Banca & Finanças Jardim Gonçalves: Governo de Sócrates "precisava de dominar o BCP"

Jardim Gonçalves: Governo de Sócrates "precisava de dominar o BCP"

Antigo presidente do BCP diz que na altura da guerra pelo poder no banco "a pressão para meter no BCP gente da confiança do Governo era grande e vinha de todo o lado".
Jardim Gonçalves: Governo de Sócrates "precisava de dominar o BCP"
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 03 de junho de 2017 às 10:58

"O Governo precisava de dominar o BCP, o que só era possível com a nomeação de um presidente". A frase é de Jorge Jardim Gonçalves, antigo presidente do BCP, que em entrevista ao Público sugere que foi o Governo de José Sócrates que em 2007 colocou Carlos Santos Ferreira a liderar o  maior banco privado português.

 

Em entrevista ao Público, publicada esta sábado, 3 de Junho, Jardim Gonçalves refere que "a pressão para meter no BCP gente da confiança do Governo era grande e vinha de todo o lado".

 

Questionado se Vítor Constâncio, então governador do Banco de Portugal, esteve alinhado com o grupo que queria tomar conta do BCP, Jardim Gonçalves responde que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças da altura (Sócrates e Teixeira dos Santos) "precisavam de ter um controlo mais fino do sistema financeiro para fazerem a colocação da dívida pública", sendo que para tal necessitavam de "dominar o BCP", pois "mandavam na CGD e o BES era dócil e tomava a dívida pública e o BCP era independente. E o BPI era pequeno".

 

Para ilustrar como foi o Governo de Sócrates a liderar a escolha dos novos gestores do BCP na altura, Jardim Gonçalves lembra que o então ministro das Finanças Campos e Cunha "tinha-se recusado a nomear o Armando Vara para a CGD, decisão que Teixeira dos Santos viria depois a tomar". Posteriormete, "Armando Vara acaba por ser escolhido pelo grupo de António Mexia e da Ongoing para ir com Carlos Santos Ferreira para o BCP", refere.

 

Sobre Carlos Santos Ferreira, que assumirá a liderança do BCP no final da luta pelo poder no banco, Jardim Gonçalves refere que era um gestor que "não explica, não fala, não comenta" e "tinha uma boa relação com José Sócrates, com Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio. Mas não sei quem mandava em quem".

 

Para o fundador do BCP, os políticos tiveram responsabilidade na criação da guerra pelo poder no banco. "Só mais recentemente percebi o que aconteceu naquele período, onde houve uma conjugação de ingredientes todos metidos no BCP para provocar uma guerra. E um deles, e muito importante, é o político. Não falo de um partido político, mas de um grupo de pessoas cobertas politicamente pelo PS e pelo PSD", refere Jardim Gonçalves na entrevista ao Público.

 

Sobre o seu sucessor à frente do BCP, Paulo Teixeira Pinto, refere que "que quando percebeu que as coisas não eram como deviam ser disse que estava doente, e estava, e foi à sua vida". 




A sua opinião8
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado IS 04.06.2017

Já em 2008 as diversas tentativas do Governo liderado por José Sócrates para controlar a banca eram do domínio público.

comentários mais recentes
J. SILVA 06.06.2017

Este artista, que segundo consta, tem um reforma vitalícia do BCP de 157 000 €/mês e outras mordomias, vêm lavar as suas responsabilidades nas "costas largas" do Sócrates. O Sócrates , no atual contexto, é um simplificador para grande parte da banditagem, justiça incluída. UM BODE EXPIATÓRIO Q.B.

IS 04.06.2017

Já em 2008 as diversas tentativas do Governo liderado por José Sócrates para controlar a banca eram do domínio público.

Bento 04.06.2017

O Sr. Eng. J Gonçalves é o primeiro responsável pela desgraça do BCP que não era seu mas que tratava como se fosse e designou um sucessor sem experiência sem cabeça e louco, pensando que o controlaria.
Foi o que se viu! Não foi o Senhor o primeiro subscritor da lista de Santos Ferreira?

Quando os "homens" se confundem com ratos, já a c 03.06.2017

vai mal. É o caso deste individuo que deu cabo do BCP com as suas intrigas e péssimas decisões. Começou por querer dividir para melhor reinar, mas o tiro saiu-lhe pela culatra. O gestor por ele nomeado mostrou que a hora da verdade dentro do BCP, tinha chegado e que não se prestava a ser manipulado.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub