Construção Gonçalo Moura Martins: "Acreditamos na recuperação do investimento em África"
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Gonçalo Moura Martins: "Acreditamos na recuperação do investimento em África"

O presidente executivo da Mota-Engil reconhece que o plano estratégico do grupo para 2020 é "ambicioso". "O mercado mudou", afirma, para justificar o objectivo de actuar em todo o ciclo de infra-estruturas.
Gonçalo Moura Martins: "Acreditamos na recuperação do investimento em África"
Maria João Babo 14 de outubro de 2016 às 00:01

Em 2020, o objectivo traçado no plano  estratégico da Mota-Engil é ter um volume de negócios superior a 1.300 milhões de euros em cada uma das três regiões em que está presente.

A Mota-Engil  quer  ter um volume de negócios de 4 mil  milhões de euros em 2020, contando com a retoma das economias africanas e das "commodities". E se isso não se verificar?
O plano estratégico Step Up 2020 está suportado num modelo de projecção com um cenário que prevê uma taxa de crescimento anual agregado de 11%, próximo do ritmo de crescimento que tivemos antes da crise financeira internacional. É um plano ambicioso? É. Mas teria sempre de ser num grupo reconhecido por ser ambicioso, audaz na identificação de novos mercados, mas realista quanto à evolução da sua actividade. Não hipotecaremos nunca a rentabilidade em função de um crescimento que não seja gerador de valor.

Acredita na inversão da situação em África?
Acreditamos na recuperação do investimento público e privado em África aos níveis da potencialidade deste continente ainda muito influenciado pelas "commodities", sendo que actualmente estamos a recuperar a máximos de um ano na cotação de petróleo. O modelo assume total estabilidade cambial e que o crescimento tem sido prejudicado pela desvalorização da moeda dos mercados locais face à moeda de reporte, o euro. No último ano, o crescimento do México tem sido penalizado em 20% por este efeito.

A Mota-Engil quer expandir-se de construtora para empresa global especializada em infra-estruturas em 2020. Porquê?
O mercado mudou. Hoje exige-se às empresas que actuam no mercado global que tenham um conhecimento e uma capacidade que vai desde a concepção, construção, ao desenvolvimento da solução de financiamento dos projectos e a gestão e manutenção dos activos. Por esse facto, a Mota-Engil tem vindo a preparar-se para dar resposta aos clientes cada vez mais exigentes, porque só assim conseguimos competir com os melhores num mercado global com projectos de infra-estruturas de dimensão cada vez maior e mais exigentes do ponto de vista da engenharia e da própria gestão financeira. Hoje, as empresas capazes de actuar em todo o ciclo de infra-estruturas competem na primeira divisão internacional e posicionam-se onde a geração de valor é superior. Quem apenas é construtor, terá dificuldades de actuar nos mercados globais e estará sempre remetido a margens inferiores pelo menor aporte de valor no desenvolvimento da sua actividade.

cotacao As empresas capazes de actuar em todo o ciclo de infra--estruturas competem na primeira divisão internacional. gonçalo moura martins CEO da Mota-Engil

O grupo irá condicionar a entrada em novos mercados?
O objectivo será ter, em cada região, pelo menos dois mercados âncora de uma dimensão que permita mitigar o risco de redução de actividade em outros mercados, não comprometendo a estratégia aprovada de entrada em novos mercados.

As áreas dos resíduos e da energia podem vir a ter que peso para o grupo em 2020?
A área de resíduos terá o crescimento na medida do que venha a ser o aprofundamento do objectivo de internacionalização da EGF e da SUMA. Na energia, temos um enorme potencial de crescimento no México com a Generadora Fénix. Também aqui acreditamos poder existir sinergias entre a Fénix e a EGF na produção de energia no México através de tecnologias de "waste-to-energy" onde detemos "know-how" e capacidade de exportar conhecimento.

Além destas áreas há outros tipos de concessões de infra-estruturas em que o grupo pretenda alargar a actividade?
Continuaremos a marcar presença, nomeadamente na América Latina, no sector das concessões de infra-estruturas rodoviárias. No Ruanda temos um acordo para a construção e gestão de uma infra-estrutura aeroportuária por 25 anos, o que é revelador da capacidade do grupo em continuar a apostar nesta área, motivando sempre que se justifique a rotação de activos que permitam geração de valor para o grupo, à semelhança do realizado este ano com um cash-flow gerado proveniente de alienações que estará acima de 500 milhões de euros.

O grupo equaciona eventuais dispersões de capital de participadas?  
Não temos previsto qualquer operação nesse sentido.

