Empresas General Electric vai cortar 12 mil postos de trabalho, 200 em Setúbal

General Electric vai cortar 12 mil postos de trabalho, 200 em Setúbal

A General Electric (GE) prepara-se para reduzir cerca de 200 postos de trabalho em Setúbal no âmbito de uma reestruturação do seu negócio de energia na Europa e que terá impacto em Portugal, anunciou hoje a empresa. Em termos globais, a empresa quer cortar 12 mil postos de trabalho.
General Electric vai cortar 12 mil postos de trabalho, 200 em Setúbal
REUTERS
Negócios com Lusa 07 de dezembro de 2017 às 12:45

A General Electric prepara-se para avançar com um corte de 12 mil postos de trabalho, um plano através do qual pretender reduzir os custos operacionais e estabilizar a empresa. Esta redução de psotos de trabalho representa um corte de certa de 18% na força de trabalho (mão-de-obra) da GE Power, segundo revelou esta quinta-feira, 7 de Dezembro, a gigante norte-americana.

Com este plano a GE pretende alcançar o objectivo de reduzir em mil milhões de dólares os custos operacionais da empresa ao longo do próximo ano. Faz ainda parte do objectivo global que passa por reduzir em 3,5 mil milhões de dólares os custos gerais da eléctrica. No final do ano passado, a GE detinha cerca de 300 mil funcionários nas diversas unidades operacionais espalhadas por todo o globo. 

Portugal também será afectado. No comunicado já referido, a General Electric - que iniciou hoje um processo de consulta com os representantes dos trabalhadores europeus - diz que, "em Portugal, no quadro da proposta apresentada antecipa-se um impacto, principalmente, nas actividades da unidade de Setúbal, incluindo uma redução de cerca de 200 postos de trabalho".

 

"Este processo resulta das condições de mercado e do impacto significativo que têm tido na actividade da General Electric, nomeadamente a queda substancial, em todos os países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico], da procura por novas unidades de produção termoeléctrica de energia", justifica.

Neste contexto, continua, "a deterioração do mercado e a incerteza sobre o futuro das políticas climáticas também levaram os nossos clientes a reduzir consideravelmente os seus investimentos".

 

A empresa diz que o anúncio de hoje é motivado pelos desafios que o mercado energético mundial enfrenta.

 

"Os mercados tradicionais de energia, incluindo o gás e o carvão, abrandaram. O volume de negócio baixou significativamente em produtos e serviços. Esta situação é motivada pelo excesso de capacidade existente, por uma utilização mais reduzida, pelo decréscimo de quebras, pelo aumento do fecho de centrais de vapor e pelo crescimento geral nas energias renováveis", refere.

 

Perante esta conjuntura, e de forma a recuperar competitividade, a GE Power "tem de proceder a um corte substancial dos custos nos seus negócios", acrescenta.

 

"Estas propostas não se fazem de ânimo leve e entendemos que este anúncio será difícil para muitas pessoas. Acreditamos que estas mudanças são necessárias para garantir que a General Electric permaneça competitiva, assegurando o futuro do negócio da energia", justifica o director de recursos humanos da GE Portugal, Pedro Estrela, citado no comunicado enviado.

 

O mesmo responsável acrescenta que as propostas foram partilhadas com os representantes sindicais e será iniciado um período de consulta "antes de ser tomada qualquer decisão definitiva".

 

"A proposta apresentada foi concebida como resposta à evolução das condições de mercado, tendo em conta a estagnação global do negócio de energia, nomeadamente em regiões como a Europa Ocidental que registam um declínio acentuado", sublinha Pedro Estrela.




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comentários mais recentes
pertinaz Há 4 dias

EXEMPLO A SEGUIR NA FUNÇÃO PÚBLICA...

Anónimo Há 4 dias

O Jornal de Negócios, enquanto órgão de informação económica com notabilidade a nível nacional, que insista na pedagogia e no esclarecimento cabal em relação ás inevitáveis transformações urgentes que se impõem nas economias mais avançadas, às quais a portuguesa, por mais capturada e mal orientada que se afigure, não estará imune se quiser permanecer no chamado Primeiro Mundo. Na Holanda as organizações não dão guarida ao excedentarismo sindicalizado de carreira que atrasa o mais económico e eficiente progresso tecnológico, obstaculiza a justiça social, impede a sustentabilidade do Estado e enfraquece a economia por via do entorpecimento do empreendedorismo, do investimento reprodutivo e da capacidade de inovação. "Fewer people and more technology – that is the plan just announced by ING. The largest financial services company in the Netherlands is getting rid of 7,000 positions." http://www.euronews.com/2016/10/03/netherlands-bank-ing-to-cut-7000-jobs-in-digital-quest

Anónimo Há 4 dias

A empresa pública de correios sueco-dinamarquesa Postnord decidiu em Março de 2017 despedir 4 mil excedentários cujo posto de trabalho já não se justificava naquela organização do sector público escandinavo. Naquela região nórdica os direitos sindicais adquiridos não se sobrepõem aos dos contribuintes e cidadãos em geral. É 1º Mundo onde não reinam a iniquidade e a insustentabilidade. Despedem excedentários, extinguem postos de trabalho que já não se justificam, adoptam as melhores práticas e tecnologias. A economia é robusta, cria valor e enriquece, a sociedade é justa, equilibrada e feliz. "Postnord to cut up to 4,000 jobs in Denmark" www.reuters.com/article/postnord-jobs-idUSL5N1GL4QG

Anónimo Há 4 dias

Atentem num exemplo muito objectivo que nos chega da Dinamarca, economia escandinava onde existe ensino gratuito universal de inegável qualidade e os direitos adquiridos não se sobrepõem aos dos outros agentes económicos. "Universidade de Copenhaga despede 209 colaboradores, 255 rescindem voluntariamente" (Fevereiro de 2016) "University of Copenhagen fires 209 staff, 255 leave voluntarily" https://uniavisen.dk/en/university-of-copenhagen-fires-209-staff-255-leave-voluntarily/

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