Energia Eni dá luz verde a investimento com a Galp em Moçambique

Eni dá luz verde a investimento com a Galp em Moçambique

A aprovação pelo conselho de administração da italiana é um passo necessário para que a decisão final de investimento seja tomada. Os parceiros da concessão terão também de aprovar o seu envolvimento directo no projecto.
Eni dá luz verde a investimento com a Galp em Moçambique
Miguel Baltazar/Negócios
Paulo Zacarias Gomes 18 de novembro de 2016 às 13:39
A administração da energética italiana Eni aprovou esta sexta-feira, 18 de Novembro, a participação no projecto de exploração de gás natural nas águas profundas do campo Coral Sul, em Moçambique. A aprovação abre caminho para uma decisão final de investimento que envolve a portuguesa Galp, entre outras empresas.

O avanço do investimento está ainda dependente da aprovação de todos os parceiros e da obtenção do financiamento. A exploração neste campo faz parte de um projecto alargado que, de acordo com a Reuters, deverá implicar uma despesa total de 50 mil milhões de dólares (47 mil milhões de euros à cotação actual).

O projecto, com capacidade para produção de mais de 3,3 milhões de toneladas de gás por ano na área 4 da concessão, vai implicar a construção de seis poços subterrâneos ligados a uma plataforma flutuante. O campo Coral Sul foi descoberto em Maio de 2012 e deverá conter cerca de 450 mil milhões de metros cúbicos de gás.

A Eni detém, como operador, uma percentagem indirecta de 50% no consórcio, a que se juntam 20% da chinesa CNPC. A Galp, a sul-coreana KOGAS e a estatal moçambicana ENH detêm cada uma participação de 10%. Em Outubro, a Eni assinou um acordo para fornecer à BP, ao longo de 20 anos, gás natural a extrair desta concessão.

Numa nota enviada aos clientes, e a que o Negócios teve acesso, o analista Filipe Rosa do Haitong Bank considera que o impacto desta aprovação é neutral para a empresa liderada por Carlos Gomes da Silva (na foto), uma vez que se trata de apenas mais um passo para que a decisão final de investimento seja aprovada, o que, prevê, deverá acontecer antes do fim do ano.

"Não estamos certos de que a redução recente nas despesas operacionais e de capital na indústria seja suficiente para tornar viável um projecto de exploração de gás natural no actual cenário de preços baixos de energia e seria interessante ter mais dados económicos sobre o projecto para podermos avaliar o seu impacto," refere.

O analista dá ainda conta da cautela sempre manifestada pela administração da energética que, na apresentação de resultados do terceiro trimestre, voltou a dizer que só investirá no projecto se este "fizer sentido financeiramente" e que ainda está a tentar optimizá-lo antes de aprovar a decisão final de investimento.

Os títulos da Galp caem 1,08% para 12,35 euros e os da Eni recuam 1,35% para 12,43 em Milão. 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.



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