Banca & Finanças Fidelidade compra acções aos administradores da Luz Saúde ao dobro do preço de mercado

Fidelidade compra acções aos administradores da Luz Saúde ao dobro do preço de mercado

A seguradora da Fosun gastou 2,3 milhões de euros para reforçar a sua posição desde o início de 2015. Este ano, a Fidelidade comprou as acções da dona do Hospital da Luz que estavam nas mãos dos administradores.
Fidelidade compra acções aos administradores da Luz Saúde ao dobro do preço de mercado
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 10 de Outubro de 2016 às 14:28

Foi a Fidelidade que comprou as acções dos administradores da Luz Saúde que foram alienadas em Julho passado. As transacções, feitas a 4,80 euros fora de mercado regulamentado, já tinham sido anunciadas. Só agora se soube que a seguradora, que controla a empresa que presta cuidados de saúde privados, foi a compradora.

 

Isabel Vaz, a CEO da empresa, João Novais, Tomás Branquinho e Ivo Antão venderam 340 mil acções da Luz Saúde. Sabe-se isso desde 12 de Julho quando a antiga empresa do Grupo Espírito Santo o anunciou ao mercado. Agora, com base num comunicado da mesma empresa, percebe-se que foi a Fidelidade que adquiriu aqueles títulos a 8 de Julho.

 

A operação foi feita fora de mercado regulamentado, isto é, fora de bolsa. As acções foram compradas a 4,80 euros e, com estas transacções, os compradores ficaram sem títulos da Luz Saúde. O investimento custou 1,6 milhões de euros à Fidelidade, companhia seguradora que pertence à Fosun (grupo chinês que está a negociar a entrada no capital do BCP onde poderá ficar como maior accionista do banco).

 

Metade dos títulos alienados em Julho pelos administradores tinham sido atribuídos gratuitamente a cada um destes quatro membros da comissão executiva da Luz Saúde no primeiro trimestre de 2016 "no âmbito do programa de remuneração com base em acções aprovado em sede de assembleia-geral".


As alienações foram concretizadas a 4,80 euros. O valor encontra-se 4,4% abaixo do preço pago na oferta pública de aquisição pela Fidelidade (5,01 euros), em Outubro de 2014, mas é mais do dobro dos 2,30 euros que as acções da Luz Saúde valiam em bolsa a 12 de Julho, dia do anúncio à CMVM.

 

Fidelidade gasta 2,3 milhões no reforço

 

Com esta operação fora de bolsa, a Fidelidade ganhou ainda mais controlo sobre uma empresa que é sua desde Outubro de 2014, quando venceu a oferta pública de aquisição lançada naquela altura. Aí, ficou com 96,12157% pagando 459,8 milhões de euros. Desde então, tem havido algum reforço da posição, dispondo agora de 98,7% do capital. 

 

Isto porque, além das compras dos títulos na posse dos administradores, houve mais aquisições: de 9 de Fevereiro de 2015 a 16 de Setembro de 2016, foram compradas pela seguradora sob o comando de Magalhães Correia mais de 520 mil acções representativas do capital da Luz Saúde. Ao todo, e incluindo o investimento com a compra aos administradores, a Fidelidade gastou mais de 2,3 milhões de euros, segundo cálculos feitos pelo Negócios.

 

As transacções foram feitas em mercado regulamentado, a Bolsa de Lisboa gerida pela Euronext, e fora de bolsa (negócios directos entre comprador e vendedor). Normalmente, os preços fora de bolsa são mais dispendiosos. Por exemplo, entre 8 de Julho (dia da compra fora de mercado aos administradores a 4,80 euros) e 16 de Setembro, houve várias aquisições em bolsa. E, aí, os preços oscilaram entre 2,16 e 2,470 euros. Metade do valor pago à equipa de Isabel Vaz.

Ainda não foi possível obter uma reacção por parte da Fidelidade. Em Julho, a Luz Saúde não fez comentários sobre a operação. 

 

Uma acção sem movimentação

 

A Luz Saúde é, neste momento, uma cotada com uma liquidez muito reduzida na Bolsa de Lisboa tendo em conta a diminuta porção do seu capital que está dispersa por pequenos accionistas. Dada a reduzida liquidez, qualquer transacção causa sempre grandes flutuações. Isto quando há negociação.

 

Esta segunda-feira, 10 de Outubro, as acções ainda não negociaram. Não transaccionam desde 29 de Setembro, dia em que ficaram nos 2,13 euros por acção.




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comentários mais recentes
Estou fora mas percebo a jogada Há 3 semanas

Como de costume não haverá dividendos apesar de ter lucros, porque decidem que os mesmos serão para expansão do grupo, levando os accionistas minoritários a venderem e a perder bastante. Como é CMVM? assim é que é defender o pequeno acionista?

Anónimo Há 3 semanas

Este género de coisas só mm em Portugal é que acontece. Nunca mais ouvi falar de uma ação popular interposta por pequenos investidores que foram linchados pelos chineses com a ajuda da cmvm... Roubar em Portugal compensa!

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