Energia Excesso de produção deixa super-petroleiros à deriva no alto-mar

Excesso de produção deixa super-petroleiros à deriva no alto-mar

Apesar dos cortes na produção por parte de alguns dos maiores produtores mundiais, continua a existir um excesso de petróleo no mundo, pressionado os preços para baixo. Empresas estão a usar petroleiros como reservatórios.
Excesso de produção deixa super-petroleiros à deriva no alto-mar
Bloomberg
André Cabrita-Mendes 23 de junho de 2017 às 10:58
O super-petroleiro Saiq transporta dois milhões de barris de crude, o equivalente ao consumo de Portugal durante uma semana. No início deste mês o navio partiu da Escócia carregado rumo à China. Mas poucos dias depois o Saiq parou completamente no meio do Oceano Atlântico para ficar à deriva no alto-mar.

Terá o navio com 330 metros de comprimento sofrido alguma avaria? Não. O problema é que o dono da carga não encontrou nenhum comprador para os barris, num momento em que a China não está a comprar muito petróleo.

Esta história, contada pela Bloomberg, demonstra como existe um excesso de produção de petróleo no mundo actualmente. A abundância de ouro negro acontece mesmo com os cortes que têm sido levados a cabo desde o início do ano pelos maiores produtores mundiais, incluindo os membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e outras 11 nações lideradas pela Rússia.

Apesar destes países terem cortado a sua produção diária em 1,8 milhões de barris, o aumento na extracção na Nigéria e Líbia e também a fraca procura na Ásia fazem com o que mercado esteja inundado de petróleo.

"Isto demonstra que os cortes da OPEP não são suficientes para produzir um impacto", disse Olivier Jakob da consultora Petromatrix à Bloomberg, apontando que existe um excesso de reservas na bacia do Atlântico.

Empresas como a Trafigura e o Vitol Group têm alugado super-petroleiros com o objectivo de as usar como reservatórios flutuantes. Os reservatórios deste tipo aumentaram este ano 32% no Mar do Norte e 23% em Singapura.

O barril de Brent está a negociar a 45,56 dólares esta sexta-feira, 23 de Junho, em Londres, mais 6,47 dólares face ao início do ano. O excesso de produção está a colocar uma pressão baixista sobre o preço do barril; esta semana o petróleo negociado em Londres caiu abaixo da marca dos 45 dólares por barril, o que aconteceu pela primeira vez desde 15 de Novembro.

Já nos Estados Unidos, a produção de petróleo está a crescer desde Outubro. Em Maio atingiu inclusivamente o seu nível mais elevado desde Agosto de 2015 (9,34 milhões de barris por dia).

Já o número de plataformas de petróleo operacionais subiu pela 22.ª semana consecutiva, com a produção de petróleo de xisto em alta. Enquanto isto, as exportações de petróleo dos Estados Unidos atingiram um máximo histórico de 1,1 milhões de barris diários.



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comentários mais recentes
Incrivel o que o cartel faz 22.07.2017

É incrivel o que o cartel faz para manter os preços empolados ( guerras na síria, iraq , informação errada sobre stoks ETC ETC ETC) tudo para justificar determinadas explorações só viaveis acima dos 50 dolars o barril - SEGUNDA FEIRA LÁ AUMENTA MAIS UMA VEZ O COMBUSTÍVEL

Anónimo 19.07.2017

Aproveitem os milhões que o Portas gastou nos submarinos e fiscalizem a zona económica exclusiva... Petroleiros à deriva deviam pagar imposto...

Anónimo 23.06.2017

"Empresas como a Trafigura e o Vitol Group têm alugado super-petroleiros com o objectivo de as usar como reservatórios flutuantes. "

Isto sim é muito preocupante....

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