Energia EDP contesta intenção do Governo de travar produção eólica adicional a preço garantido

EDP contesta intenção do Governo de travar produção eólica adicional a preço garantido

A EDP reclamou ao Governo da intenção de limitar a autorização dada às centrais eólicas para produzir mais energia a um preço de venda garantido, que passará a ter que ser avaliada pelo regulador do sector.
EDP contesta intenção do Governo de travar produção eólica adicional a preço garantido
Bruno Simão/Negócios
Lusa 13 de setembro de 2017 às 07:26
Em causa está o despacho 7087/2017, publicado em 14 de agosto, que determina que nos procedimentos para autorização do sobreequipamento de centros electroprodutores [eólicos], isto é, para aumento de produção, a Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) tem que consultar a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) sobre os impactos para a tarifa da autorização relativa ao sobreequipamento em causa, sendo que "só deve ser autorizada desde que não tenha efeitos negativos para o Sistema Eléctrico Nacional".

Fonte oficial da secretaria de Estado da Energia confirmou à agência Lusa a entrada da reclamação do grupo liderado por António Mexia no gabinete do secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, ao despacho publicado em meados de Agosto, sem adiantar os fundamentos da reclamação administrativa da EDP, que foi a única produtora eólica a manifestar-se formalmente contra a intenção do Governo.

Contactada pela Lusa, a EDP não quis comentar a reclamação apresentada.

Segundo o Observador, o sobrecusto - que se reflecte nas tarifas - resultante destas autorizações de potência adicional terá rondado os 50 milhões de euros no ano passado. Em 2016, entraram mais 62.969 kW (kilowatt), o triplo da quantidade adicional autorizada em 2015, noticiou o jornal em 14 de Agosto.

No referido despacho, o Governo solicita ainda à DGEG a apresentação de uma proposta, no prazo de 60 dias, de revisão da legislação em vigor, que permite agora que, através de um procedimento administrativo, a energia adicional produzida nas centrais eólicas seja injectada na rede eléctrica e remunerada em regime especial, com uma tarifa fixa de 60 euros Megawatt/hora (MWh), acima do preço do mercado, sendo esse diferencial pago pelo consumidor.

No despacho de 14 de Agosto, o Governo reforça a prioridade de "redução do preço da electricidade, do défice tarifário, e dos encargos com os sobrecustos futuros".



A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Ventura Santos 13.09.2017

É evidente que os sobrecustos devem ser suportados pela EDP e outros produtores de energia eólica. Nós não temos culpa das opções energéticas do Carlos Pimenta, do Nuno Ribeiro da Silva, etc. Todos eles ex-secretários Estado da Energia e Ambiente e todos eles ligados atualmente à produção eólica ...

Saber mais e Alertas
pub