Indústria Efacec com lucros de 4,3 milhões em 2016 após três anos de prejuízos

Efacec com lucros de 4,3 milhões em 2016 após três anos de prejuízos

O grupo Efacec, que é controlado pela angolana Isabel dos Santos desde o final de 2015, fechou o último exercício com uma facturação de 431,5 milhões de euros, mais 15,5 milhões do que no ano anterior, e lucros de 4,3 milhões de euros. Foram os seus primeiros resultados positivos desde 2012.
Efacec com lucros de 4,3 milhões em 2016 após três anos de prejuízos
A sociedade Winterfell, que é controlada pela empresária angolana Isabel dos Santos, comprou 66% da Efacec em Novembro de 2015.
Rui Neves 09 de maio de 2017 às 10:14

Foram três anos consecutivos a acumular grandes prejuízos. Ainda na semana passada, em comunicado, a Efacec Power Solutions admitia que "o grupo encontrava-se, no final de 2013, numa situação financeira crítica, com prejuízos anuais de 90 milhões de euros e necessitando de medidas excepcionais de reforço de capitais próprios para evitar uma situação de falência técnica".

 

Depois dos lucros de 7,4 milhões de euros em 2012, o grupo Efacec viria a fechar o exercício de 2013 com prejuízos de 90,5 milhões de euros.

 

Em Novembro de 2015, a sociedade Winterfell, que é controlada pela empresária angolana Isabel dos Santos, comprou dois terços (66%) da Efacec e colocou rapidamente o grupo na rota dos lucros.

 

Com Ângelo Ramalho à frente da comissão executiva, a Efacec voltou a ter resultados positivos em 2016. Nesta manhã do dia 9 de Maio, em conferência de imprensa para a apresentação das contas do grupo no ano passado, o CEO anunciou que a empresa fechou o último exercício com lucros de 4,3 milhões de euros, contra prejuízos de 20,5 milhões de euros, e um EBITDA (resultado antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) de 34,9 milhões de euros, mais 7,1 milhões do que um ano antes. Já a margem EBITDA cresceu de 6,7% em 2015 para 8,1% no ano passado.

 

A facturação do grupo Efacec em 2016 fixou-se em 431,5 milhões de euros, mais 15,5 milhões do que no ano anterior, com as exportações a gerarem, como no ano anterior, 76% do total.

 

Para O CEO da Efacec, "a inversão da performance negativa anterior, que foi alcançada em 2016, assim como os contratos e parcerias celebrados ao longo do ano, demonstram que a Efacec possui o talento e as competências tecnológicas e de gestão assim como a confiança dos clientes e parceiros de negócio para se assumir, cada vez mais, como um ‘player’ de relevo nos sectores energético, ambiental e de mobilidade".

 

Carteira de encomendas vale mais de 400 milhões de euros 

 

Em termos de distribuição geográfica das receitas da Efacec, Portugal representou vendas de 103,1 milhões de euros, seguindo-se a América Latina (55,6 milhões), Reino Unido e Irlanda (54,2 milhões), Angola (48,5 milhões) e Europa Ocidental (32,2 milhões). 

 

"A Efacec assume-se hoje como uma empresa com uma vocação fortemente exportadora. Esta exposição, cada vez maior, à envolvente internacional, conjugada com o nosso amplo portefólio de negócios, permite-nos mitigar o risco global da actividade mas também nos coloca desafios cada vez maiores", afirma Ângelo Ramalho.

 

Os contributos mais significativos para o total de receitas do grupo foram dados pelos segmentos transformadores (146,3 milhões de euros), aparelhagem (61,8 milhões de euros), energia (90,9 milhões de euros) e ambiente e indústria (46,5 milhões de euros). 

 

No ano passado, a Efacec conquistou alguns projectos emblemáticos, como o contrato com a Porsche para o fornecimento "chave-na-mão" "dos primeiros equipamentos do mundo" a disponibilizar uma potência de 320 KW para carga de veículos eléctricos com tensão elevada; "a liderança por parte da Efacec" do consórcio que ganhou o concurso internacional para o 11.º Plano para a Rede de Transporte de Energia Elétrica da Tunísia, ficando a empresa responsável pelo fornecimento das subestações eléctricas; a conclusão no Chile do projecto EPC global "chave-na-mão" do Parque Solar Fotovoltaico de 24,8 MWp, localizado no deserto de Atacama; o fornecimento à DUKE Energy de dois transformadores GSU de tecnologia Shell para integração na Central Nuclear de McGuire; e a adjudicação pela Reno-Nord, empresa municipal dinamarquesa, do projecto e execução de uma estação de triagem de resíduos sólidos domésticos.

 

A carteira de encomendas atingiu os 406,2 milhões de euros, mais 77,1 milhões do que no ano anterior, o que representa um crescimento de 23%.

 

Atingir vendas de 700 milhões de euros em 2020

 

Entretanto, no início de 2016 o grupo de Matosinhos lançou o programa Efacec 2020, que "foi estruturado em cinco pilares estratégicos: inovação tecnológica, excelência operacional, proactividade comercial, foco no cliente e desenvolvimento do talento".

