Tecnologias Imprensa chinesa atribui "alguma responsabilidade" aos EUA por ciberataque

Imprensa chinesa atribui "alguma responsabilidade" aos EUA por ciberataque

A imprensa estatal chinesa criticou os Estados Unidos por terem criado obstáculos aos esforços para travar ameaças cibernéticas. Tal como a Microsoft, a imprensa chinesa aponta o dedo à Agência de Segurança Nacional.
Imprensa chinesa atribui "alguma responsabilidade" aos EUA por ciberataque
Reuters
Negócios 17 de maio de 2017 às 08:40

A imprensa estatal chinesa critica esta quarta-feira, 17 de Maio, os Estados Unidos por terem criado entraves aos esforços para travar as ameaças cibernéticas existentes. A Agência de Segurança Nacional (NSA na sigla em inglês) deve arcar com algumas das responsabilidades pelo ataque que explora vulnerabilidades no software da Microsoft e que infectou mais de 30 mil organizações na China, reporta o China Daily, citado pela Reuters.

"Esforços concentrados para combater crimes cibernéticos têm sido travados pelas acções dos Estados Unidos", escreve o jornal. Além disso, não há "provas credíveis" que suportem as proibições impostas por Washington às empresas tecnológicas chinesas a operar em território norte-americano após o ataque, diz a publicação.

A Microsoft, escreve a agência de informação, tem defendido que o ataque com software malicioso, que alguns investigadores associam a ataques anteriores perpetrados pelos piratas da Coreia do Norte, está alavancado numa ferramenta construída pela própria NSA. Ontem, Brad Smith, presidente da Microsoft, citado pela Bloomberg, acusou mesmo a NSA por desenvolver práticas de "hacking" para que sejam usadas contra inimigos dos EUA.

Alex Abdo, da Knight First Amendment Institute na Universidade de Columbia, sustenta que o argumento da Microsoft, em que atribui responsabilidades à NSA, tem algum fundamento. Contudo, o responsável assinala que a Microsoft não está isenta de responsabilidades.

"As empresas de tecnologia devem aos seus clientes um processo fiável de reparação das vulnerabilidades ao nível da segurança", disse à Bloomberg Alex Abdo. "Quando uma falha ao nível do design é descoberta num carro, os fabricantes chamam-nos à oficina. Quando uma vulnerabilidade séria é descoberta em software, muitas empresas respondem devagar ou dizem que não é um problema deles".

Na edição desta quarta-feira, o Negócios avança que a Polícia Judiciaria registou poucas queixas devido ao ataque informático da semana passada. O Centro Nacional de Cibersegurança também não registou danos na administração pública.

Empresas portuguesas de diferentes áreas de actividade garantem ter saído sem danos do ciberataque, tendo accionado os planos de segurança para se protegerem. Mantêm-se atentas aos desenvolvimentos internacionais, avança o Negócios na edição de hoje.

Ciberataque: O que é e como funciona?

Na passada sexta-feira, 12 de Maio, um ciberataque atingiu dezenas de milhares de computadores em todo o mundo, através da dispersão de um software malicioso ("malware") que bloqueia o uso das máquinas, encriptando os ficheiros e fazendo depender a sua reactivação do pagamento de um resgate.

Em causa está um "ransomware" chamado WannaCry – também conhecido por WanaCrypt0r 2.0, WannaCry e WCry – que é disseminado através de e-mails que convidam o utilizador a abrir anexos ou carregar em links.

 

Estas acções fazem, na verdade, com que esse "malware" comece a correr no computador, acabando por bloquear os ficheiros e codificá-los, impossibilitando o acesso. Em seguida, o software gera uma mensagem que ocupa todo o ecrã e exige o pagamento de um resgate, em bitcoins (moeda virtual), para que o utilizador possa recuperar o acesso ao seu computador.

 

Segundo o Telegraph, que cita especialistas em segurança, não é garantido que o utilizador recupere o acesso à máquina, mesmo após o pagamento do montante pretendido pelos "hackers". Em alguns casos, estes voltam a exigir mais dinheiro aos utilizadores, ameaçando apagar definitivamente os ficheiros.




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