Indústria Fabricante das Havaianas foi vendida por mais de 950 milhões de euros

Fabricante das Havaianas foi vendida por mais de 950 milhões de euros

A Alpargatas, dona da marca havaianas, foi vendida por mais de 950 milhões de euros à holding de investimento do banco Itaú e à Cambuhy/Brasil Warrant. Durante o fim-de-semana, surgiram já notícias que davam conta que operação estava em curso.
Fabricante das Havaianas foi vendida por mais de 950 milhões de euros
Luís Manuel Neves/Cofina
Negócios 13 de julho de 2017 às 12:03

O grupo J&F vendeu uma participação maioritária na Alpargatas, dona da Havaianas, por 1,1 mil milhões de dólares (mais de 961 milhões de euros no câmbio actual), aponta a BBC. Os novos donos da fabricante da Havaianas são, de acordo com o jornal Estadão, Itaúsa (holding de investimentos do Itaú) e Cambuhy/Brasil Warrant (braços de investimento da família Moreira Salles).

De acordo com a mesma fonte, este negócio foi levado a cabo devido à necessidade J&F angariar capital para fazer face às obrigações que tem resultantes do acordo assinado entre os irmãos Joesley e Wesley Batista, com o Ministério Público Federal.

Surgiram notícias durante o último fim-de-semana que indicavam que assim que as duas "holdings" de investimento ligadas às famílias que controlam o banco Itaú Unibanco poderiam ficar com uma participação maioritária na Alpargatas, SA.

Segundo avançava a Reuters, os termos do acordo poderiam ficar fechados durante esta semana, altura em que terminava o acordo de confidencialidade assinado entre a Cambuhy – um dos fundos que deverão avançar com a compra em conjunto com o Itaúsa – com a J&F Investimento, da família Batista, que detém 86% da Alpargatas e que, segundo a mesma notícia da agência noticiosa, tem de arranjar 10,3 mil milhões de reais (2,7 mil milhões de euros) para pagar uma multa de clemência no processo em que assumiu ter subornado quase 1.900 políticos.

O Estadão, citando fontes, aponta precisamente que o negócio podia ter sido concluído durante o último fim-de-semana. Mas foi adiado porque o Itaúsa e Cambuhy/Brasil Warrant queriam, em termos jurídicos, mais garantias para dar luz verde à operação. Esta necessidade de garantias adicionais prende-se com o facto de os agora ex-donos da Alpargatas estarem envolvidos na crise política que assola o Brasil.

A J&F comprou o controlo da Alpargatas à Camargo Corrêa em 2015, tendo desembolsado, então, 2,61 mil milhões de reais, mas entretanto vendeu algumas acções.

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No final de Maio, a Bloomberg escrevia que por não ser um dos activos core do grupo J&F Investimentos, a Alpargatas, fabricante dos versáteis chinelos de borracha, deverá ser uma das primeiras a ser colocada à venda se a sua holding precisar de dinheiro rapidamente, agora que os accionistas que controlam a empresa admitiram ter pago subornos. Não seria a primeira vez. A última dona da companhia - a construtora Camargo Corrêa – colocou-a à venda há menos de dois anos exactamente pelo mesmo motivo.

 

Apesar da maré de azar, a Alpargatas é bem gerida e um novo dono pode ser exactamente o que a empresa precisa para finalmente virar a página, afirmou Gustavo Gato, gestor da Explorador Capital Management, que tem acções da Alpargatas entre os seus activos. Apesar de as Havaianas estarem no topo das fabricantes de chinelos de dedos, com um par encrustado de cristais Swarovski vendido por 70 dólares na Saks Fifth Avenue, por exemplo, as acções da companhia são negociadas a apenas 12 vezes o seu lucro estimado para 12 meses, contra uma mediana de quase 19 vezes registada por 100 pares mundiais. A companhia é presidida por Márcio Utsch.

 

Para os investidores, o escândalo na J&F gerou um grande ruído que tem prejudicado as acções, salientou Gustavo Gato. "A Alpargatas tem um dos melhores gestores da indústria, do sector. Uma empresa incrível com uma marca incrível e é por isso que numa altura de crise se consegue encontrar um comprador."




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