Tecnologias Influenciar uma eleição custa cerca de 400.000 dólares

Influenciar uma eleição custa cerca de 400.000 dólares

Quer influenciar uma eleição? Só precisa de uns 400.000 dólares, de acordo com a consultora de segurança cibernética Trend Micro.
Influenciar uma eleição custa cerca de 400.000 dólares
Reuters
Bloomberg 02 de julho de 2017 às 13:00

400.000 dólares é a quantia necessária para comprar seguidores em redes sociais como o Facebook e o Twitter, contratar empresas para escrever e disseminar notícias falsas durante 12 meses e operar sites sofisticados para influenciar a opinião pública, de acordo com Udo Schneider, especialista em segurança para o mercado de língua alemã da Trend Micro.

 

"Hackear o processo de votação em si não vale a pena, porque isso deixa rasto, é muito caro e é desafiador tecnologicamente", salientou Schneider, na conferência sobre segurança organizada pela Deutsche Telekom em Berlim. No entanto, influenciar a opinião pública através de notícias falsas e fuga de dados, como se acredita que tenha ocorrido durante a campanha eleitoral dos EUA e da França, é relativamente simples e "também poderá acontecer antes das eleições alemãs".

 

Os políticos alemães estão cada vez mais preocupados com o facto de forças externas tentarem influenciar as eleições do país, marcadas para 24 de Setembro, na qual a chanceler Angela Merkel tentar conquistar o quarto mandato. As autoridades de segurança sugerem que a Rússia estaria a libertar notícias falsas e a apoiar dissimuladamente hackers que atacaram o Parlamento alemão, além de dois think tanks associados aos democratas-cristãos e aos sociais-democratas, os dois principais partidos da Alemanha. A Rússia negou por diversas vezes ter hackeado governos estrangeiros.

 

Os partidos políticos da Alemanha são "completamente transparentes" para os hackers motivados, porque a sua infra-estrutura geralmente não está bem protegida, disse Frank Rieger, porta-voz do Chaos Computer Club, um colectivo alemão de cerca de 5.500 hackers que actua na monitorização tecnológica na maior economia da Europa. Manipular os resultados preliminares na véspera das eleições é "totalmente possível", disse.

 

Macron alvo

 

A Alemanha está a tentar reforçar as suas defesas, com a criação de uma nova unidade de segurança cibernética das Forças Armadas que em breve terá 13.500 funcionários e especialistas em segurança cibernética a trabalhar em conjunto com o comissário federal eleitoral. Em Maio, o principal órgão de segurança tecnológica do país, o BSI, discutiu com os seus pares como o órgão de segurança na internet da França para recolher informações sobre como frustrar ataques como aquele direccionado à campanha presidencial de Emmanuel Macron.

 

As autoridades alemãs estão confiantes de que podem proteger o processo de contagem de votos, que é feito principalmente à mão e por telefone, e alertou autoridades eleitorais regionais e locais sobre as possíveis ameaças envolvidas, disse Andreas Koenen, que dirige uma divisão de segurança de TI no Ministério do Interior da Alemanha.

 

No entanto, mesmo que as defesas da Alemanha estejam preparadas agora, pode ser tarde demais. Pewn Storm, um grupo de hackers supostamente vinculado à Rússia, pirateou em 2015 a rede de TI do Bundestag, o Parlamento alemão, e roubou cerca de 16 gigabytes de e-mails e outros dados. Ainda não houve fuga de dados, mas a maioria dos legisladores espera ver esses 16 gigabytes novamente pouco antes das eleições. Resta saber o que isso vai significar.

 

Se os hackers obtiveram conteúdos explosivos, estes serão divulgados pouco antes da votação, acredita Rieger, do Chaos Computer Club. "Mas, na verdade, não acredito que eles tenham muita coisa", disse. "As festas alemãs são chatas por natureza."




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