Start-ups Feedzai vende mais de 32 milhões e “pisca o olho” ao talento português lá fora

Feedzai vende mais de 32 milhões e “pisca o olho” ao talento português lá fora

A empresa de Coimbra, que combate a fraude em pagamentos, realizou vendas superiores a 32 milhões de euros em 2016. Nos próximos anos, a empresa admite que vai contratar mais 200 pessoas, mais de 100 em Portugal. Entretanto, anda a “piscar o olho” aos portugueses que partiram para o estrangeiro.
Feedzai vende mais de 32 milhões e “pisca o olho” ao talento português lá fora
Sara Matos
Ana Laranjeiro 14 de março de 2017 às 10:30

A Feedzai é uma start-up nacional que tem a sua sede em Coimbra e que opera no âmbito do combate à fraude nos pagamentos. No ano de 2016, realizou vendas no valor de 35 milhões de dólares (mais de 32 milhões de euros). Os contratos fechados pela empresa superaram a barreira dos 130 milhões de dólares (mais de 121 milhões de euros) o que reflecte "um crescimento superior a 100% face a 2015", de acordo com o comunicado.

Questionado pelo Negócios sobre a situação financeira da empresa, Nuno Sebastião, CEO, refere que "nos últimos anos a Feedzai tem tido como objectivo principal o crescimento e expansão em mercados chave mas sempre de uma forma responsável". "Devido a esta abordagem, a Feedzai conseguiu atingir os seus objectivos de crescimento e apresentar lucros em 2015 e 2016, embora este não seja um objectivo principal".

A Feedzai terminou o ano de 2016 como 150 funcionários, mais 70 que no ano anterior. Contudo, a empresa assume que pretendia alcançar a barreira dos 175 trabalhadores, algo que não aconteceu porque não encontraram as "pessoas certas". A empresa prepara-se agora para despender 700 mil dólares (mais de 655 mil euros) na formação de colaboradores.

Nuno Sebastião reconhece, em declarações por escrito ao Negócios, que este investimento na formação deve-se ao facto de o mercado não ter especialistas em número necessário e ser preciso procurar em outras áreas para, depois, formá-los. "É extremamente difícil recrutar talento ao nível que pretendemos na Feedzai e não existe talento suficiente quer no mercado global quer em Portugal, devido [ao facto de] trabalharmos em tecnologias emergentes (Machine Learning e Inteligência Artificial). A título de exemplo, para uma posição de Data Scientist em Portugal, de uma lista de cerca de 800 candidatos contratamos 1".

Dada a escassez de especialistas na área de Data Science e Machine Learning, o responsável assume que a empresa começou a "piscar o olho" aos portugueses que emigraram. "Por forma a mitigar esta escassez estamos a abordar e a conseguir trazer de volta a Portugal pessoas que tinham deixado o país nos últimos anos e estavam em organizações como Airbus ou Universidade de Cambridge. Realizamos também pela primeira vez em Portugal, no verão passado, estágios de estudantes da Universidade de Stanford", conta Nuno Sebastião.

Ainda em matéria de recursos humanos, o CEO da Feedzai assume que, nos próximos anos, querem juntar 200 novos profissionais à equipa. E "cerca de 115" vão ser em território nacional "distribuídos entre Engenharia, Data Science e suporte ao cliente".

De Coimbra para o mundo


Em 2015, Nuno Sebastião contava ao Negócios que ele e os seus dois co-fundadores conheciam-se há mais de uma década.
Os percursos de cada um nem sempre estiveram interligados. Mas o contacto manteve-se e acabou por estar na origem da criação da Feedzai. Cada um seguiu o seu percurso. Nuno Sebastião chegou a formar uma empresa na Alemanha com outro empreendedor português, que foi vendida a uma companhia portuguesa. Em 2009, o actual CEO da Feedzai estava na Agência Espacial Europeia, na Alemanha, mas tinha vontade de sair. Falou com os dois amigos e apresentou-lhes uma proposta: se conseguissem angariar financiamento, "vamos pegar na vossa tecnologia e levar isso a um produto". "Era uma tecnologia que o Pedro Bizarro tinha desenvolvido no doutoramento. Fizemos isso. Começámos com financiamento do QREN", explica.

 

Desde então muita coisa mudou. Em 2015, levantaram uma ronda de financiamento de 17,5 milhões de dólares e no ano passado voltaram a obter financiamento da Citi Ventures "teve como principal objectivo suportar a expansão das ofertas da empresa de Inteligência Artificial em novas geografias, nomeadamente na Ásia-Pacífico".

Tanto no ano passado, como em 2017, a Feedzai integrou a lista da Tech Tour Growth 50, ranking que destaca as empresas de maior potencial e crescimento na Europa.


Na altura, Nuno Sebastião dizia ao Negócios que estar nesta lista pelo segundo ano era "o reconhecimento do trabalho que a equipa tem vindo a concretizar ao longo dos anos, e é também a prova que a grande tecnologia pode transcender fronteiras geográficas".


"A Feedzai é, com orgulho, uma empresa portuguesa que conta com grandes clientes em todos os continentes, entre eles alguns dos maiores bancos em todo o mundo. Acreditamos que estamos no caminho certo e que os próximos anos serão de crescimento e sucesso contínuo".




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comentários mais recentes
Anónimo 14.03.2017

Com os ordenados miseráveis que pagam vais ser difícil atrair talento português no estrangeiro..

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