Banca & Finanças Exposição ao imobiliário vai merecer atenção especial do BCE em 2018

Exposição ao imobiliário vai merecer atenção especial do BCE em 2018

Quando olhar para os bancos, no próximo ano, o BCE e as autoridades de supervisão nacionais vão tomar especial atenção às práticas de gestão e de valorização de garantias bancárias.
Exposição ao imobiliário vai merecer atenção especial do BCE em 2018
Peti Kollanyi/Bloomberg
Diogo Cavaleiro 18 de dezembro de 2017 às 15:31

O Banco Central Europeu vai, no próximo ano, dar uma atenção especial à exposição dos bancos ao imobiliário. Contudo, esta é apenas uma parte de uma das quatro prioridades de supervisão em 2018.

 

"A concentração das exposições dos bancos a determinadas classes de activos continua a merecer a atenção da supervisão", assinala o comunicado em que são enunciadas as prioridades prudenciais a nível do Mecanismo Único de Supervisão (que junta o Banco Central Europeu e as autoridades nacionais como o Banco de Portugal) em 2018. Este ano, o imobiliário está na calha. 

 

No ano passado, a supervisão bancária europeia tinha já enunciado a investigação a concentrações excessivas de risco e crédito nomeadamente nos empréstimos para a compra e ‘leasing’ de navios, numa abordagem em que combinava elementos de inspecção no local e análise remota. Este ano, na definição das metas a cumprir em 2018, está previsto que, "com o tempo, o método de supervisão que combina actividades remotas e no local, adoptado de forma eficaz para as carteiras de empréstimos do sector dos transportes marítimos, seja aplicado a outras classes de activos, tais como bens imóveis".

 

"A atenção da supervisão centrar-se-á ainda nas práticas de gestão e valorização de garantias seguidas pelas instituições de crédito", concretiza, ainda, o documento tornado público esta segunda-feira, 18 de Dezembro.

O olhar para a exposição ao mercado imobiliário acontece numa altura em que o Banco de Portugal acredita não ter indícios de que, em Portugal, haja uma bolha, como deixou escrito no seu relatório de estabilidade financeira. 

 

Esta questão insere-se no risco de crédito, um dos quatro domínios prioritários na supervisão do próximo ano (como era já em 2017). Um dos aspectos que também é incluído neste ponto é a carteira de créditos malparados, estando em cima da mesa o "exame" às estratégias que têm sido seguidas pelos bancos. Neste campo, cada instituição tem o seu plano de redução sendo que, em Portugal, a CGD, o BCP e o Novo Banco uniram-se para criar uma plataforma que assuma a gestão de algumas dos credores que têm em comum.

 

Outra prioridade é a dos modelos de negócio, e os motores de rentabilidade num contexto de reduzidas taxas de juro (que impedem o crescimento da margem financeira, base do negócio bancário), onde o BCE quer dar "seguimento a dar à análise de sensibilidade ao risco de taxa de juro da carteira bancária".

A supervisão referida pelo BCE é a concretizada ao nível do Mecanismo Único de Supervisão, em que Frankfurt olha directamente para as grandes instituições de crédito (em Portugal são CGD, BCP, BPI e Novo Banco) e indirectamente, por intermédio do Banco de Portugal, para as de menor dimensão. 

 

O Brexit

 

A gestão de risco é outro dos temas em cima da mesa na supervisão do BCE, instituição liderada por Mario Draghi e que conta com Vítor Constâncio na vice-presidência, estando previsto o estudo do impacto da introdução da nova norma contabilística, conhecida por IFRS9, que vai modificar a forma de cálculo das imparidades nas instituições financeiras. "Neste aspecto, as equipas conjuntas de supervisão prosseguirão a monitorização e as actividades de seguimento junto das instituições de crédito".

 

O quarto domínio da supervisão prudencial a cargo do BCE em 2018 passa por outras dimensões do risco, em que a saída do Reino Unido da União Europeia está em destaque, nomeadamente pela exigência de diálogo adicional com as instituições de crédito.

Haverá, também, novos testes de esforço (testes de stress) a cargo da Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla inglesa) e do BCE aos maiores bancos da União Europeia, que serão tidos em conta nas avaliações para fins de supervisão que são feitas individualmente, o chamado SREP – supervisory review and evaluation process.




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Anónimo Há 4 semanas

too late baby

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