Indústria Este elevador não é para cardíacos

Este elevador não é para cardíacos

A inovação que a alemã Thyssenkrupp está a preparar para o mundo dos elevadores obriga a um aviso prévio: esta notícia não é para quem sofre do coração.
Este elevador não é para cardíacos
Reuters
Bloomberg 25 de dezembro de 2017 às 15:00
Num local de ensaios no sudoeste da Alemanha, uma das maiores fabricantes de elevadores do mundo está a acelerar os testes em torno do primeiro sistema a funcionar sem cabos. O elevador futurista da Thyssenkrupp desafia um design básico que praticamente não mudou durante séculos. Em vez de estar ligado a cordas e roldanas, move-se pelo poço com a ajuda de ímanes.

"Psicologicamente, não há diferença", afirma Andreas Schierenbeck, CEO da divisão Thyssenkrupp Elevators, minimizando os receios causados pela tecnologia. "Há pessoas que têm medo até dos elevadores com cabos."

O Multi, o elevador com levitação magnética cujo primeiro uso comercial está programado para 2020 num edifício de Berlim, vai pôr a empresa alemã de engenharia um passo à frente das rivais Otis, Kone e Schindler Holdings. A Thyssenkrupp, quarta maior do mundo em vendas, aposta que o elevador lhe dará vantagem numa altura em que o mercado – estimado em 60 mil milhões de euros – está prestes a crescer, devido à procura por edifícios altos em centros urbanos densamente povoados.

"Hoje, a principal vantagem da Thyssenkrupp é ser a primeira no terreno", defende David Varga, analista do Bankhaus Metzler que recomenda comprar as acções da industrial. O desenvolvimento de uma tecnologia nova ajudará, no mínimo, a empresa a reter quota de mercado num sector em que é "muito difícil" alcançar grande vantagem face aos rivais.

A divisão de elevadores da Thyssenkrupp começou por ser uma actividade paralela para a empresa, o maior fabricante de aço da Alemanha. Nos últimos seis anos, perante o excesso global de aço - que fez tombar os preços - e face a uma fusão planeada com a rival Tata Steel, aquela unidade transformou-se numa mina de ouro que dá mais lucro que as outras divisões da empresa.

Ao contrário dos sistemas de design tradicional, o Multi tornará o transporte de pessoas dentro de edifícios mais eficiente, segundo a Thyssenkrupp. Por exemplo, o mesmo poço pode ser usado por mais do que uma cabine que se move para cima e para baixo ou até mesmo de lado, para deixar outra cabine passar. Essa flexibilidade daria mais liberdade aos arquitectos e poderia mudar o horizonte das cidades.

"A liberdade é recuperada – não é preciso usar o poço do elevador como um elemento principal" do design para conceber os prédios em volta dele, disse Schierenbeck em entrevista, este mês, na sede da empresa, em Essen. Os novos elevadores poderiam ser instalados do lado de fora dos edifícios ou mover-se horizontalmente entre o estacionamento e a entrada, acrescentou.

Desafio está no mercado chinês

Embora o mercado chinês, que é fundamental, esteja a desacelerar devido ao enfraquecimento do imobiliário e à concorrência mais aguerrida, Schierenbeck espera que a procura cresça nas próximas décadas, quando centenas de milhões de chineses se mudarem para as cidades.

"Talvez o progresso que estamos a fazer seja bom, embora não suficientemente rápido", afirma. "Poderíamos melhorar. Talvez este seja um pensamento típico dos engenheiros alemães, que vêem sempre aquilo que não está a funcionar."



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