Banca & Finanças Espanha garante que venda do Popular não custará um euro aos contribuintes

Espanha garante que venda do Popular não custará um euro aos contribuintes

Se houver prejuízos no futuro ou "buracos" a tapar, será o Santander - que comprou activos e passivos do Popular por um euro - a assumir a responsabilidade, assegurou Luis de Guindos.
Espanha garante que venda do Popular não custará um euro aos contribuintes
Paulo Zacarias Gomes 12 de junho de 2017 às 18:38

O ministro espanhol da Economia defendeu esta segunda-feira, 12 de Junho, a decisão de vender por um euro o Banco Popular ao Santander no âmbito da medida de resolução decretada na semana passada, considerando que se tratou de uma operação "aberta e neutral", sem custos para os contribuintes.

Luis de Guindos, que se mostrou satisfeito com a decisão do Mecanismo Único de Resolução, acrescentou que houve cinco interessados no processo e que do processo de leilão saiu vencedor o Santander, cuja oferta ficou acima da "avaliação independente feita ao Banco Popular."

"As medidas adoptadas não comprometem um único euro de recursos próprios" nem custou ou custará um único euro de dinheiros públicos e quaisquer perdas futuras serão assumidas pelo comprador Santander, asseverou o ministro.

A queda do Popular desencadeou-se no início da semana passada, conta o El Confidencial, quando o banco esgotou em apenas dois dias toda a liquidez de emergência dada pelo mecanismo de liquidez europeu, ficando sem activos que garantissem a obtenção de mais financiamento. O Expansión diz que foram disponibilizados, em três dias, mais de 3.000 milhões de euros. 

Embora a solução europeia já estivesse a ser trabalhada há algum tempo, a situação de queda iminente foi decretada às 11 da noite de terça-feira passada e durante a madrugada fechou-se a operação com o Santander, que permitiu que as agências do Popular reabrissem na manhã seguinte.

Nos dias anteriores à resolução, segundo o jornal Expansión, várias contas da Segurança Social e de alguns serviços de comunidades autonómicas sofreram retiradas massivas de dinheiro, que se juntaram à fuga de depósitos de clientes individuais.

Se o banco entrasse em insolvência, referiu De Guindos, os depósitos não protegidos pelo fundo de garantia seriam chamados a responder pelas perdas, estimadas em 8.200 milhões de euros numa auditoria interna.

O ministro criticou ainda o presidente do Popular antes da resolução, Emilio Saracho, por nunca ter apresentado um plano de recapitalização da instituição. E, segundo o CincoDias, um organismo dependente do ministério de Guindos já pediu explicações à PwC, auditora do Popular, pelo visto em que aprovou a demonstração financeira de 2016 e a sua reformulação.

Já a CNMV, o regulador dos mercados, deverá investigar se houve alguma irregularidade no processo de aumento de capital da instituição, ocorrido no ano passado. 




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mais votado Anónimo 13.06.2017

Muito melhor do que fizeram em Portugal, mas em Portugal não existem empresas da envergadura de um Santander, organização muito bem estruturada pois está assente sobre os princípios de gestão lean onde a boa gestão de recursos humanos não é descurada. Perguntem ao Horta Osório, o mata sindicalistas, terror dos excedentários da banca por esse mundo fora.

comentários mais recentes
Anónimo 13.06.2017

Portugal tem sentido tanto os efeitos da crise que consolidam a sua posição entre os mais pobres dos ricos e os menos desenvolvidos dos desenvolvidos, por causa de não ter vindo a fazer os despedimentos que devia ter feito e por tê-los substituído por progressões, aumentos e blindagens contratuais absurdas e anacrónicas que os seus pares mais ricos e desenvolvidos souberam desmantelar há muito.

Anónimo 13.06.2017

Muito melhor do que fizeram em Portugal, mas em Portugal não existem empresas da envergadura de um Santander, organização muito bem estruturada pois está assente sobre os princípios de gestão lean onde a boa gestão de recursos humanos não é descurada. Perguntem ao Horta Osório, o mata sindicalistas, terror dos excedentários da banca por esse mundo fora.

pertinaz 12.06.2017

SÓ EM PORTUGAL É QUE A ESCUMALHA QUE NOS DESGOVERNA (E DESGOVERNOU) OBRIGA OS CONTRIBUINTES A PAGAR OS DESMANDOS DA BANCA...!!!

Conselheiro de Trump 12.06.2017

Acho ser a coisa mais natural.Se o banco e privado,se o dono ou donos entenderam compra-lo tem de chegar a frente com o custo dele.Se eu comprar um carro novo ou usado,nao vao ser os meus vizinho que o vao pagar.O BCE quer q 1 governo passe rapida/a batata quente q tem nas maos,nao importa como.

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