A estratégia visa o equilíbrio entre as regiões em que está presente…
O equilíbrio do contributo de cada uma das regiões tem por base a perspectiva de crescimento a diferentes ritmos. Em 2020, pretendemos que cada região tenha aproximadamente o mesmo contributo em termos de volume de negócios com as margens operacionais históricas onde África é tradicionalmente a mais rentável. O objectivo será ter um volume de negócios superior a 1.300 milhões de euros para cada uma das regiões.


perfil Há 26 anos na Mota-Engil Gonçalo Moura Martins é desde 2013 presidente da comissão executiva da Mota-Engil, empresa onde ingressou como recém-licenciado em Direito a 1 de Janeiro de 1990. Nestes 26 anos de ligação ao grupo exerceu cargos em todas as áreas de negócio, tendo sido administrador desde os 32 anos. Liderou a Mota-Engil Ambiente e Serviços e a concessionária Ascendi, tendo assumido em 2012 o cargo de administrador financeiro. Foi também vice-presidente. Gonçalo Moura Martins sucedeu a Jorge Coelho como CEO do grupo, dando então continuidade  às ambições traçadas pelo plano estratégico "Ambição 2.0",  que traçou as metas para 2015.  Agora, tem para pôr em marcha o plano estratégico Step Up 2020, a que reconhece ambição.




Plano estratégico Mota-Engil traça meta de crescimento de 11% ao ano O plano estratégico Step Up 2020 prevê um maior equilíbrio entre as três regiões em que o grupo está presente, a concentração em projectos com escala e maior rentabilidade e enfoque nos resíduos e na energia.

Volume de negócios de quatro mil milhões
A Mota-Engil, que em 2015 registou um volume de negócios de 2,4 mil milhões de euros, tem como objectivo para 2020 atingir os 4 mil milhões de euros. Uma meta assumida no plano estratégico Step Up 2020 e que representa uma taxa de crescimento de 11% ao ano. Esse aumento do volume de negócios está, contudo, condicionado à verificação de um conjunto de condições como a retoma das economias africanas ou a recuperação do preço das "commodities". Entre os objectivos assumidos no plano conta-se ainda a geração de cash-flow acumulado no período 2016-2020 de mais de 1.000 milhões de euros.

Prioridade à redução da dívida
No documento, o grupo assume a prioridade de redução nominal da dívida líquida, que era de 1.455 milhões no final do ano passado, mas não avança valores. Além do reforço da estrutura de capitais, sublinha que "em 2020 a dívida líquida tentativamente deverá apenas financiar fundo de maneio, negócios não construção e participações financeiras em concessões de infra-estruturas".

Passar da construção às infra-estruturas
Ser uma "empresa global especializada em infra-estruturas, focada na geração de valor e em sustentabilidade" é a visão assumida pelo grupo no horizonte de 2020, o que passa por "expandir o negócio da construção para outros sectores de infra-estruturas e construção civil". A geração de cash-flow é um dos três pilares estratégicos, que passa designadamente pela maior selectividade de projectos e pelo desinvestimento em activos não estratégicos.

Projectos com escala e maior rentabilidade
O crescimento sustentável é o segundo pilar da estratégia do grupo, que passa por novas cadeias de valor de infra-estruturas, maior enfoque nos actuais mercados estratégicos, a concentração em projectos com escala e maior rentabilidade e maior foco nos negócios dos resíduos e energia. Já o terceiro pilar da estratégia é definido como risco controlado, o que passa pelo equilíbrio do peso das regiões em que o grupo está presente, assim como pela diversificação da base de clientes, fornecedores e fontes de financiamento.

Equilíbrio regional
O plano estratégico Step Up 2020 prevê um maior equilíbrio entre as três regiões em que o grupo está presente. Na Europa, as linhas de acção do grupo passam, entre outros, pelo reforço da área de resíduos e pela expansão selectiva e progressiva para novos mercados. Em África, o grupo quer apostar "em clientes de maior recorrência e menos dependentes da volatilidade típica dos mercados emergentes" e investir na formação de quadros locais. Já na América Latina a estratégia passa pelo alargamento do portefólio de negócios, nomeadamente o desenvolvimento de competências na produção de energia, pela entrada em negócios de infra-estruturas de maior recorrência e rentabilidade e pelo desenvolvimento de competências no negócio das concessões de infra-estruturas de transporte. 

Mais fontes de financiamento locais
A estratégia financeira até 2020, por seu lado, assenta em cinco pilares: alocação eficiente de capital, racionalização do investimento em meios de produção e optimização do fundo de maneio, fomento de parcerias financeiras de longo prazo, diversificação das fontes de financiamento e prioridade às fontes de financiamento local para gestão de tesouraria e liquidez.

Parcerias de mercado, negócio e financeiras
Para 2020 a Mota-Engil quer também reforçar parcerias. As parcerias de mercado com o aprofundamento das que já tem e desenvolvimento de novas. As parcerias de negócio, de forma a permitir a expansão na cadeia de valor das infra-estruturas. E as parcerias financeiras, para abordagem a projectos "greenfield" de concepção, construção e operação como a que teve com o Novo Banco.

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comentários mais recentes
Paula Porcas 14.10.2016

Outro verme a fazer-se as Camangas de Sangue Roubadas pela Preta dos Santos.

Desconfiado 14.10.2016

E eu acredito que as Vacas ate voam, e no pai natal na fatima e no palhaco que se poem em bicos de pes mentindo com a boca toda.

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