 

Em conjunto, "estes pilares visam recuperar a Efacec enquanto empresa e marca de referência; focar num portefólio de produtos abrangente; apostar na inovação e disrupção tecnológica e reforçar a eficiência e melhoria contínua, os mecanismos de gestão de risco e controlo de gestão".

 

No âmbito do Efacec 2020, o CEO revelou que o grupo pretende facturar 700 milhões de euros dentro de três anos "e com níveis de rentabilidade alinhados com o benchmarketing do mercado". Para 2017, o objectivo é fechar o exercício com vendas a rondar os 500 milhões de euros.

 

Para Ângelo Ramalho "2016 foi um ano muito importante para a Efacec pelo lançamento de um amplo projecto de transformação, visando assegurar a competitividade e sustentabilidade da empresa e reafirmá-la como uma marca de referência à escala nacional e internacional".

 

"A performance da Efacec em 2016 demonstra que a Efacec tem portefólio de negócios e talento necessário para criar valor para os nossos clientes, accionistas e colaboradores. Efectivamente, os resultados alcançados não teriam sido possíveis sem o compromisso, dedicação e trabalho árduo dos nossos colaboradores", conclui o CEO da empresa.

 

Manter efectivo acima das 2.300 pessoas e investir em start-ups

 

Ramalho voltou a garantir que o grupo "não tem qualquer plano de rescisões", estando, sim, em processo de "rejuvenescimento". Recorde-se que a Efacec já celebrou 174 das 424 rescisões por mútuo acordo autorizadas sob o estatuto de empresa em reestruturação, admitindo "a eventual utilização das quotas remanescentes", ou seja, a possibilidade de recorrer a este mecanismo para até 249 rescisões. 

 

"O esforço quase todo de reestruturação já ficou lá atrás e os resultados de 2016 evidenciam isso mesmo, mas temos, todos os dias, de nos ajustar a uma realidade que é mutável", alertou o presidente executivo da empresa.

 

O grupo Efacec emprega actualmente cerca de 2.300 pessoas, dos quais dois mil em Portugal.

 

Ângelo Ramalho revelou ainda que o grupo vai apresentar publicamente, "em Setembro/Outubro, os Innovation Awards", uma iniciativa que visa o investimento em start-ups. "Trata-se de um fundo, onde estamos nós e, para já, outra empresa da região", adiantou o gestor, que não quis fornecer mais detalhes sobre a matéria. 

 

As verbas a alocar a este fundo fazem parte do investimento em I&D da Efacec, "que foi de 2,3% da facturação em 2016" e que o CEO ambiciona que venha a representar 3% das receitas anuais. 

 

"Satisfação" dos accionistas angolanos 

 

De resto, Ângelo Ramalho garantiu que o accionista angolano "está satisfeito com o percurso que a empresa tem vindo a fazer".

 

Já Mário Leite da Silva, "chairman" da Efacec e o homem-forte de Isabel dos Santos em Portugal, diz que "a ambição [da Efacec] tem de ser que os atuais e potenciais clientes, assim como fornecedores e concorrentes, percepcionem a Efacec como uma empresa credível e competitiva em todas as unidades de negócio em que estamos apostados".

 

O CEO avançou que, "até 2020, a Efacec tem como ambição estar entre as três marcas 'top-of-mind' no domínio da inovação e tecnologia" nas suas áreas de actuação, a nível mundial. 

(Notícia actualizada pela última vez às 12:06 com mais informação)




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mais votado Anónimo 09.05.2017

A Isabel dos Santos já não deve saber grande coisa do estado-da-arte da indústria e tecnologia ligada à electricidade mas é boa gestora. Muito dedicada e experiente nesse campo. Tem visão de negócio e é um bom cartão de visita, com muito bons contactos, para abrir os mercados em África à EFACEC.

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Anónimo 05.06.2017

Espreitem o vídeo deles: https://www.youtube.com/watch?v=DHaRew-RM5o. Isto sim é uma empresa 4.0 com visão de negócio e de futuro.

A serio? 09.05.2017

E isso dá quanto em ovos? Cambada de CORRUPTOS

Anónimo 09.05.2017

Todos os anos dúzias de grandes empresas multinacionais das quais já não há memória de terem apresentado um prejuízo trimestral, despedem colaboradores tidos como excedentários e por isso desadequados à missão, visão e objectivo da empresa. Uma empresa ou um Estado não precisam nem devem estar à beira da falência para começarem a pensar numa boa e competente política de gestão de recursos humanos. Só em sítios como Portugal é que no geral se tem pensado assim. O que obviamente é mais um daqueles infelizes atalhos de pensamento que revelam o estofo cultural e nível de discernimento de quem profere certas e determinadas afirmações em sintonia com o mais retrogrado e pernicioso pensamento sindical e esquerdista.

Anónimo 09.05.2017

Eis um exemplo do que é o mercado de trabalho, um trabalhador é sempre alguem descartavel, sem tem prejuizos é portem Tem prejuizos se tem lucro é porque tem lucro.

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