Banca & Finanças Dívida perpétua afecta "muitíssimo a rentabilidade dos bancos"

Dívida perpétua afecta "muitíssimo a rentabilidade dos bancos"

No âmbito do aumento de capital, a Caixa teve de fazer uma emissão de 500 milhões de euros em dívida perpétua. Paulo Macedo admite o custo "muito elevado" mas ressalva que os depositantes ficam mais protegidos. Mas acredita que estas regras vão mudar nos próximos anos.
Dívida perpétua afecta "muitíssimo a rentabilidade dos bancos"
Paulo Duarte/Negócios
Diogo Cavaleiro 12 de abril de 2017 às 20:23

Dívida perpétua afecta "muitíssimo a rentabilidade dos bancos"

No âmbito do aumento de capital, a Caixa teve de fazer uma emissão de 500 milhões de euros em dívida perpétua. Paulo Macedo admite o custo "muito elevado", mas ressalva que os depositantes ficam mais protegidos. Mas acredita que estas regras vão mudar nos próximos anos.

 

A emissão de dívida perpétua que a Caixa Geral de Depósitos foi obrigada a fazer, de 500 milhões de euros (e de mais 430 milhões dentro de 18 meses), está incluída em novas regras que "afectam muitíssimo a rentabilidade dos bancos", segundo o presidente da instituição financeira.

 

Na negociação para a capitalização, a Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia obrigou à realização de uma emissão de títulos de dívida para vender a investidores privados. "Para o Estado entrar, exige-se que um privado possa analisar a operação, se tem atractividade para poder entrar", explicou Paulo Macedo, na comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa.

 

Assim, o Estado fez a emissão de dívida altamente subordinada (a primeira a responder caso haja uma resolução bancária logo após o accionista, neste caso, o Estado) assumindo uma taxa de juro de 10,75%. "O custo é muito elevado. Onera as contas dos bancos de forma muito significativa", continuou o ex-ministro da Saúde. Sem a emissão, a capitalização da Caixa, nos moldes negociados no ano passado, não poderia acontecer.

 

Tem uma parte "perversa", assume Paulo Macedo, já que a emissão de dívida que beneficia a solidez do banco traz um aumento dos custos. "Os custos aumentam mas, por outro lado, protegemos mais os depositantes".

 

Segundo as regras europeias de resolução bancária, um banco em dificuldades deve ser intervencionado com o recurso aos accionistas, em primeiro lugar, seguidos dos detentores de dívida subordinada, dos titulares de dívida sénior e, por fim, nos depositantes com mais de 100 mil euros.

Paulo Macedo acredita que a tendência é para a criação de mais "camadas" deste género que afastem o espectro de recurso a depósitos em bancos com dificuldades. No entanto, também é opinião do presidente da CGD que este modelo da banca europeia e as regras de resolução bancária deverão mudar nos próximos anos. 






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comentários mais recentes
JoaoTVale 13.04.2017

Dívida perpétua é sinal de maus resultados para a CGD. Então um banco a sofrer duma grave doença, que teve de sofrer aumentos de capital para sarar as suas feridas sem cura, ainda é obrigado a emitir dívida perpétua a uma taxa anual de 10,75% . Esta dívida perpétua vai custar à CGD em 5 anos ( mesmo que quisesse a CGD não pode amortizar esta dívida antes dos 5 anos ) 268.750.000€, isto é 53,75% da emissão de 500 milhões. Se isto é para ajudar à capitalização do banco, por outro lado vai afectar largamente os custos de exploração, logo os resultados não vão ser bons com certeza. Mas enfim estamos rodeados de incompetentes em Portugal e na Europa, logo o resultado final nunca poderá ser bom.

Anónimo 12.04.2017

Do ponto de vista de um tradicional banco de retalho, que risco existe em emprestar a 200 ou 300 mil excedentários blindados face à real procura e oferta de mercado motivada pelos avanços tecnológicos, a globalização e as alterações nos hábitos, gostos, necessidades e expectativas de todos os agentes económicos? E aos muitos milhares de pensionistas que anteriormente passaram incólumes por essa mesma situação de excedentarismo protegido e principescamente remunerado? A banca de retalho fomenta e vive do excedentarismo a par com o capitalismo de compadrio subsidio dependente e os políticos eleitoralistas irresponsáveis. Se a jurisdição em causa, por acréscimo, não tem mercado laboral flexível nem mercado de capitais, o melhor talento e investimento perde-se na íntegra. Sobram os resgates cíclicos, as bolsas perfeitamente evitáveis de pobreza endémica, o atraso, a irrelevância e dependência extremas enquanto povo, cultura e sociedade no contexto do mundo desenvolvido.

Anónimo 12.04.2017

Se o governo decreta que não existem excedentários e que os empregos no Estado são garantidamente vitalícios e sempre a subir, é óbvio que os bancos ganham logo um universo de potenciais clientes no mercado do crédito ao consumo e à habitação sem paralelo. Os custos financeiros e de oportunidade dessa imprudência lunática não desaparecem. Simplesmente são gradual e temporariamente transferidos para os agentes económicos com capacidade para criar valor através do investimento, da inovação e do empreendedorismo. O país empobrece e perde autonomia e sustentabilidade económica e financeira. No curto prazo, algumas gerações actuais de agentes económicos dos sectores ligados ao excedentarismo de carreira sindicalizado ou independente, ao capitalismo de compadrio, ao tresloucado keynesianismo despesista e ao sindicalismo radical de inspiração marxista acumulam algum bem-estar temporário enquanto este processo de extracção de valor do Estado, da economia e da sociedade avança e se consolida.

mr 12.04.2017

Ando com uma forte alergia ao xuxalismo! Mal me aproximo de alguém com uma leve tonalidade derivada à exposição ao sol, até se me "encaracolam" as unhas dos pés!!!!

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