Energia EDP limpou sinais do início do incêndio em Pedrógão Grande

EDP limpou sinais do início do incêndio em Pedrógão Grande

Os especialistas responsáveis pelo relatório do fogo de Pedrógão Grande pediu ao Ministério Público, como habitual, para que não fossem feitas limpezas nas zonas onde terá começado o incêndio. A EDP já se tinha adiantado.
EDP limpou sinais do início do incêndio em Pedrógão Grande
Reuters
Negócios 15 de dezembro de 2017 às 10:34

A EDP procedeu à limpeza dos locais onde terá começado o incêndio de Junho em Pedrógão Grande. Fê-lo depois de conhecido o relatório técnico independente que atribuía às linhas da eléctrica o início do fogo pelo contacto com a vegetação.

O cenário é traçado pelo coordenador do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, Xavier Viegas, à TSF esta sexta-feira, 15 de Dezembro. O responsável diz ter pedido ao Ministério Público para travar qualquer acção de limpeza das florestas nas referidas áreas, debaixo das linhas eléctricas onde suspeita que tenha começado o fogo.


Contudo, a acção não veio a tempo: quando o aviso do Ministério Público chegou à EDP, já a eléctrica tinha ido ao local fazer uma limpeza das árvores, escreve a TSF.


Xavier Viegas lembra que existem fotografias do antes e do depois, embora fosse mais "importante preservar a zona" caso fosse necessário prosseguir investigações e encontrar sinais das descargas eléctricas na vegetação.


À TSF, a EDP Comercial não confirma nem desmente o aviso do Ministério Público ocorrido já depois da limpeza. A empresa diz que as suas acções tiveram como objectivo "repor as condições de segurança das redes e assegurar o abastecimento eléctrico às populações".


"As intervenções foram de carácter pontual e delas foi dado conhecimento a todas as autoridades competentes", afirmou fonte oficial.


A TSF ouviu ainda a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande. A sua presidente, Nádia Piazza, não descarta a ideia de que se terá tentado esconder provas e refere que existiram "duas situações de cosmética de cenários onde aconteceram mortes", referindo-se à limpeza da EDP e à Ascendi, gestora da Estrada Nacional 236, agora conhecida como "estrada da morte".




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