Energia EDP vai vender 3,5% da REN

EDP vai vender 3,5% da REN

A EDP quer vender mais de 18,5 milhões de acções da REN, o que representa 3,5% do capital social e dos direitos de voto da Redes Energéticas Nacionais. A venda será feita através de uma colocação privada.
EDP vai vender 3,5% da REN

A EDP quer desfazer-se de mais de 18 milhões de acções que detém da Redes Energéticas Nacionais (REN). A intenção foi comunicada à empresa liderada por Rodrigo Costa (na foto) que, por sua vez, enviou um comunicado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Estes mais de 18 milhões de acções correspondem a 3,50% do capital social e dos direitos de voto da REN e se forem vendidas ao valor de fecho desta quarta-feira, a eléctrica encaixaria em torno de 51,3 milhões de euros.

"A EDP - Energias de Portugal, S.A. ("EDP") anuncia a intenção de vender um total de 18.690.000 acções representativas de 3,50% do capital social e dos direitos de voto da REN - Redes Energéticas Nacionais, SGPS, S.A. ("REN"), directamente detidas pela EDP", pode ler-se no comunicado enviado ao regulador.

Ao alienar esta posição de 3,5% na REN, a EDP deixará de ter uma participação na cotada. O Fundo de Pensões da EDP, contudo, manterá uma posição de 1,5% na REN. Além disso, as acções que a EDP vai vender da REN representam mais de 9% do total do free float actual da empresa liderada por Rodrigo Costa.

A EDP adianta que "esta é uma participação financeira" não sendo um "activo estratégico", diz fonte oficial da eléctrica ao Negócios.

"Este é um processo natural que dá seguimento à estratégia que tem vindo a ser adoptada nos últimos anos", afirma a EDP, apontando para a redução progressiva da participação na REN ao longo dos últimos anos.

A saída da EDP do capital da REN acontece antes da empresa de transporte de energia avançar para um aumento de capital no valor de 250 milhões de euros para comprar a EDP Gás por um valor total de 532 milhões de euros.

Apesar da EDP não ser obrigada a participar neste aumento de capital da REN, esta operação iria acabar por provocar a diluição da participação da eléctrica na REN.

A REN pertenceu ao grupo EDP até ano 2000, quando o Governo de António Guterres separou as duas empresas, antes da quarta fase de privatização da EDP. O Estado português passou então a deter 70% da REN, com o restante capital a ficar nas mãos da EDP. Esta participação de 30% começou a ser reduzida em 2006 quando a EDP vendeu 15% aos então accionistas da REN: Oliren, Gestmin e Logoenergia.

Esta operação vai ser realizada através de uma colocação particular das acções "a ser realizado através do procedimento que se revele mais apropriado, como sejam operações de market crossover ou de non-secure exclusive accelerated bookbuilding, dirigidas exclusivamente a investidores qualificados".


A JB Capital Markets vai ser a entidade que vai realizar a operação ("sole bookrunner"). O resultado desta colocação privada vai ser divulgado pela eléctrica através de comunicado "logo que o mesmo seja conhecido".

A EDP actualmente já não detinha direitos de voto na REN, depois do regulador ERSE ter imposto este remédio de forma a certificar a REN como operador da rede nacional de transporte de electricidade e de gás natural.

Numa primeira fase, a ERSE decidiu certificar a REN, por considerar que a participação da EDP na REN não constituia um obstáculo à sua certificação. A Comissão Europeia, no entanto, "chumbou" a decisão preliminar por considerar que não estavam verificadas todas as condições de separação de actividade. Bruxelas exigia assim que, ou a EDP saía do capital da REN, ou perdia os direitos de voto, se optasse por ficar.

Numa segunda fase, a ERSE decidiu atribuir a certificação provisória à REN, ficando a certificação definitiva sujeita ao cumprimento das 11 condições, as "quais foram integralmente cumpridas" pela distribuidora.


As acções da REN terminaram o dia a descer 1,12% para 2,747 euros.

(Notícia actualizada às 17:37 com a informação que a EDP deixa de ter participação na EDP. Notícia actualizada pela última vez às 17:53)




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