Mercados Isenção de custos de conta? Na CGD é mais difícil a partir de hoje

Isenção de custos de conta? Na CGD é mais difícil a partir de hoje

As alterações às condições de isenção de comissão de conta na CGD entram hoje em vigor. Para os reformados, apenas pensões inferiores a 835 euros continuam sem pagar.
Isenção de custos de conta? Na CGD é mais difícil a partir de hoje
Patrícia Abreu 01 de setembro de 2017 às 12:11

Se é cliente da CGD e, até agora, não pagava comissões de manutenção de conta devido a receber o ordenado ou a pensão através do banco estatal, a partir de hoje poderá deixar de usufruir desta isenção. O banco estatal anunciou em Junho alterações ao seu preçário, prevendo condições mais apertadas para isentar os seus clientes destes custos. Entre os reformados, apenas os que recebem pensões mais baixas continuam sem pagar comissões.

A CGD era um dos poucos bancos nacionais onde a domiciliação do ordenado bastava para isentar os seus clientes do pagamento de uma comissão de gestão de conta. Mas, as mudanças anunciadas pelo banco e noticiadas pelo Negócios em primeira mão no passado mês de Junho, cuja entrada em vigor estava agendada para dia 1 de Setembro, vieram impor novas condições para manter esta "benesse".

A partir de hoje, para não pagar custos na conta à ordem, os clientes têm que manter a domiciliação de rendimento e um cartão de débito e um cartão de crédito, ambos com utilização nos últimos três meses. Mantêm a isenção ainda os clientes com contas à ordem que tenham aplicações financeiras associadas, desde que um dos titulares "tenha património financeiro com saldo médio mensal igual ou superior a € 5.000 no somatório das suas contas". 

Reformas mais baixas protegidas

Outra das alterações introduzidas pelo banco liderado por Paulo Macedo diz respeito aos reformados. Ao contrário do que acontecia até hoje, nem todos os pensionistas ficam livres de comissões, permanecendo, contudo, salvaguardadas as reformas mais baixas.

"Contas à ordem em que o 1º titular tenha mais de 65 anos e crédito de pensão/reforma inferior a uma vez e meia o salário mínimo nacional, em vigor no início do ano", adiantava o banco estatal na comunicação de alteração de preçário divulgada há três meses. Ou seja, quem receber uma pensão até 835 euros continua sem pagar comissões, enquanto as contas dos pensionistas com reformas mais elevadas passam a pagar o custo aplicado pela CGD: 4,95 euros por mês.

O agravamento de comissões bancárias não é uma novidade em Portugal, contudo a subida de comissões por parte da CGD tem gerado mais polémica devido ao facto de tratar-se de um banco com capitais públicos. Mas, Paulo Macedo tem defendido a necessidade de mexer no preçário.

"Não conseguiremos cumprir o plano de reestruturação se não aumentarmos as comissões," defendeu recentemente o presidente da CGD em entrevista ao Expresso, mantendo o objectivo de chegar a lucros no ano que vem e garantindo que o foco é cumprir o plano e não alterá-lo, atendendo ao trabalho que houve para que fosse aprovado em Bruxelas.

Subida generalizada

Além da CGD houve mais dois bancos a anunciar alterações nas condições exigidas aos seus clientes para manter a isenção de manutenção de conta. O Novo Banco foi o último banco a alterar as condições de acesso à isenção deste custo. A partir do dia 1 de Novembro apenas quem mantiver um saldo médio superior a 35 mil euros e receber através do banco um salário superior a 1.500 euros ou uma pensão acima de 500 euros manterá uma conta sem custos.

Mas a instituição liderada por António Ramalho não é a única a limitar o acesso a este benefício. No EuroBic, outro dos bancos a mudar o seu preçário no mês de Agosto, só quem tiver um património financeiro superior a 50.000 euros é que está isento do pagamento de comissão na conta à ordem. No caso do BPI, há uma "bonificação" para contas com saldos acima de 5.000 euros, mas todos pagam. 

Contas pacote

Com estas alterações ao preçário, a maioria dos bancos está a tornar mais difícil o acesso às isenções de custos de conta, isto além de muitas instituições estarem a "empurrar" os clientes para as chamadas contas pacote.

No caso da CGD, os novos clientes apenas poderão abrir uma destas contas, que mediante o pagamento de uma mensalidade tem um conjunto de serviços associados. A Conta Caixa, a solução multiproduto da CGD tem três modalidades – S, M e L – que permite aos clientes escolher a solução que melhor se adapte ao seu perfil, com mensalidades que começam nos 4 euros, ou 2,50 euros para quem receba o ordenado pela Caixa ou tenha um património financeiro superior a 5.000 euros. A alternativa à Conta Caixa é a conta-base ou uma conta de serviços mínimos bancários.




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mais votado JCG Há 2 semanas

É preciso gerar/ sacar receita/ proveitos para sustentar o bando de abutres e parasitas que poisaram na CGD e se alimentam a pepitas de ouro.

comentários mais recentes
ze pires Há 2 semanas

CAMBADA DE XULOS ,
VÃO TRABALHAR ,

Contribuintes e clientes da CGD, os eternos f...Pa Há 2 semanas

Macedo não quis 2 administradores que o seu antecessor Domingues tinha querido.A consequência legal foi que, das duas uma, ou pagava um milhão de indemnização a cada um, ou lhes oferecia um cargo na CGD que os saciasse.Ravara aceitou o cargo de presidente dos fundos de investimento, Leitão regeitou o da Caixa BI.Tudo nos conformes.Só que há que ver quem vai pagar as consequências das rejeições de Macedo.No caso de Leitão, os contribuintes vão provavelmente acabar por ter de lhe pagar 1 milhão de euros.No caso de Ravara, os clientes da Caixa, vão ter de pagar as consequências de se nomear para área de elevada exigência alguém virgem de experiência nessa área. É o problema do costume na CGD recente: quem manda não arca com as consequências das suas opções, e quem acaba por pagar as favas e ser f…, ou são os contribuintes ( 1 milhão ao Leitão), ou são os clientes ( qualidade de resultados nos fundos de investimento que não deixam de depender da experiência de quem deles está à frente).

RE: A tentar perceber Há 2 semanas

Com o devido respeito eu ajudo "A tentar perceber" : a CGD não é um banco qualquer.É o banco de mais de 60 % da população portuguesa, com uma ligação mais do que centenária à história do País, e de que de fato todos os cidadãos portugueses são acionistas de "jure".Sem ter qualquer relação com o JN e sem ter recebido mandato do JN para defender a notícia ou pretender sequer fazê-lo, parece-me perfeitamente justificável que o fato narrado o tenha sido em exclusivo para a CGD, o banco nacional que sempre disse querer ser, e já foi(e deseja-se que volte a ser) a grande Referência no sistema bancário português.Terá por isso especiais responsabilidades e, em minha opinião pessoal de leitor do JN e de cidadão , justifica-se pois em pleno a exclusividade da notícia que tomou a CGD por alvo.Não será notícia agradável, mas espera-se e deseja-se que a nova administração de Paulo Macedo possa vir a ser fonte de notícias também agradáveis.

A Tentar Perceber Há 2 semanas

Se a intenção do Jornal era informar o Leitor, que o impediu de juntar uma Tabela com um quadro a INFORMAR no universo Bancário em Portugal, que cada Banco cobra aos seus clientes.
Assim faz duvidar dos seus Propósitos.

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