Start-ups Hong Kong: uma das economias mais competitivas de olhos postos nas start-ups

Hong Kong: uma das economias mais competitivas de olhos postos nas start-ups

Hong Kong tem uma das economias mais competitivas do mundo e é uma das maiores receptoras de investimento directo estrangeiro. A região está apostar na inovação e tecnologia para se transformar numa economia assente no conhecimento.
Hong Kong: uma das economias mais competitivas de olhos postos nas start-ups
Ana Laranjeiro 21 de janeiro de 2017 às 10:00

Em Hong Kong, a herança britânica cruza-se, por todo o lado, com a cultura chinesa. Muitos dos nomes das ruas e dos edifícios estão em inglês e, logo por baixo, em chinês. Nas ruas da ilha de Hong Kong o dialecto local é bastante frequente mas o inglês não fica muito atrás. As duas culturas parecem cruzar-se mesmo 20 anos depois de Hong Kong ter passado para a soberania chinesa e se ter tornado numa região administrativa especial daquela que é uma das maiores economias mundiais (Macau é a outra região administrativa especial).

Enquanto região administrativa especial, Hong Kong usufrui do regime "um país, dois sistemas".

É uma das economias mais livres do mundo, uma das mais competitivas, o segundo maior destino de investimento directo estrangeiro e a terceira economia mais inovadora da Ásia. Factos apontados por organismos internacionais que a Comissão para Tecnologia e Inovação da região faz questão de mostrar aos jornalistas estrangeiros.

Através de uma visita rápida ao site do InvestHK, entidade responsável pela captação de investimento externo, é possível ficar ainda a saber que Hong Kong considera ter uma das economias mais amigáveis em termos de carga fiscal. Há apenas três impostos directos – tributação dos lucros limitada a 15%, impostos sobre salários no máximo de 15% e o imposto sobre propriedades também de 15% - e muita da tributação que existe em Portugal não se aplica no território, como o IVA.

Ecossistema de start-ups

Hong Kong tem um ecossistema de start-ups em crescimento. "Vibrante" é uma das palavras que muitas vezes se ouve como descrição do ecossistema. Um ambiente que é apoiado pelo Governo local. 

Em Novembro de 2015 foi criado o Gabinete para a Inovação e Tecnologia, que tem como missão fazer com que a região tenha uma economia assente no conhecimento e que seja um "hub" de inovação e tecnologia. Há vários tipos de apoios financeiros para a investigação e desenvolvimento (R&D), quer ao nível universitário quer para empresas privadas.

"Com o apoio, por exemplo dos nossos diferentes regimes de financiamento, há mais oportunidades para [os estudantes] começarem. Dá-lhes um impulso para darem os primeiros passos no R&D. Enquanto Governo sabemos que o mais difícil é ultrapassar os primeiros passos. Por isso, os nossos regimes de financiamento têm como objectivo darem estágios ou um financiamento extra para que possam embarcar nos seus projectos de R&D", conta ao Negócios Bryan Ha, comissário adjunto.

As start-ups, muitas vezes a materialização da investigação realizada na academia, têm também um regime de apoio. Está nomeadamente a ser desenvolvido um fundo de capital de risco para apostar na inovação e tecnologia que tem com objectivo co-investir com fundos privados em start-ups locais. Em Portugal, no âmbito da Estratégia Nacional para o Empreendedorismo (Startup Portugal), o Governo está também a preparar um fundo de co-investimento em capital de risco.

O ecossistema desta região administrativa especial começou a dar os primeiros passos há pouco mais de cinco anos. E desde então o número de empresas tem vindo a crescer.

Só no ano passado, o número de start-ups cresceu 24% face a 2015, para um total de 1.926 companhias, de acordo com um inquérito da InvestHK (o Start-up Profiling Survey). Muitas delas são estrangeiras. Estas "trouxeram a experiência internacional e as perspectivas diferentes, o que, em conjunto com um cada vez maior número de players locais, [faz com que] a comunidade de start-ups em Hong Kong esteja verdadeiramente a reflectir o dinamismo e o multiculturalismo" da cidade, sublinhou Gregory So, secretário para o Comércio e Desenvolvimento Económico, numa das conferências que decorreu esta semana no âmbito do festival Startmeup, dedicado a start-ups. 

"Não descansamos à sombra dos nossos louros. O nosso governo vai continuar a oferecer um amplo apoio às start-ups em várias áreas tais como incubação, financiamento, expansão empresarial e espaço de escritório", garantiu ainda.

O impacto económico e social gerado pelo ecossistema é um dos principais motivos pelo qual as autoridades apostam nesta área, sublinha Jayne Chan, líder do festival Startmeup (promovido pela InvestHK). E lembra que a InvestHK tem a missão de promover o crescimento do emprego e, por conseguinte, apoiar estas empresas a fomentar a criação de postos de trabalho.

Uma das mais-valias, frequentemente apontada pelos responsáveis, de Hong Kong prende-se com o seu sistema legal robusto e com a protecção da propriedade intelectual. Além disso, Hong Kong tem uma proximidade geográfica com vários países asiáticos, onde há uma população jovem e com vontade de abraçar tecnologias.

 

Jornalista em Hong Kong, a convite do Governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong

 


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mais votado Anónimo 24.01.2017

Então, afinal já não é Lisboa?

comentários mais recentes
Anónimo 24.01.2017

Então, afinal já não é Lisboa?

vinteetrês 23.01.2017

Deixem-se de lirismos. Hong kong é simplesmente "a" testa de ferro da china. É a porta de entrada para investimentos que são permitidos nessa "região especial administrativa" e que não são permitidos no resto do território da China, com o fim de chegar ao maior mercado populacional do planeta.

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