Indústria França nacionaliza um dos maiores estaleiros navais da Europa

França nacionaliza um dos maiores estaleiros navais da Europa

A passagem para a esfera pública acontece depois da recusa de Roma em dividir o capital da dona dos estaleiros Saint-Nazaire com Paris. O ministro da Economia quer ganhar tempo para revender o equipamento em melhores condições.
França nacionaliza um dos maiores estaleiros navais da Europa
Reuters
Paulo Zacarias Gomes 27 de julho de 2017 às 15:48
O Governo francês anunciou a nacionalização temporária da STX France, a empresa que gere os estaleiros navais de Saint-Nazaire, depois de as autoridades italianas se terem oposto à divisão equitativa do capital da empresa entre Paris e a empresa italiana Fincantieri.

A decisão de passar para a esfera pública um dos maiores equipamentos do género da Europa foi transmitida pelo ministro da Economia, Bruno Le Maire (na foto), com o argumento de que a medida "defende os interesses estratégicos de França".

O grupo italiano Fincantieri (controlado indirectamente pelo Estado) tinha anunciado em Maio o controlo da STX France, depois de comprar por 79,5 milhões de euros 67% do capital da empresa francesa no âmbito do processo de leilão de activos da STX, a empresa sul-coreana declarada insolvente.

Os restantes cerca de 33% estão nas mãos do Estado francês, que com a decisão de venda tinham a opção de exercer o direito de preferência, até às 00:00 desta sexta-feira, e retomar o controlo da companhia, o que agora aconteceu.

A nacionalização do estaleiro, onde foi construído o maior cruzeiro do mundo, o Harmony of The Seas (ver fotogaleria em baixo), vai custar cerca de 80 milhões de euros ao Estado, refere o jornal Le Figaro. 

A operação é temporária, já que o ministro considera que o Estado francês não tem vocação para gerir este activo, permitindo ganhar tempo para negociar "nas melhores condições possíveis" uma futura alienação.

"Os estaleiros de Saint-Nazaire são um equipamento industrial único em França. Nós queremos garantir aos trabalhadores, mas também à região, aos clientes, aos subcontratados, a todos os franceses, que as competências excepcionais dos estaleiros em termos de construção permanecerão em França," disse Le Maire.

Na quarta-feira, Paris tinha lançado um ultimato a Roma, instando a que aceitassem dividir, a 50%-50%, a empresa entre capital de França e Itália. Mas o ministro das Finanças de Itália, Pier Carlo Padoan, afirmou não ver razão para que a Fincantieri renuncie à maioria e ao controlo da empresa.

Le Maire irá a Roma na próxima terça-feira para tentar uma vez mais um "acordo satisfatório para ambas as partes", mantendo em cima da mesa a solução 50-50. 

A STX France emprega directamente 2.700 pessoas a que se juntam mais 5.000 subcontratados.

Segundo informações no site da empresa, a Fincantieri emprega 19.200 pessoas, 7.900 das quais em Itália, detendo 20 estaleiros em quatro continentes. As acções da empresa em Milão caem 3,91% para 3,922 euros.

A Fincantieri é detida a 71,6% pela Fintecna S.p.A., cujo capital é integralmente detido pela Cassa depositi e prestiti S.p.A. Esta instituição é, por sua vez, controlada pelo Estado italiano, que detém 82,8% do seu capital.

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comentários mais recentes
Nacionalizar? 27.07.2017

Uma festa para os sindicatos e uma nova Lisnave a caminho? Boa! Os chinocas nem precisam comprar. Basta montarem uma lá na sua terra

Anónimo 27.07.2017

Queria ver se fosse o Jerónimo de Sousa a encontrar esta solução ... os reaccionários não faltariam a denegrir o trabalho feito...

Mr.Tuga 27.07.2017

Estes não são IGNOBEIS como os tugas!
Não vendem ao desbarato a chinocas.....

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