Energia EDP assegura que "não há nada de concreto" sobre eventual fusão

EDP assegura que "não há nada de concreto" sobre eventual fusão

O presidente executivo da EDP, António Mexia, assegurou hoje em Somiedo, no Principado das Astúrias, em Espanha, que "não há nada de concreto" quanto à possibilidade de a empresa se fundir com a espanhola Gas Natural.
Lusa 22 de setembro de 2017 às 14:17

"Acho que as duas empresas já disseram o que tinham de dizer. Não há nada de concreto e por isso não há nada para comentar", disse António Mexias na cerimónia para comemorar o centenário da central eléctrica de La Malva, da EDP, sem esclarecer se há contactos entre as partes.

 

A imprensa dos dois países ibéricos têm dado conta, desde Julho último, que a empresa espanhola do sector energético Gas Natural estaria interessada numa fusão com a EDP mas, na altura, ambas as empresas desmentiram que estivessem a decorrer negociações.

 

No início de Setembro, o jornal espanhol Expansíon revelou que o presidente executivo da companhia espanhola esteve na China, onde desenvolveu contactos com os responsáveis da China Three Gorges, a maior accionista da EDP (com uma posição de 21,35%).

 

Na mesma altura, o jornal 'online' português Eco adiantou que os líderes da Gas Natural estiveram em Lisboa e que se encontraram com o primeiro-ministro, António Costa, no sentido de o convencer das mais-valias desta possível fusão.

 

Presente na cerimónia, o ministro da Energia de Espanha, Álvaro Nadal, também garantiu que nenhuma empresa lhe tinha falado numa eventual operação destas características e que a haver "teria de se estudar", uma decisão que caberia ao regulador do mercado.

 

António Mexia defendeu que, "para que o mercado ibérico se desenvolva, é preciso haver igualdade de regras, igualdade de oportunidades e também ligações entre o mercado Ibérico e os outros mercados, particularmente o francês".

 

"Somos uma empresa mundial, estamos em 14 países, mas a componente do mercado ibérico é fundamental", sublinhou o presidente executivo da EDP.

 

Por seu lado, o ministro da Economia português, Manuel Caldeira Cabral, defendeu na semana passada que se trata de um assunto que diz respeito apenas aos accionistas de ambas as empresas.

 

"Não tenho qualquer comentário a acrescentar a uma questão que é do foro empresarial e dos accionistas", afirmou o responsável governamental.

 

As maiores empresas do ramo energético a operar no mercado ibérico são a Endesa e a Iberdrola, seguidas pela Gás Natural e pela EDP.

 

O rei de Espanha, Felipe VI, presidiu hoje à cerimónia organizada pela EDP para celebrar o centenário da central eléctrica de La Malva,a primeira grande central hidroeléctrica da região.

 

Esta unidade esteve na origem do nascimento da empresa espanhola de produção de energia eléctrica Hidrocantábrico, onde a EDP (Electricidade de Portugal) entrou como accionista em 2001 e passou a controlar três anos depois.

 

A central eléctrica de La Malva, que iniciou a sua actividade em Setembro de 1917, fica situada no coração do Parque Natural de Somiedo, declarado em 2000 Reserva da Biosfera, sendo uma referência no desenvolvimento económico do Principado das Astúrias, uma das 17 comunidades autónomas espanholas.

 

A EDP é proprietária de várias centrais hidroeléctricas em Espanha com uma potência instalada total de 433 MW, tendo 1500 colaboradores, segundo dados fornecidos pela empresa.




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