Empresas Governo garante que a insolvente Ricon não recebe apoios estatais há 10 anos

Governo garante que a insolvente Ricon não recebe apoios estatais há 10 anos

“Nenhuma” das oito empresas do insolvente grupo Ricon, que detém a rede de lojas Gant em Portugal, “recebeu qualquer apoio no âmbito do QREN e do Portugal 2020”, garante o Ministério da Economia.
Governo garante que a insolvente Ricon não recebe apoios estatais há 10 anos
Pedro Silva, presidente e dono do grupo Ricon.
Jornal T
Rui Neves 22 de janeiro de 2018 às 16:48

Numa altura em que decorre ainda o prazo de reclamação de créditos nos processos de insolvência das oito empresas do grupo Ricon, que emprega cerca de 800 pessoas e detém a rede de lojas Gant em Portugal, o Governo veio garantir que o universo empresarial presidido por Pedro Silva não recebeu incentivos estatais, pelo menos nos últimos 10 anos, no âmbito dos quadros comunitários QREN (2007-2013) e Portugal 2020 (2014-2020).

 

"Nenhuma das empresas recebeu qualquer apoio no âmbito do QREN e do Portugal 2020, consultada que foi a lista dos projectos aprovados", afiança o Ministério da Economia, em resposta a perguntas sobre a matéria formuladas por deputados do PCP.

 

"A acompanhar com muito atenção e preocupação a situação na empresa Ricon", o Governo diz que, "dentro das suas competências, está empenhado em garantir que todos os direitos dos trabalhadores serão salvaguardados bem como que a empresa continue a sua actividade".

 

As assembleias de credores da "holding" Nevag e da Ricon Serviços estão agendadas para 30 de Janeiro, a da Ricon Industrial (especializada no fabrico de blazers) para o dia seguinte, enquanto as da Fielcon (camisas) e da Delos (calças) serão realizadas no dia 1 de Fevereiro.

 

O grupo Gant, de origem americana e com sede em Estocolmo, na Suécia, era o principal cliente destas fábricas e absorvia cerca de metade da produção.

 

Numa comunicação aos colaboradores do grupo, Pedro Silva culpou a Gant pela quebra "acentuada" das encomendas ao sector industrial da Ricon e pela exigência do "pagamento imediato da totalidade da dívida vencida proveniente dos fornecimento ao sector do retalho", o que causou "um estrangulamento inultrapassável" na tesouraria do grupo e "afectou a capacidade de cumprir as obrigações com os diversos credores, nomeadamente com a banca".

 

"Apesar de todos os esforços desenvolvidos no sentido de contrariar a actual situação económico-financeira das empresas do grupo, a verdade é que as negociações encetadas junto da banca, do principal parceiro do grupo (Gant) e de eventuais novos investidores não conduziram, até ao momento, a uma solução concreta que permita a viabilização das empresas", detalhou o gestor nessa missiva, com a data de 4 de Dezembro.

 

O gestor judicial Pedro Pidwell foi escolhido pelo Tribunal de Comércio de Vila Nova de Famalicão para acompanhar o processo de insolvência das empresas do universo Ricon.

 

Este gestor judicial tem sido seleccionado para liderar alguns dos maiores processos de insolvência e de revitalização em Portugal, como os da construtora Soraes da Costa, o grupo de logística Urbanos, a "private equity" Finpro, que era controlada pelo Estado (27,2%) Banif (32%) e o grupo Amorim (25,4%), ou o do Espírito Santo Financial (Portugal), que era a "holding" portuguesa através da qual a Espírito Santo Financial Group, sediada no Luxemburgo, tinha a maior posição accionista no Banco Espírito Santo (BES). 




pub