Empresas Governo não se pode alhear nem ficar indiferente à situação na antiga Triumph, diz PCP

Governo não se pode alhear nem ficar indiferente à situação na antiga Triumph, diz PCP

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou esta quarta-feira que o Governo não se pode alhear, nem ficar indiferente à situação na antiga Triumph, criticando a ausência e o silêncio do ministro da Economia.
Governo não se pode alhear nem ficar indiferente à situação na antiga Triumph, diz PCP
Lusa 10 de janeiro de 2018 às 19:29

Jerónimo de Sousa deslocou-se esta tarde às instalações da Têxtil Gramax Internacional (TGI), a antiga Triumph, no concelho de Loures, distrito de Lisboa, em solidariedade com os trabalhadores que estão em vigília à porta da empresa desde sexta-feira, depois de terem tomado conhecimento de que a administração tinha iniciado um processo de insolvência.

 

"Nós consideramos que havendo responsabilidades particulares e directas da Triumph, que é preciso o Governo não se alhear, não fazer como Pilatos e olhar para isto como uma causa perdida. Não pode ser", disse o secretário-geral comunista aos jornalistas.

 

Na opinião de Jerónimo de Sousa, "o Governo não pode olhar indiferente e ficar à espera de um desfecho que pode ser dramático para estas trabalhadoras sem ter opinião, sem dar uma contribuição, sem procurar dar garantias a estas trabalhadoras que já estão com salários em atraso".

 

"Para a semana solicitámos a presença do ministro da Economia na Assembleia da República procurando assim uma responsabilização porque estas trabalhadoras não entendem que o ministro da Economia tivesse estado aqui com boas palavras, recentemente, dando garantias da evolução positiva da empresa e agora marque a sua posição pela ausência, sem ter aqui uma palavra de estímulo, de esperança a estas trabalhadoras", criticou.

 

Fonte oficial do PCP explicou depois à agência Lusa que não foi necessário o PCP formalizar o pedido para a audição do ministro uma vez que para terça-feira está já agendada uma audição regimental na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas.

 

Para o líder comunista "ninguém entenderá que agora exista um silêncio absoluto por parte do Governo, designadamente do ministro da Economia" porque isso é "defraudar as expectativas das trabalhadoras" que "acreditaram nas boas palavras" de Manuel Caldeira Cabral. "Não se exige que venha aqui junto das trabalhadoras, mas o que se exige o mínimo é um posicionamento político e alguma garantia a estas trabalhadoras", apelou.

 

Há quase um ano, a 4 de Janeiro de 2017, Manuel Caldeira Cabral congratulou-se então com o facto de a antiga fábrica de roupa interior da Triumph continuar a laborar em Portugal e manter os cerca de 500 postos de trabalho, durante uma visita à fábrica na qual foi informado pela actual administração da TGI do plano de negócios, que previa a "diversificação do portefólio de produção" assim como a "expansão a novos mercados de exportação".

 

A empresa alemã Triumph possuía uma fábrica em Sacavém, concelho de Loures, que foi adquirida em Setembro de 2017 pela empresa Têxtil Gramax Internacional, uma sociedade portuguesa de capital suíço.

 

O processo de venda, que decorreu durante um ano, chegou a ser muito contestado pelos cerca de 500 trabalhadores, assim como pela Câmara Municipal de Loures, que temiam que a fábrica encerrasse definitivamente.

 

A comissão parlamentar de Economia aprovou hoje, por unanimidade, uma proposta do PCP contra o encerramento da fábrica da antiga Triumph, solicitando a intervenção do Governo para ajudar a encontrar uma solução, inclusive novo comprador.

 

Questionado sobre a polémica em torno da recondução da procuradora-geral da República, Jerónimo de Sousa escusou-se a comentar durante esta visita em concreto essa questão. "Amanhã, depois de amanhã, no sábado tenho uma iniciativa. Estou disponível para responder a essa pergunta porque naturalmente temos posição, mas compreendam que este objectivo central, primeiro e único, de estar aqui a prestar solidariedade às trabalhadoras, eu acho que é fundamental", justificou.




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