Desporto Fábrica de Ronaldos: Portugal ganha milhões a exportar talentos

Fábrica de Ronaldos: Portugal ganha milhões a exportar talentos

Sob o céu azul português sem nuvens, em relvados verdes imaculados, é grande a pressão para produzir a próxima exportação multimilionária.
Fábrica de Ronaldos: Portugal ganha milhões a exportar talentos
Juan Medina
Bloomberg 01 de julho de 2017 às 15:00

Os campos de treino de futebol dos grandes rivais Benfica e Sporting, em Lisboa, são representantes de uma fábrica futebolística que se transformou na mais influente deste mercado de jogadores no valor de cinco mil milhões de dólares (4,37 mil milhões de euros). E Portugal tem uma influência desproporcional no desporto graças à sua capacidade de formar talentos.

 

Logo após a abertura, no mês de Junho, da janela de transferências em Inglaterra, a liga mais rica da Europa, equipas e jogadores portugueses estiveram envolvidos nalgumas das transacções mais chamativas. Quatro atletas mudaram de clube por um valor combinado de 160 milhões de euros, onde se inclui a compra de Ederson, do Benfica, pelo Manchester City a um preço que transforma o jogador de 23 anos no guarda-redes mais caro da Premier League.

 

"As pessoas sabem que os nossos jogadores não serão baratos porque temos um bom histórico", diz o administrador executivo do Benfica, Domingos Soares de Oliveira. "Quando nós os vendemos, queremos que sejam bem sucedidos. Se um jogador fracassa depois de o vendermos, isso afecta nossa marca", acrescenta.

 

Simplificando, as equipas portuguesas formam atletas para as ligas mais lucrativas do desporto mais rico do mundo. Isso rende ao país uma fatia das riquezas do futebol global. E as equipas usam esse dinheiro para manter a linha de produção em funcionamento e corrigir as finanças impactadas pelo legado de dívidas e má gestão, algo muito comum no futebol europeu.

 

Juntamente com o FC Porto, os três principais clubes de Portugal venderam quase mil milhões de dólares (875 mil euros) em talentos, nos últimos seis anos, a equipas de outros países.

 

Portugal exportou o melhor jogador europeu da actualidade - Cristiano Ronaldo, do Real Madrid - e um dos treinadores com melhor palmarés - José Mourinho, do Manchester United. E a selecção portuguesa foi campeã europeia de futebol, com uma vitória sobre a França, no ano passado. O país também tem o agente mais destacado, Jorge Mendes, conhecido em toda a Europa por uma rede de contactos que gerou centenas de milhões de euros em transacções no futebol.

 

"Em comparação com alguns clubes grandes, não temos dinheiro suficiente para comprar alguns jogadores, por isso temos que formar os nossos próprios atletas", explica Nuno Gomes, ex-jogador e actualmente director do centro de treinos do Benfica, no Seixal. "Investimos muito nessa área específica".

 

A esperança é que um dia os clubes portugueses possam manter os jogadores por mais tempo para tentarem igualar o nível dos maiores clubes da Europa. Na realidade, apesar de Portugal ter uma influência desproporcional, há poucas possibilidades de o país eliminar a diferença em relação às grandes ligas, que recebem a maior fatia das receitas do continente com direitos de TV e merchandising.

 

"O nosso objectivo é encontrar uma maneira de ter sustentabilidade económica para recusar ofertas", segundo Nuno Gomes. "De momento ainda não chegámos a esse nível. Espero que no futuro isso seja possível".




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