Indústria Indústria papeleira diz que reforma florestal é "o maior atentado" à floresta

Indústria papeleira diz que reforma florestal é "o maior atentado" à floresta

A Celpa - Associação da Indústria Papeleira considerou hoje que a reforma florestal aprovada no parlamento na semana passada é "o maior atentado" alguma vez realizado à floresta na história da democracia em Portugal.
Indústria papeleira diz que reforma florestal é "o maior atentado" à floresta
Lusa 25 de julho de 2017 às 08:58
Num comunicado hoje divulgado na imprensa, a Celpa diz que a reforma foi aprovada de forma "apressada e atribulada" e "não respeita a opinião e os fundamentados contributos da quase totalidade dos agentes do setor florestal, nomeadamente das cerca de 50 entidades chamadas à Comissão de Agricultura e Mar".

Para a indústria papeleira, a legislação aprovada "não honra a comunidade científica e universitária, que tem afirmado categoricamente que os incêndios estão directamente relacionados com a falta de gestão e limpeza do território (que leva ao excesso de combustível no terreno), o insuficiente número de 'barreiras corta-fogo' (por exemplo, 10 metros face às estradas, 50 metros face às habitações)".

Dos três diplomas aprovadas já na madrugada do dia 19 destaca-se a alteração do regime jurídico aplicável às ações de arborização e rearborização, em que fica definido que "não são permitidas as acções de arborização com espécies do género 'eucalyptus'" e as de rearborização são condicionadas.

O parlamento aprovou ainda a criação de um sistema de informação cadastral simplificada e a alteração do Sistema de Defesa da Floresta contra Incêndios, iniciativas do Governo votadas já com a introdução de propostas de todos os grupos parlamentares.

No comunicado hoje divulgado, a Celpa defende que os incêndios "em nada dependem das características das espécies florestais, do eucalipto ou de outras, como o demonstram os factos históricos e o explica a comunidade científica e universitária".

Diz que a reforma florestal terá um impacto "profundamente negativo" em toda a fileira florestal, designadamente por aumentar o desinvestimento, a degradação e o abandono da floresta, promovendo o risco de incêndios, proibir a única espécie florestal rentável num prazo de 10-20 anos, contribuir para o aumento de matos e incultos, que corresponde a cerca de 50% da área ardida em Portugal neste século".

A Celpa acrescenta que a reforma da floresta "reduz o rendimento dos pequenos proprietários e produtores florestais", "promove a desertificação do interior e das zonas rurais do país, colocando em causa os cerca de 100.000 empregos da fileira florestal" e "impacta negativamente um sector que representa 5% do PIB em Portugal e 10% das exportações do nosso país".

Defende ainda que os diplomas aprovados vão promover "as importações de madeira, que representam já hoje cerca de 200 milhões de euros anuais" e impedir o crescimento da espécie florestal que mais contribui para a absorção de CO2 (por área ocupada e por unidade de tempo)".

Diz ainda a indústria papeleira que "quando a pressa e os interesses político-partidários dominam e suplantam o conhecimento técnico e científico e ignoram a opinião das entidades mais relevantes, conhecedoras e competentes na área florestal (...), defraudam-se justas expectativas, prejudicam-se milhares de proprietários e empregos e desencorajam-se investimentos futuros".

"O erro histórico cometido contra a floresta é de tal forma grave que apenas podemos acreditar na inevitabilidade da sua reversibilidade num futuro próximo", acrescenta.



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mais votado P1958 25.07.2017

Totalmente de acordo. A diabolização do eucalipto mais não é do que pura demagogia e uma forma de tentar encapotar a incompetência da nossa classe política e a sua incapacidade e imobilismo para implementar e fiscalizar verdadeiras medidas preventivas dos fogos florestais em Portugal.

comentários mais recentes
Anónimo 25.07.2017

Vão dar banho ao cão, lavem-se na mesma água e vão plantar eucaliptos para Lisboa.

Anónimo 25.07.2017

Este sindicato dos eucaliptos deveria era pedir desculpas aos familiares das vítimas por terem sido responsáveis com o apoio de governos em termos a maior área de plantação desta espécie do mundo por área florestal total. Essa é a realidade... lucro fácil os mortos que se lixem...

Anónimo 25.07.2017

Por falar em industria papeleira e democracia:
https://www.facebook.com/acrescimo/photos/a.156317551100506.38344.149915865074008/1465947896804125/?type=3&theater

zé dos Bois 25.07.2017

O Sr. Ventura Santos, só 3 perguntinhas que servem para qualquer um do foristas;
e quais são as culturas e espécies que fixam a população?
O Sr. explora algumas terras ou "serros" ?
e que rendimento tira delas?
é que temos que precisar as coisa e ser realistas...

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