Media Governo de Angola cancela contratos da televisão pública com empresas ligadas à família Dos Santos

Governo de Angola cancela contratos da televisão pública com empresas ligadas à família Dos Santos

A TPA Internacional, que é gerida pela Westside, Semba Comunicações, deixa de transmitir com efeitos imediatos até à sua reformulação e indicação de novo director. A decisão foi tomada hoje pelo ministro da Comunicação Social, depois de instruções do novo presidente de Angola, João Lourenço.
Governo de Angola cancela contratos da televisão pública com empresas ligadas à família Dos Santos
Paulo Zacarias Gomes 15 de novembro de 2017 às 13:12
No mesmo dia em que exonerou o conselho de administração da Sonangol, liderado por Isabel dos Santos, o presidente de Angola deu ordens à televisão pública para que cancele os contratos com duas empresas da área da comunicação social ligadas a outros dois filhos do antigo presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

De acordo com a agência noticiosa de Angola, Angop, em causa estão todos os contratos firmados entre o Ministério da Comunicação Social e as empresas privadas Westside e Semba Comunicações (detidas por Welwitchia dos Santos, "Tchizé", e José Paulino dos Santos, "Córeon Dú"), para a gestão do Canal 2 e da TPA Internacional.

A TPA Internacional deverá "cessar imediatamente" para reformulação e posterior reentrada em funcionamento "no prazo de tempo mais rápido possível," refere a agência angolana. O canal internacional terá ainda um director nomeado pelo conselho de administração da televisão pública com a missão de definir uma nova grelha de programas para o canal.

Já a TPA 2 continuará a emitir até 31 de Dezembro deste ano. Até lá a administração da televisão "deverá tomar todas as medidas pertinentes para assumir a sua plena gestão e direcção a partir de 1 de Janeiro de 2018".

O comunicado do ministério liderado por João Melo, e citado pela Angop, refere ainda que a televisão pública terá de encontrar as melhores soluções com as duas empresas privadas no que diz respeito aos estúdios e equipamentos concedidos a estas companhias, "velando igualmente pela situação dos trabalhadores da televisão pública que estão ao serviço daquelas empresas privadas."

João Lourenço, que sucedeu a Eduardo dos Santos na presidência de Angola, exonerou esta quarta-feira Isabel dos Santos do cargo de presidente do conselho de administração da Sonangol. Isabel dos Santos será substituída na liderança da petrolífera angolana por Carlos Saturnino, que foi exonerado do cargo de secretário de Estado dos Petróleos.

Na semana passada o governo de Angola tinha também rescindido o contrato de concessão com a Bromangol, empresa com o monopólio das análises laboratoriais de alimentos e com ligações a José Filomeno dos Santos, filho de José Eduardo dos Santos e que é também director do Fundo Soberano de Angola.

Esta terça-feira, o novo presidente angolano tinha dado posse a novos conselhos de administração para a imprensa estatal, colocando José Fernando Guerreiro à frente da TPA, Marcos Lopes a liderar a Rádio Nacional de Angola, Josué Salusuva Isaías à frente da agência noticiosa e Victor Nelson da Silva nas Edições Novembro (dona do Jornal de Angola).

 "Os órgãos de comunicação social  público devem procurar encontrar uma linha editorial que sirva, de facto, o interesse público, que dê voz, que dê espaço aos cidadãos", afirmou na altura João Lourenço, em declarações citadas pelo Jornal de Angola.
 
(notícia actualizada às 13:40 com mais informação)



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eleitor Há 4 dias

É um bom inicio , por fim a ditadura desta família . Mas o que deverá ser feito a seguir é leva los todos a tribunal e prisão . Peculato , corrupção ,promiscuidade , persecução são as acções praticadas por J.E dos Santos e familiares !

Não tenham ilusões Há 4 dias

Só mudaram as moscas.

Lindo Há 4 dias

Estas medidas vão fazer mais dano no Portugal politico do que em Angola, cheira-me...

Prétuguês Há 4 dias

"no prazo de tempo mais rápido possível," deve ser "No menor prazo possível" ou " o mais rápido possível" ou "no menor tempo possível" é caso para dizer : parece que sabem contar (milhões) agora falar . . . como colonialista sinto que não consegui civilizar adequadamente . . . mea culpa !

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