Empresas Gestores portugueses faltam pouco e motivam-se mais nas crises

Gestores portugueses faltam pouco e motivam-se mais nas crises

Só os britânicos têm uma assiduidade mais elevada, segundo um barómetro europeu de absentismo e compromisso, que mostra que os portugueses são os únicos com maior "mobilização" nas fases difíceis que nas de crescimento.
Gestores portugueses faltam pouco e motivam-se mais nas crises
Bloomberg
António Larguesa 18 de setembro de 2017 às 15:41

Os gestores portugueses do sector privado estão entre os que menos faltam ao trabalho nos mercados europeus – só os britânicos têm uma taxa de assiduidade superior –, com 76% a assegurarem que este ano trabalharam em "todos os dias em que isso estava previsto".

 

Este resultado, que representa uma percentagem 10% superior à média europeia, surge no Barómetro do Absentismo e do Compromisso da Ayming, realizado junto de 2.843 profissionais em oito países. Ainda assim, entre os poucos quadros portugueses que admitem ter faltado, 72% fizeram-no por motivos pessoais, que abrange as questões de saúde pessoal ou de familiares.

 

Apesar de não serem tão felizes no trabalho quanto a média dos congéneres europeus (81% contra 86%, respectivamente), os gestores portugueses afirmam-se mais "mobilizados para o futuro da empresa" do que no conjunto das respostas obtidas também na Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Itália, Holanda e Reino Unido. E o grau de compromisso deles até é maior quando as suas empresas enfrentam situações de crise.

 

Esse é mesmo um desfecho inédito no conjunto dos países abrangidos por este estudo, realizado em 2017 pela Kantar TNS. Entre os 305 portugueses que responderam, 85% sustentou sentir-se mobilizado nos momentos mais difíceis para a empresa – contrasta com os 64% de europeus motivados num contexto de maiores dificuldades –, sendo que a percentagem no caso português até baixa para 82% quando o negócio está a passar por uma fase de crescimento.

 

"Contribui também para a imagem de resiliência do ‘manager’ português o facto de ter agilidade e capacidade de mobilização, ainda que por vezes em situações em que sente lacunas nas ferramentas e formação disponibilizadas pelas empresas", destaca Nuno Tomás, director-geral da Ayming Portugal.

 

O consultor da antiga Alma Consulting, licenciado em Gestão pela Católica e mestre em Sistemas de Informação pelo ISEG, acrescentou numa nota de imprensa que, "havendo um ‘handicap’ a priori, é por iniciativa dos próprios ‘managers’ que essa limitação é ultrapassada, o que é revelador da sua pró-actividade neste âmbito."

 

Um estudo qualitativo apresentado em 2016 por esta consultora, presente em 16 países, mostrou que quase um em cada cinco (18%) directores de Recursos Humanos portugueses admitia não acompanhar a taxa de absentismo na empresa. Nuno Tomás frisou então que este era "um fenómeno em que, mesmo ao nível das próprias consequências e custos financeiros, as empresas não os calculam todos, pelo menos os indirectos".

 

"Por exemplo, nunca [estive] numa empresa que quantificasse todo o esforço de replaneamento por ausência de um colaborador, que pode aumentar exponencialmente conforme a dependência que tiver dele para a sua actividade económica. E é, de facto, um impacto", sublinhou o responsável da Ayming Portugal.




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Camponio da beira Há 4 dias

Excepto aqueles que dedicaram a vida toda à criminalidade de colarinho branco.

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