Banca & Finanças Governador do Banco de Portugal diz que grandes empresas tecnológicas podem ameaçar negócio dos bancos

Governador do Banco de Portugal diz que grandes empresas tecnológicas podem ameaçar negócio dos bancos

O governador do Banco de Portugal disse hoje que grandes empresas de tecnologia têm vantagens no sector bancário, face a bancos já existentes, pelo grande volume de informação que têm dos utilizadores que lhes permite fornecer produtos financeiros personalizados.
Governador do Banco de Portugal diz que grandes empresas tecnológicas podem ameaçar negócio dos bancos
Bruno Simão/Negócios
Lusa 06 de fevereiro de 2018 às 22:23

"As novas possibilidades de tratamento e transmissão de informação vieram dar a oportunidade às entidades que, não sendo do sector bancário, foram ao longo do tempo acumulando grandes bases de dados e experiência no respectivo tratamento automático de grandes massas de informação. Essa experiência garante uma vantagem competitiva face aos incumbentes: as suas extensas bases de dados, capacidades analíticas e de processamento de dados são factores competitivos que lhes permitem explorar actividades financeiras ajustadas ao perfil de cada cliente", disse Carlos Costa na conferência Banking Summit, em Lisboa.

 

Em causa estarão entidades como Google, Facebook ou Apple, e que já desenvolvem alguns serviços financeiros.

 

Segundo o responsável pelo regulador e supervisor bancário, enquanto os bancos têm a vantagem de ter confiança dos clientes, já estas empresas têm como vantagem as  bases de dados à escala global dos seus utilizadores, bem acima das dos bancos, que são limitadas aos seus clientes e aos locais em que operam.

 

Para o governador, perante a digitalização da banca e a ameaça de novos operadores, há dois cenários que se avistam para os grandes bancos já existentes.

 

Por um lado, podem não conseguir adaptar-se e ficam limitados a ser "plataformas de captação de depósitos e de colocação de produtos" de marca branca, sem criarem produtos de valor acrescentado.

 

Já num segundo cenário, os bancos fazem investimentos e tornam as novas tecnologias parte do seu negócio, por exemplo através de parcerias com ‘fintech’, tirando "partido da confiança e notoriedade histórica" da sua marca junto dos seus clientes e criando produtos de crédito, de poupança ou de investimento ajustados.

 

"Estes cenários não são mutuamente exclusivos, e o resultado final poderá bem ser uma combinação de ambos", disse o Governador, admitindo "um efeito de concentração dentro do sector para criar sinergias" entre operadores.

 

Carlos Costa falou também da regulação impostas aos novos operadores no sector bancário, depois de hoje à tarde o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) ter pedido que todos sejam sujeitos às mesmas regras.

 

Para o responsável, é importante que a regulação não cause entraves à adopção de novas tecnologias, que dê um "tratamento justo e equilibrado" entre os bancos existentes e novos operadores e que haja "uma actuação coordenada entre reguladores e supervisores a nível nacional e europeu", para que não haja locais com menos regras onde os operadores que aí estão tenham vantagens na concorrência com outros.

 

O governador falou ainda da directiva de serviços de pagamentos (PSD2, em ingês), que ainda não entrou em vigor em Portugal, pelas implicações no sector bancário ao permitir que novos operadores (como ‘fintech') façam serviços de pagamentos e acedam mesmo à informação que os bancos têm dos clientes, desde que com autorização destes.

 

Carlos Costa recordou estudos que consideram que esta directiva significa "o maior desafio à banca de retalho desde a invenção das ATM [Multibanco], há cerca de 50 anos", e que pode "colocar em risco entre 25% e 40% do produto líquido bancário".




A sua opinião6
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentários mais recentes
Zy 07.03.2018

It's the unbalanced supervision and the cost therefrom that make banks in much less favorable conditions when competing with the tech companies that are not under supervision regardless the fact that they do provide financial services as with banks. What would you expect from an unfair game? I think the authorities must execute the same kind of regulatory requirements on those tech companies that provide similar financial services as with banks before it's too late to accumulate bigger systemic risks, until it's too big to fail, like the banks in crisis 10 years ago. For me, it's bizarre/naive to believe that IT companies would reduce/solve the intrinsic risks of any financial activities and that they could do much better than banks.

J. SILVA 07.03.2018

Este porco, sebado, incompetente e corrupto do piorio, anda sempre a instabilizar a banca. Sempre com recados , tipo zeloso hipócrita a intimidar os agentes económicos, o que denota a má consciência na resolução do BES. O papel dum governador à altura do cargo é dar confiança ao sistema financeiro.

Anónimo 05.03.2018

Com a UBER andaram com ela ao colo pois quem se lixava eram os taxistas.
Estou agora para ver se também andam com estas ao colo.

O banco de portugal é uma vergonha! 04.03.2018


tanta corrupção, tanta promiscuidade, tanto relacionamento por baixo da mesa...

o mercado bancário e de capitais portugues é uma anedota, com instituições anedóticas. Veio a crise, mudaram alguns capitais nos que "faliram", mas muitas instituições em funcionamento continuam iguais!

ver mais comentários
pub