inícios de 2015, e pedia para falar com algum trader, que era frequentemente Dina Maksutova, para realizar duas operações quase em simultâneo.

Na primeira operação, processada em rublos, Volkov comprava acções – em nome de uma empresa russa que ele supostamente representava – de uma grande cotada russa, como a petrolífera Lukoil, por exemplo. Normalmente, cada ordem de compra ascendia a cerca de 10 milhões de dólares.


Na segunda operação, Volkov – em representação de uma empresa diferente, que normalmente estava registada nalgum território offshore, como as Ilhas Virgens britânicas – vendia as mesmas acções russas, na mesma quantidade, em Londres, em troca de dólares, libras ou euros. Tanto a empresa russa como a companhia offshore eram detidas pela mesma pessoa. "Assim, o Deutche Bank estava a ajudar o cliente a comprar e a vender a ele próprio", conforme explicou a The New Yorker.


Além da multa que terá de pagar ao regulador nova-iorquino, o banco – sob forte escrutínio das autoridades norte-americanas, já que opera naquele país – terá de contratar um novo supervisor independente [que será o sexto nos EUA], uma vez que o seu controlo interno falhou.


A conduta do banco neste escândalo ficou sob investigação por parte do Departamento de Justiça dos EUA, do Departamento de Serviços Financeiros de Nova Iorque, bem como de reguladores financeiros no Reino Unido e na Alemanha.


Segundo a Bloomberg, o Deutsche Bank está prestes a fechar um acordo similar com a Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido, que incluirá uma multa adicional de várias centenas de milhões de dólares.

No passado dia 18 de Janeiro, recorde-se, o banco alemão viu ser-lhe aplicada uma multa de 7,2 mil milhões de dólares pelos EUA para encerrar um processo ligado à venda de títulos endossados a hipotecas tóxicas (as chamadas "subprime"), entre 2006 e 2007.

A 23 de Dezembro de 2016, o Deutsche Bank tinha já adiantado que essa deveria ser a quantia a pagar, depois de celebrado um acordo de princípio nesse sentido.

Inicialmente, as autoridades norte-americanas reclamavam um valor muito superior: em meados de Setembro, apontavam para uma indemnização de  14 mil milhões de dólares, o que fez com que as acções do banco afundassem em bolsa, com os investidores a recearem que a instituição tivesse de aumentar o seu capital para enfrentar os custos processuais.




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub