Energia Empresa suíça já está a negociar mais acordos para comprar energia a centrais solares

Empresa suíça já está a negociar mais acordos para comprar energia a centrais solares

A Axpo chegou a acordo para comprar electricidade a central solar de João Talone no Alentejo. Mas já está de olho na energia solar de mais centrais portuguesas. Acordos PPA podem ser solução para desbloquear financiamento para construir centrais já licenciadas.
Empresa suíça já está a negociar mais acordos para comprar energia a centrais solares
André Cabrita-Mendes 19 de janeiro de 2018 às 20:47
A energética suíça Axpo chegou a acordo para comprar a produção de electricidade durante 10 anos de uma central solar no Alentejo. Esta central pertence à Dynavolt Renewable Energy Europe e conta com uma participação minoritário da Hyperion, empresa de energias renováveis de João Talone, ex-presidente executivo da EDP.

A Axpo comprometeu-se assim a comprar a produção de electricidade da central durante 10 anos. Este tipo de negócio é conhecido no sector como "Power Purchase Agreement" (PPA), ou acordo de compra de energia. Como esta central não tem direito a tarifa garantida, conhecida como tarifa "feed-in".

Esta central vai ficar localizada no distrito de Évora, com uma potência de 28,8 megawatts (MW) e deverá entrar em produção em 2019. A produção anual estimada é de 50 gigawatts hora (GWh), o suficiente para fornecer de electricidade 14 mil famílias.

Este tipo de acordos poderão vir a ser uma solução para várias centrais solares já licenciadas conseguirem financiamento por parte da banca, pois com um acordo PPA conseguem ter visibilidade sobre as suas receitas durante um determinado período de tempo, o que não aconteceria se tivessem de vender diariamente a sua electricidade no mercado ibérico de electricidade (MIBEL). 

"É uma operação muito importante para nós e para o mercado porque significa que já é rentável construir centrais fotovoltaicas sem tarifa garantida e com os preços actuais do mercado. Se não houver um acordo PPA, é muito difícil que um banco financie estas centrais", disse ao Negócios o director-geral da Axpo Iberia, Ignacio Soneira.

Trocando por miúdos, a Axpo compra a produção de electricidade desta central e depois vai actuar como agente vendedor desta energia no MIBEL. Paralelamente, este acordo garante uma estabilidade das receitas ao produtor, pois assim não fica sujeito às oscilações dos preços no mercado, assegurando um valor fixo pela electricidade produzida.

A central de João Talone já assegurou financiamento da banca, e este acordo tem o maior prazo de duração dos PPA já fechados em Portugal. A Axpo avança que já está a negociar novos acordos PPA com outras centrais solares em Portugal que também não têm tarifa garantida.

"Estamos a negociar mais operações em Portugal. Esperamos que nos próximos meses sejam feitos mais acordos", revelou o líder da Axpo para a Península Ibérica.

Ignacio Soneira faz questão de esclarecer que neste momento decorrem negociações para novos acordo, sendo impossível de prever se vão ter sucesso. "Estou convencido que vão haver mais acordos. Mas é difícil saber se estes acordos vão ser fechados, mas  estamos a ter conversações e vamos ver se conseguimos chegar a acordo".

O responsável não revelou os valores envolvidos na operação, mas adiantou que o preço pago por megawatt hora fica abaixo dos 50 euros por megawatt hora, valor médio praticado no mercado grossista, pois a tendência é o preço da electricidade descer nos próximos anos devido ao aumento da oferta. 

"O mercado espera que nos próximos 10 anos venha a haver mais oferta, a previsão é que os preços continuem a baixar", afirmou Ignacio Soneira.

"Acredito que esta operação venha a ser um passo muito importante. Isto significa que provavelmente este acordo possa vir a repetir-se", rematou o responsável.



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comentários mais recentes
Anónimo Há 4 semanas

Que negócio tão estranho num elemento tão estruturante na economia!

Anónimo Há 7 horas

Esses gatunos desses suiços que nos roubam todos os dias ainda não estão contentes com o que roubam e ainda querem roubar mais e o outro ladrão do nosswo governo que lhe interessa o negocio com os suiços para assim receber em troca uns milhões e fazer mais umas contas secretas na suiça , CHULOS

Ciifrão Há 9 horas

As empresas em Portugal tendem a crescer sustentadas em favores do Estado, este por sua vez gosta de ter as empresas dependentes para as controlar. Um relação envenenada que não permite ao país ganhar competitividade internacional. Tal como um qualquer regime ditatorial, onde o estado tem a economia subjugada para se poder legitimar.

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