Media Ex-director adjunto da Lusa justifica demissão por discordar do perfil da nova subdirectora

Ex-director adjunto da Lusa justifica demissão por discordar do perfil da nova subdirectora

O ex-director-adjunto da Lusa Nuno Simas disse hoje no parlamento que apresentou a sua demissão por discordar do perfil da nova subdirectora de informação, defendendo que a estratégia da agência para os próximos anos deveria ser outra.
Ex-director adjunto da Lusa justifica demissão por discordar do perfil da nova subdirectora
Correio da Manhã
Lusa 03 de janeiro de 2017 às 19:11

"O motivo da minha demissão foi muito claro e tem que ver com o facto de achar que seria inadequada a escolha de uma pessoas que não tem a experiência que eu considero para um cargo deste tipo", disse Nuno Simas.

 

O ex-director-adjunto da agência de notícias foi ouvido esta tarde na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, por requerimento apresentado pelo grupo parlamentar do PSD, para prestar esclarecimentos sobre a anunciada nomeação de Mafalda de Avelar para subdirectora de informação da Lusa.

 

Perante os deputados que integram a comissão, Nuno Simas esclareceu as razões que motivaram a sua demissão, tendo o ex-director-adjunto cessado funções em 31 de Dezembro.

 

"Por um lado, não ter experiência de redacção nem de direcção é para mim uma falha grave e considerando que, nos últimos cinco anos, vivemos com cortes, no momento em que voltamos a respirar, na minha opinião, a estratégia deveria ter sido outra", advogou.

 

Nuno Simas afirmou que, "nos últimos anos, a rede interna e a rede externa da Lusa sofreram bastante com os cortes", considerando que este seria o "momento de dar estabilidade a alguns postos de trabalho", sendo a rede interna e a cobertura nacional pontos fulcrais para o futuro da agência.

 

"Achei que nesta fase a opção deveria ser outra e porque trabalho na redacção - durante cinco anos estive com muito contacto de trabalho diário da redacção -, o perfil da pessoa deveria ser outro", sublinhou.

 

No entender de Nuno Simas, um subdirector da Lusa deveria ter conhecimentos de economia e deveria ajudar no "dia-a-dia da redacção", um perfil que, segundo o ex-director adjunto, Mafalda de Avelar não tem.

 

Para o jornalista, a estratégia de futuro da Lusa deveria passar pela "estabilização de quadros em vários distritos" e por uma "estabilização da rede externa", um plano estratégico que chegou a ser "gizado" pela Direcção de Informação que Nuno Simas integrou.

 

Nesta audição, o deputado do PSD Pedro Pimpão manifestou a preocupação dos social-democratas pela "instabilidade que se vive na Lusa", lembrando, a propósito, o corte da indemnização compensatória inscrito na proposta de Orçamento do Estado para 2017 (OE2017), "depois corrigido pelo apoio de todos os partidos".

 

Já Carla Sousa, do PS, questionou Nuno Simas sobre as razões que motivaram o seu pedido de demissão, nomeadamente, "se houve questões para trás" que o tenham levado a tomar essa decisão, uma vez que o jornalista tinha apresentado a sua demissão do cargo que ocupava na Direcção de Informação quando a presidente da Lusa, Teresa Marques, decidiu substituir Fernando Paula Brito no cargo de Director de Informação, o que ex-director-adjunto rejeitou.

 

O deputado do BE Jorge Campos aproveitou a presença de Nuno Simas para questionar sobre a extinção da Editoria Cultura, uma opção da qual o jornalista disse não ter orgulho, mas que foi necessária, não tendo no entanto comprometido o serviço de Cultura da agência.

 

A precariedade foi uma questão levantada pelo PCP, pela voz da deputada Diana Ferreira, tendo Vânia Dias da Silva, do CDS, questionado sobre a situação orçamental da Lusa ao longo de 2016.

 

A bancada do CDS quis ainda saber se os pareceres do Conselho de Redacção são "letra morta", uma vez que este órgão deu um parecer negativo, por unanimidade, à escolha de Mafalda de Avelar para o cargo de subdirectora de informação.

 

Depois de responder a todas as bancadas, e de reiterar a sua discordância com o perfil de Mafalda de Avelar, Nuno Simas concluiu, dizendo que "não faz sentido que uma pessoa entre para uma Direcção de Informação para estar a captar fundos [comunitários], porque o seu trabalho não é esse".

 

"Ser Director de Informação é estar na redacção, trabalhar no dia-a-dia e não sei mais que responder, sinceramente", afirmou.

 

O director de informação da Lusa, Pedro Camacho, informou recentemente da contratação de Mafalda de Avelar como subdirectora de informação, o que motivou o parecer negativo do Conselho de Redacção, por unanimidade de todos os seus membros, que consideraram que o currículo da jornalista não se adequa ao lugar que vai ocupar. Posteriormente, Nuno Simas apresentou demissão.

 




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Criador de Touros Há 3 semanas

A lusa tem estado nas mãos de socialistas maçons Grande Oriente Lusitano do tempo de Sócrates e continuaram lá com o Passos, o que achei uma vergonha e palermice do Passos, depois lá saiu emplastro, mas ainda demorou a sair. Passos precisa de mudar de óculos...O que está a dar é engordar como o indiano, almoços e jantares bem regados em bons restaurantes e o povo a emagrecer rapando o tacho, é isto a esquerda caviar que dá uns mexilhões ao povo para se calar e não berrar mais nas ruas. Esta democracia é só para alguns iluminados de avental, o povo está sempre fora desta fotografia.

5640533 Há 3 semanas

Como não percebe de Economia se é licenciada em Economia?

Lusotralha .. Há 3 semanas

Esta Lusa ha muito que anda a precisar de uma grande vassourada!Aquilo nos ultimos anos nao passou de um antro de desinformacao ao servico da direitralha do costume controlada por jornaleiros avencados.

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