Tecnologias Google removeu 1,7 mil milhões de anúncios fraudulentos

Google removeu 1,7 mil milhões de anúncios fraudulentos

Em 2016 a tecnológica removeu o dobro de anúncios enganadores face a 2015. Mais de 68 milhões relativos a produtos ilegais de saúde e 5 milhões à promoção de empréstimos a curto prazo.
Google removeu 1,7 mil milhões de anúncios fraudulentos
Bloomberg / Reuters / Getty Images
Sara Ribeiro 25 de janeiro de 2017 às 16:28

Ao longo de 2016 a Google removeu 1,7 mil milhões de anúncios que violavam as políticas de publicidade, os chamados anúncios maus (bad ads). Um número que representa mais do dobro dos anúncios removidos em 2015.

Esta evolução deve-se à implementação de duas novas medidas no ano passado para tentar melhorar o combate a este tipo de anúncios, explica a Google em comunicado enviado esta quarta-feira, 25 de Janeiro.

Um dos passos foi a introdução, em Julho de 2016, de uma política para banir anúncios de empréstimos de curto prazo que, "normalmente resultam em pagamentos inacessíveis e com elevadas taxas de juro", explicou Scott Spencer, responsável da Google por esta área.

Após a introdução desta medida, nos seis meses seguintes, a Google eliminou mais de 5 milhões de anúncios de empréstimos de curto prazo. Além disso, também avançaram com medidas para suspender 8 mil sites que promoviam este tipo de anúncios.

O outro passo dado pela Google neste campo passou pelo reforço da tecnologia para poder assinalar e desactivar de forma mais rápida os "bad ads". "Por exemplo, os anúncios chamados "trick to click" aparecem normalmente como alertas de sistema para iludir os utilizadores a clicarem nos mesmos sem que se apercebam que se trata de software malicioso ou de malware", explica o mesmo responsável.

Ao longo de 2016, os sistemas da Google detectaram, e desactivaram, um total de 112 milhões de anúncios "trick to click", um número seis vezes superior face ao registado em 2015.

Produtos ilegais de saúde com crescimento "dramático"

Como a Google explica, "alguns dos anúncios mais comuns são os que promovem actividades e produtos ilegais". E, neste campo, o jogo e a saúde lideram a lista.

Apesar da tecnologia sublinhar ter "há muito uma política para lidar com os "bad ads" a produtos farmacêuticos", em 2016 o sistema da Google detectou "um crescimento dramático deste tipo de promoção", lê-se no mesmo comunicados.

No total, a Google removeu 68 milhões de anúncios maus que violavam as políticas neste capítulo, um número bastante superior aos 12,5 milhões detectados em 2015.

No que toca ao jogo ilegal, no ano passado a Google detectou "mais tentativas de publicitar promoções" relacionadas com esta actividade "sem a autorização necessária dos reguladores nos países onde operam". No total, eliminou 17 milhões de anúncios por este tipo de violações de políticas.

200 "publishers" expulsos da rede por conteúdos falsos

De ano para ano, a Google vai deparando-se com novos formatos de anúncios enganadores. Em 2016, por exemplo, assistiu à ascensão dos "tabloid cloakers".

Trata-se de "um novo tipo de prática que tenta enganar o nosso sistema ao apresentar-se como notícia. Geralmente, "os cloakers" aproveitam os temas mais populares e polémicos do momento - eleição de um novo governo, uma noticia popular ou uma celebridade - e os seus anúncios podem parecer idênticos aos títulos de um site de noticias", explica a Google. Porém, quando o utilizador clica naquela estória é directamente reencaminhado para um website de venda de produtos para emagrecimento e não para nenhuma notícia, exemplifica a tecnológica.

No ano passado a Google suspendeu mais de 1.300 contas de "tabloid cloaking". Mas esta tarefa não tem sido fácil. "Infelizmente, este tipo de "bad ads" está a ganhar popularidade pois as pessoas clicam nos mesmos. E, uma mão cheia destes impostores podem gerar muitos "bad ads": durante uma única triagem relativa a "tabloid cloaks" em Dezembro de 2016, eliminámos 22 cloakers que foram responsáveis por anúncios vistos por mais de 20 milhões de pessoas online em apenas uma semana", revela a empresa.

Outro tema que no ano passado ganhou novas dimensões foi o da popularidade de sites com conteúdos falsos.

Neste capítulo, a Google começa por destacar que "muitos proprietários de websites e publishers utilizam as nossas plataformas de publicidade, como o AdSense, para ganharem dinheiro ao correrem anúncios da Google nos seus websites e nos conteúdos". E "sempre que um publisher infringe as nossas políticas, podemos parar de mostrar os anúncios no seu website ou até mesmo encerrar a sua conta".

Uma das políticas passa pela proibição dos publishers que integram o AdSense "de correrem anúncios em websites que ajudam pessoas a enganar outras como por exemplo um website onde é possível comprar diplomas falsos ou documentos plagiados", exemplifica.

Tendo como base a expansão destas regras, de Novembro a Dezembro de 2016, a Google reviu 550 websites "suspeitos de deturparem conteúdos junto dos utilizadores, incluindo websites que se fazem passar por organizações de notícias", revela.

Depois desta análise, a Google avançou com medidas contra 340 "por violação das políticas - por deturpação e outras ofensas - e perto de 200 publishers foram expulsos das nossas redes, de forma permanente".


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