Transportes Governo cede mas não vence com táxis descaracterizados

Governo cede mas não vence com táxis descaracterizados

Três horas de reunião entre o Governo e taxistas. A tutela cede e aceita flexibilizar as regras para a licença caso os táxis decidam descaracterizar-se. Os profissionais do volante batem a porta e mantêm o protesto.
Governo cede mas não vence com táxis descaracterizados
Miguel Baltazar
Wilson Ledo 10 de Outubro de 2016 às 22:45
Lá foram, da Rotunda do Relógio para uma "reunião de emergência" com a tutela. Florêncio Almeida engoliu em seco as palavras ditas horas antes: "do Ministério do Ambiente não vale a pena. Eles fazem parte do problema e não da solução".

cotacao Há uma divergência que é a vontade dos senhores taxistas de criar um contingente [limite no número de carros] para uma actividade económica que não pode ser contingentada [da Uber e Cabify]. joão matos fernandes Ministro do Ambiente
Após três horas, a solução não chegou. Uma cedência, incapaz de demover a multidão de taxistas no principal acesso ao aeroporto de Lisboa: o Governo está disposto a criar um "instrumento de transição" para que os táxis possam ser descaracterizados "sem perder a licença".

Tal permitiria que as viaturas passassem a prestar serviços à Uber e à Cabify se estas assim o entendessem. Os taxistas já tinham revelado que há mil carros em Lisboa disponíveis para esta mudança. Em cima da mesa está a possibilidade de o prazo de 60 dias para a perda de licença, em caso de descaracterização do táxi, ser alargado até "um ou dois anos".

Antes, Matos Fernandes tinha já reconhecido que seria possível adaptar as regras previstas para as aplicações de transportes, rejeitando contudo suspender os seus serviços. A tutela não cede num tópico frágil para os taxistas: o contingente, isto é, o número máximo de carros que as aplicações poderiam ter ao seu serviço. Os taxistas também nunca concretizam qual seria o número ideal.

"Há uma divergência que é a vontade dos senhores taxistas de criar um contingente para uma actividade económica que não pode ser contingentada", justificou o governante após o encontro com a ANTRAL e FPT. Antes, na China, já o primeiro-ministro António Costa tinha defendido que o Governo está a regular as plataformas para evitar a concorrência desleal aos taxistas.

No espectro político, a única reacção no terreno veio do PCP. O deputado Bruno Dias acredita que a "situação está a demorar demasiado tempo". E a culpa não é dos taxistas, disse junto a estes profissionais.

Coincidência ou não, o Parlamento Europeu vota esta terça-feira, 11 de Outubro, um relatório para simplificar os regimes de táxis.



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mais votado Anónimo Há 3 semanas


PCP . BE . PS entregam o sector dos táxis ao grande capital estrangeiro (DE BORLA).

Viva o capitalismo de esquerda (UBER, Cabify, …)


comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas


PCP . BE . PS entregam o sector dos táxis ao grande capital estrangeiro (DE BORLA).

Viva o capitalismo de esquerda (UBER, Cabify, …)


rodalbert@gmail.com Há 3 semanas

Com arruaceiros assim ninguém quer o dito táxi português! Os novos tempos vieram para ficar, só tem uma coisa a fazer modernizem-se! Há países em que existem plataformas organizadas na Internet em que qualquer pessoa com o seu veiculo pessoal pode prestar este serviço! Mas aqui gostamos de ser atavicamente e tacanhamente atrazados!!!

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