Agricultura e Pescas Incêndios: Apenas 1% da área das papeleiras ardeu numa década

Incêndios: Apenas 1% da área das papeleiras ardeu numa década

Carlos Amaral Vieira, director da CELPA – Associação da Indústria Papeleira, diz que estes dados mostram que "uma floresta bem gerida é menos vulnerável ao risco de incêndios".
Incêndios: Apenas 1% da área das papeleiras ardeu numa década
Reuters
Lusa 22 de junho de 2017 às 17:36

Apenas 1% dos 200 mil hectares geridos pela indústria papeleira ardeu nos últimos dez anos, segundo um representante do sector, que atribui este resultado à boa gestão e protecção da área florestal.

 

"Na última década, em média, apenas 1% da área sob gestão das associadas [da entidade que representa o sector, CELPA] ardeu, o que significa que boas práticas de gestão florestal têm resultado efectivo", disse o director da Celpa - Associação da Indústria Papeleira, Carlos Amaral Vieira.

 

Em 2015, último ano em que existem dados definitivos, dos mais de 200 mil hectares geridos, apenas 0,4% ou cerca de 750 hectares, arderam, o que, referiu à agência Lusa, "reforça a evidência de que uma floresta bem gerida é menos vulnerável ao risco de incêndios".

 

Empresas do sector da pasta e do papel, que dependem da matéria-prima fornecida pelo eucalipto, formaram uma estrutura profissional para apoiar o combate aos incêndios nas suas propriedades, a Afocelca, mas mais de 85% dos fogos combatidos pelas suas equipas, em coordenação com a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), ocorrem em terrenos vizinhos.

 

Carlos Amaral Vieira recordou que o fenómeno dos incêndios "é fortemente influenciado pelo impacto humano no território, já que mais de 50% dos incêndios em Portugal têm origem em comportamentos negligentes ou criminosos".

 

Esse "não foi o caso do trágico incêndio" que começou, no sábado, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, e que alastrou aos distritos de Coimbra e Castelo Branco, causando pelo menos 64 mortos, que teve como origem "vários factores incontroláveis", apontou Carlos Amaral Vieira, em resposta a questões colocadas pela Lusa. 

 

A força de prevenção e combate a incêndios Afocelca é constituída por três helicópteros ligeiros - cada um com uma equipa de combate helitransportada de cinco sapadores florestais -, 38 unidades de prevenção e vigilância, compostas por três sapadores, com equipamento de primeira intervenção, e 18 equipas de combate terrestre com seis elementos operacionais num veículo semipesado.

 

Anualmente, a Afocelca envolve mais de 400 pessoas, entre técnicos florestais, supervisores, combatentes, operadores de central e oficiais de ligação, segundo dados da associação.

 

Nos últimos dez anos, a indústria florestal de pasta e papel, que tem eucalipto, mas também pinheiro bravo e sobreiros, investiu mais de 30 milhões de euros na prevenção e combate a incêndios.

 

Em 2016, o valor destinado à protecção da floresta foi de cerca quatro milhões de euros, segundo dados da CELPA.

 

Entre os trabalhos de prevenção de incêndios realizados ao longo de todo o ano, estão desmatamento, controlo de vegetação, limpeza de caminhos e aceiros ou manutenção e construção de rede viária e divisional das propriedades.

 

Sem adiantar em quantas situações de combate a incêndio já participou este ano, o responsável confirmou que a Afocelca "está no teatro de operações desde o primeiro momento", em colaboração com a ANPC e outras entidades.




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mais votado jecm 22.06.2017

Dizem os responsáveis que o problema é do eucalipto e do pinheiro. E que os outros é que são culpados. Esta notícia, embora já se soubesse, só vem provar que, pelo menos a parte do que é plantado não serve de desculpa.

comentários mais recentes
José Saraiva 25.06.2017

Independemente do investimento feito pela CELPA nos projectos que, obviamente, lhe serão rentáveis, seria interessante que nos informasse em que zonas do país estão ordenados os 200.000 ha.
É que existem morfologias muito diferentes e a gestão dos povoamento muito desiguais...

ze dos bois 22.06.2017

se calhar era melhor consultar estes senhores relativamente ao ordenamento florestal !!!
certo?
Se não for algum rendimento da floresta, os agricultores vão viver de quê? do rendimento mínimo?

jecm 22.06.2017

Dizem os responsáveis que o problema é do eucalipto e do pinheiro. E que os outros é que são culpados. Esta notícia, embora já se soubesse, só vem provar que, pelo menos a parte do que é plantado não serve de desculpa.

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