Indústria Estado vai comprar à Embraer até seis aviões KC-390

Estado vai comprar à Embraer até seis aviões KC-390

A luz verde para que se iniciem as negociações com a empresa brasileira foi dada esta quinta-feira pelo Conselho de Ministros.
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Paulo Zacarias Gomes 08 de junho de 2017 às 15:20

O Governo aprovou esta quinta-feira, 8 de Junho, em Conselho de Ministros, o início das negociações entre o Estado e a Embraer, Defesa e Segurança para a compra de cinco aviões KC-390, uma aquisição que tem ainda a opção de compra de mais uma unidade.

O valor da transacção não foi divulgado e não deverá sê-lo para já, disse ao Negócios fonte do Ministério da Defesa, uma vez que se trata "do início de um processo negocial".


Em causa está um avião adaptado ao transporte e lançamento de cargas e tropas, reabastecimento aéreo, busca e resgate e combate a incêndios florestais. O objectivo é a substituição dos Hércules C-130 actualmente ao serviço da Força Aérea e cuja vida útil é de até 10 anos.

Compromisso já era conhecido


Com esta decisão, o Governo dá sequência à carta de intenção de compra de aeronaves desta gama, que tinha assinado tal como outros 30 países, e que já previa que pudessem ser adquiridos estes seis aparelhos.

De acordo com a mesma fonte da Defesa contactada pelo Negócios, terá lugar agora a constituição de um grupo de trabalho com representantes dos ministérios da Defesa, Finanças, Economia e Ciência e Tecnologia, que fará o contacto com o fornecedor, a Embraer.

Além deste lote de aeronaves, o Estado deverá comprar ainda um simulador de voo "para instalação e operação em território nacional", denominado "fullflight simulator CAT D".

Preço pode rondar os 70 milhões por aeronave

Em 2014, quando a força aérea brasileira encomendou 28 aviões, o preço avançado (incluindo apoio logístico, peças sobresselentes e manutenção) era de 7.200 milhões de reais o que, à cotação actual, coloca o preço por unidade a rondar os 257 milhões de reais (ou cerca de 70 milhões de euros).

Nesse cenário hipotético que considere este preço unitário, e excluindo o custo do simulador, a despesa portuguesa com os seis aviões poderia rondar os 420 milhões de euros.

Um projecto com mãos portuguesas


A OGMA, em Alverca - detida pelos brasileiros da Embraer - participa no fabrico de peças estruturais em materiais compósitos e liga metálica no âmbito do programa do cargueiro militar KC-390, o maior projecto aeronáutico português.

Foi naquelas instalações que o projecto de parceria entre Portugal e o Brasil para a produção da aeronave foi apresentado pela primeira vez, em Julho do ano passado. O ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, tinha meses antes renovado o interesse na aquisição dos aparelhos.

Há um ano, o Executivo tinha autorizado a realização de até 20,8 milhões de euros em despesa para que o país participasse em 2016 e 2017 no desenvolvimento e produção da aeronave.

De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, enviado às redacções, o envolvimento de Portugal, desde 2010, no desenvolvimento e produção desta aeronave esteve relacionado com a "importância estratégica" da indústria aeronáutica para o "desenvolvimento económico nacional, (...) promover o emprego qualificado e as exportações."

Embraer esperava dar a conhecer brevemente primeiro cliente internacional


Este é, segundo a Embraer, um projecto da Força Aérea Brasileira, que em 2009 contratou a companhia para desenvolver o aparelho e que fez a primeira - e até agora única - encomenda, de 28 KC-390. Além de Portugal, há ainda compromisso de fornecimento à Argentina, Chile, Colômbia e República Checa, que totalizaria 32 unidades (incluindo as seis portuguesas).

Há uma semana, em declarações ao meio Defense News, o vice-presidente executivo da companhia responsável pelo negócio com a Defesa, Jackson Schneider, dava como possível a confirmação, nestes próximos dias, do primeiro cliente internacional do avião cargueiro.

"Temos um processo muito avançado com um dos potenciais clientes. (...) É claro que ainda há trabalho a fazer. (...) Espero ter a possibilidade de o anunciar este ano," disse na sexta-feira passada em Melbourne, Florida.

(Notícia actualizada às 16:07 com mais informação)

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Anónimo 27.06.2017

EM VEZ DE COMPRAR AVIOES DA TRETA APESAR DE TER PARTICIPADO NO FABRICO DAS PRIMEIRAS PARTES DESTE KC NAS OGMA ! COMPREM MAS E AVIOES MACHUDOS DE COMBATE A INCENDIO BOMBARDEIROS DE AGUA DE GRANDE PORTE PARA APAGAR INCENDIOS MANHOSOS QUE E ISSO QUE NOS PRECISAMOS E DEIXEM-SE DE TRETAS !

Anónimo 20.06.2017

Quanto a alguém ser preso por este negócio? Alôôôô estamos em Portugal! Quem é que já foi preso pela compra dos submarinos? Ao que parece foi uma grande negociata, para alguns!!!!!

Anónimo 20.06.2017

Quem faz estas noticias? Percebe alguma coisa de aviões? Para que quer Portugal um KC-390? Por acaso o autor sabe o significado do K? REABASTECEDOR. Portugal comprar o C-390 já posso acreditar, se a intenção é substituir o C-130 ou será que nós temos KC-130??????.Ahahahahah

Anónimo 08.06.2017

Só não percebo porque se vendem tão poucos.
O resto dos paises da NATO têm Hercules ou Airbus. Algum motivo existe. Parece-me mais um daqueles negócios em que alguém há-de ir parar à cadeia.

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