Telecomunicações Esquerda apela ao Governo para travar “arrogância” e "comportamento abutre" da Altice

Esquerda apela ao Governo para travar “arrogância” e "comportamento abutre" da Altice

O secretário de Estado do Emprego garante que o Governo está a “a acompanhar” a situação dos trabalhadores da PT. O Bloco considera que "estamos a assistir ao maior processo de assédio moral em escala que Portugal já assistiu".
Esquerda apela ao Governo para travar “arrogância” e "comportamento abutre" da Altice
Miguel Baltazar
Sara Ribeiro 19 de julho de 2017 às 18:11

O PCP e o Bloco de Esquerda apelaram ao Governo para travar "o comportamento abutre" da Altice, depois de os sindicatos que representam os trabalhadores da PT terem denunciado alegadas pressões e ilegalidade na transferência de alguns funcionários da Meo.

O tema foi debatido em plenário esta quarta-feira a pedido do PCP, que relembrou que antes da Altice ter fechado a compra da PT o partido tinha alertado que o negócio "colocava em risco o futuro da própria empresa", disse Jerónimo de Sousa.

"A PT está a ser conduzida à destruição", referiu, acrescentando que "o Estado perdeu o comando estratégico da PT e significativas receitas fiscais", quando decidiu privatizar a empresa.

Aliás, o PCP anunciou que depois das férias de verão vai avançar com um projecto de resolução para o regresso da PT ao controlo público.

"A Altice tem de ser travada. O Governo pode e deve opor-se a tal desfecho" da saída de trabalhadores da empresa, sublinhou Jerónimo de Sousa.

Um apelo partilhado pelo Bloco de Esquerda: "O Governo pode e deve intervir para travar este comportamento abutre da Altice", apontou José Soeiro.

"Estamos a assistir ao maior processo de assédio moral em escala que Portugal já assistiu", acrescentou o deputado do Bloco. O PEV também partilha as mesmas preocupações, alertando que "é necessário travar a arrogância da Altice que não está acima das leis", disse o deputado José Luís Ferreira.

Em resposta a estas intervenções, Pedro Coimbra, do PS, garantiu que o partido "acompanha naturalmente as preocupações com a situação dos trabalhadores da PT".

"A República tem leis que queremos ver cumpridas e em que confiamos. Tal como confiamos nos reguladores, que têm um papel importante, e que ainda não se pronunciaram", referiu.

Já o PSD aproveitou para sublinhar que "é tempo de tomar decisões". E criticou "a forma agressiva como António Costa tem atacado a Altice. Será porque a PT/Altice, agora que se prepara para comprar a dona da TVI, se torna incómoda para o seu Governo de meias-verdades?", questionou Adão Silva, dirigindo-se à bancada do PS.

Durante a sua intervenção, e reagindo às intervenções dos restantes partidos, Guilherme D’Oliveira Martins, secretário de Estado das Infra-estruturas relembrou que "a intervenção do Estado numa empresa privada restringe-se ao cumprimento das leis".

Quanto à compra da Media Capital pela Altice, comentou apenas que é preciso "esperar pelos pareceres das entidades reguladoras".

Já o secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, respondeu que "face às denúncias públicas dos trabalhadores [da PT] está em curso uma inspecção da ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho". "Este não é um processo fechado. É um processo que estamos a acompanhar", concluiu.




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