Web Summit "Hub" do Beato vai ser qualificado por quem lá se instalar

"Hub" do Beato vai ser qualificado por quem lá se instalar

O presidente da Câmara de Lisboa diz que o desafio para a cidade com o Web Summit é “aproveitar esta energia toda, este dinamismo todo, aquela gente toda para nos desenvolvermos, criarmos mais emprego, mais valor e oportunidades".
Ana Laranjeiro,Catarina Rodrigues - Vídeo e Bruno Simões

A poucos dias do Web Summit, Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, em entrevista ao Negócios, salienta que o grande desafio que Lisboa enfrenta com a vinda deste evento para a capital – para a edição deste ano estão previstas 50 mil pessoas – é "sermos capazes de aproveitar esta energia toda" para que sejam criados mais postos de trabalho, "mais valor e oportunidades para quem está aqui em Lisboa".

Mesmo antes de ficar "fechado" que Lisboa ia ser a casa do Web Summit durante três anos (anúncio feito em Setembro de 2015), Lisboa queria um espaço que "pudesse ajudar a desenvolver toda a zona oriental de Lisboa, entre Santa Apolónia e a Expo". O complexo militar do Beato foi identificado com uma das possibilidades. As negociações ainda decorriam quando o Web Summit anunciou que ia trocar Dublin pela capital portuguesa.

Depois disso, conta o autarca, "n
uma conversa que estava a ter com o Paddy Cosgrave [CEO do Web Summit], precisamente sobre como aproveitar o Web Summit como elemento de projecção e desenvolvimento da cidade, surgiu a ideia de: ‘porque não arranjamos um local em que oferecemos às empresas que vêm ao Web Summit uma possibilidade de ficarem 'x' tempo com condições mais favoráveis em Lisboa?’".

"Achámos que era uma ideia óptima, que se faria com toda a facilidade. Perguntei-lhe se tinha tempo de ir ver o sítio. Metemo-nos no carro, fomos ver e ele ficou fascinado com o sítio e fiquei convencido que tinha sido o projecto certo para o local certo. A partir daí, rapidamente intensificámos as negociações com o Exército e o Estado Português", acrescentou.

Em Abril, a Câmara de Lisboa anunciou que ia ficar com um edifício que pertence ao Exército, localizado na freguesia do Beato, pagando para isso mais de sete milhões de euros. Neste espaço, vai nascer um Hub Criativo, que tem como ambição ser a "casa" de vários organismos. Uma das empresas que vai abrir um escritório neste espaço é o Web Summit - vai ser o primeiro escritório fora de Dublin.

A antiga estrutura militar na freguesia do Beato precisa, contudo, de ser qualificada. E o plano da Câmara passa por "fazer um processo por fases em matéria de desenvolvimento e que seja realizado pelos vários agentes que se vão instalar naquele sítio".

"Não queremos que seja um projecto desenvolvido unicamente a partir da Câmara. Estaríamos vários anos, teria um investimento incomportável e dificilmente veria a luz do dia com rapidez". O objectivo é que o espaço seja ocupado por parceiros - como empresas, incubadoras e aceleradoras de start-ups que possam aí instalar-se – que hoje ainda não estão em Lisboa e "que podem acrescentar valor à cidade".


"Aquilo não é para ser um espaço de concentração das actividades que existem hoje em Lisboa. É para ser fundamentalmente um espaço de oportunidades para captar novos parceiros, novos talentos, novos valores que actualmente a cidade não tem e que vai passar a ter e aproveitarmos este processo do Web Summit, e desta energia, para ir canalizando e irmos tratando do desenvolvimento daquele espaço".


O plano para este local ainda está a ser ultimado, mas Fernando Medina garante que a autarquia já recebeu vários contactos, ao nível nacional e internacional, de organismos que poderão interessar-se em habitar este espaço.




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comentários mais recentes
JCG Há 1 dia

Reciclar instalações militares em projetos como o vertente é uma ideia positiva. E com espaço para crescer. Quartéis militares em localidades de província - como Vendas Novas, que conheço de perto - dariam excelentes escolas profissionais.
Uma das vertentes a explorar na formação profissional deve ser a de ministrar ações de formação (em linha com necessidades do mercado) altamente intensivas e especializadas, de curta duração temporal (desde alguns dias, como fins de semanas, até 2 ou 3 meses), podendo até envolver alojamento para facilitar a logística. E os (ex) quartéis militares já têm instalações para isso (camaratas e cantinas). Este tipo de formação visaria, nomeadamente, facililar a vida a quem já tem responsabilidades familiares e não pode andar a engonhar a fazer cursos de formação de vários anos (e é preciso responder ás oportunidades em tempo útil) e também a quem estando empregado pretende mudar de profissão ou acautelar essa eventualidade.

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