Banca & Finanças Fidelidade justifica compra de acções à gestão da Luz Saúde com compromisso antigo

Fidelidade justifica compra de acções à gestão da Luz Saúde com compromisso antigo

A seguradora da Fosun comprou acções da Luz Saúde aos seus administradores a um preço que era praticamente o dobro do praticado no mercado. A Fidelidade defende que tal já estava acordado. E diz que o preço foi inferior ao da OPA.
Fidelidade justifica compra de acções à gestão da Luz Saúde com compromisso antigo
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 12 de outubro de 2016 às 19:30

A Fidelidade defende que a compra, ao dobro do preço de mercado, das acções dos administradores da empresa da Luz Saúde, de que a seguradora é a principal accionista, era um compromisso assumido antes daquelas transacções. 

 

"A compra, em Julho de 2016, das acções detidas pelos administradores executivos da Luz Saúde foi feita em cumprimento de compromissos anteriormente assumidos", responde ao Negócios a seguradora presidida por Jorge Magalhães Correia, sem adiantar contudo que compromissos são esses ou em que data foram assumidos.

 

Isabel Vaz, a CEO da Luz Saúde, e mais três administradores, João Novais, Tomás Branquinho e Ivo Antão, venderam 340 mil acções da empresa que detém o Hospital da Luz. A operação foi feita fora de mercado regulamentado, isto é, fora de bolsa. As acções foram compradas pela Fidelidade a 8 de Julho e a 4,80 euros por acção. Com estas transacções, os administradores ficaram sem títulos da Luz Saúde.

 

O preço de 4,80 euros compara com os 2,75 euros a que os títulos transaccionavam em bolsa a 8 de Julho. O investimento, na altura, custou 1,6 milhões de euros à Fidelidade.

 

Ao Negócios, a companhia seguradora frisa que o preço de 4,80 euros por cada acção dos gestores da Luz Saúde é "inferior ao preço aplicado na OPA realizada em finais de 2014". Em Outubro daquele ano, a seguradora, já nas mãos dos chineses da Fosun, ganhou a corrida pela Luz Saúde pela qual pagou 5,01 euros por acção. Foi aí que a antiga Espírito Santo Saúde, pertença do GES, transitou para o grupo segurador que antes pertencia à Caixa Geral de Depósitos.

 

A seguradora controla, depois destas compras aos gestores e a outras aquisições de títulos no mercado, 98,7% do capital da Luz Saúde.


Uma acção sem movimentação

 

A Luz Saúde é, neste momento, uma cotada com uma liquidez muito reduzida na Bolsa de Lisboa tendo em conta a diminuta porção do seu capital que está dispersa por pequenos accionistas. Dada a reduzida liquidez, qualquer transacção causa sempre grandes flutuações. Isto quando há negociação.

 

Esta quarta-feira, 12 de Outubro, as acções voltaram a não negociar. Não transaccionam desde 29 de Setembro, dia em que ficaram nos 2,13 euros por acção.


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comentários mais recentes
Anónimo 13.10.2016

É uma manobra para fugir ao fisco: Como foi a Fidelidade a comprar as açoes as mais-valias dos administradores da Luz Saúde são tributadas somente a 28% enquanto se fosse como trabalho dependente iam lá para os 40%!
É matéria para a nossa AT investigar

Anónimo 12.10.2016

Então J.Negócios? Esqueceram-se de referir a ilegalidade cometida pela Fidelidade com a recusa de alienação potestativa a investidores minoritários?!

Carlos Pinto 12.10.2016

No mínimo, vergonhoso! triste país este!

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