Media Jerónimo teme compra da Media Capital pela Altice

Jerónimo teme compra da Media Capital pela Altice

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, deixou um alerta em relação aos negócios que a Altice está a desenvolver em Portugal, considerando que a multinacional "poderia parar o país" caso a compra da Media Capital se concretizar.
Jerónimo teme compra da Media Capital pela Altice
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 16 de julho de 2017 às 02:33

"A compra do grupo Media Capital com um canal de TV, a TVI, de larga audiência, e a Plural, uma importante produtora de conteúdos, assume particular gravidade. A concretizar-se, não é exagerado afirmar, que uma multinacional, um grupo económico poderia fazer parar o país", sustentou.

Durante um jantar da CDU, que decorreu no sábado em Viseu, Jerónimo de Sousa sublinhou que a PT/Altice já dispõe do controlo da rede de transporte digital terrestre, que manda no SIRESP, além de dominar uma das maior operadoras a Meo.

Com a concretização da compra da Media Capital, "assumiria toda a dominação, da produção à emissão e distribuição numa concentração sem precedentes no sector de televisão".

"É o interesse nacional que está em jogo. Não há como ficar em cima do muro. Ou se age e garante para impedir a alienação de um sector estratégico ou se é conivente com esse objectivo. Não há refúgios em desculpas de leis de mercado ou quaisquer outras, que sirvam para não agir utilizando todos os mecanismos existentes ou criando os necessários", acrescentou.

Ao longo da sua intervenção, o secretário-geral do PCP evidenciou que não se pode aceitar que o país "fique de mãos atadas ou condenado à chantagem da Altice", quando se prepara para "mandar para o desemprego cerca de 3.000 trabalhadores e pôr em causa direitos dos pré-reformados e reformados".

"O plano friamente pensado de transferir os trabalhadores para empresas ligadas ao grupo, a ser executado, seria mandá-los para o purgatório e ao fim do ano mandá-los para o inferno do desemprego", referiu.

Aos presentes, Jerónimo de Sousa revelou ainda que antes de entrar para o jantar teve "um encontro com trabalhadores da PT no distrito" de Viseu, a quem deixou um compromisso.

"Tudo faremos para defender, no plano político e institucional, os seus interesses e a própria empresa. Mas é a sua luta que determinará o seu futuro como trabalhadores desta empresa", concluiu.

Já antes, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, tinha mostrado preocupação com a possível compra da Media Capital pela Altice, que depois da compra da PT, vê como "uma concentração monopolista que não augura nada de bom".

"Naturalmente que vejo [este negócio] com preocupação, tendo em conta que a Altice tomou conta da PT, resultado de uma privatização escandalosa, inaceitável, de uma empresa estratégica para o nosso país", afirmou.

Numa visita a Real, uma freguesia do concelho de Penalva do Castelo, de maioria CDU, Jerónimo de Sousa alertou que a compra da Media Capital pela Altice não augura nada de bom.

"Não contente por ficar só com a tecnologia, também salta para a informação, num controlo monopolista, não só da tecnologia, da PT, mas também de um canal de TV com grande audiência. Esta concentração monopolista não augura nada de bom", acrescentou.

Jerónimo de Sousa alertou para aquilo que considera ser a redução da PT "até ao osso" por parte da Altice, "numa tentativa clara de eliminar cerca de três mil postos de trabalho".

"Isto é de uma gravidade imensa, que deve unir todos aqueles que se batem pela defesa do interesse nacional: em primeiro lugar, dos trabalhadores, da sua luta, mas também no plano político, não permitindo que a Altice faça qualquer leitura criativa do Código do Trabalho, porque não tem possibilidade de fazer aquilo que tende a fazer, que é despedir de uma forma directa ou indirecta milhares de trabalhadores", apontou.

Aos jornalistas, frisou a importância de serem criados mecanismos para que tal não aconteça, admitindo mesmo que se analise se há necessidade de voltar a haver controlo público na PT, que vê como estratégica.

"Esta é uma matéria onde não se pode ficar em cima do muro. Tendo em conta a dimensão, o interesse nacional e o impacto social deste processo em curso, ninguém pode lavar as mãos ou apenas ficar zangado com a Altice", concluiu.







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mais votado Anónimo 16.07.2017

Caro Jornal de Negócios, é um facto que a Altice em Poortugal, tal como outras organizações portuguesas, está de mãos e pernas atadas devido ao governo socialista, à constituição do PREC de 1976 e à legislação laboral. E isso tem feito e continuará a fazer toda a diferença pela negativa. "As empresas de telecomunicações, tal como outras companhias dos sectores tecnológicos, estão a reestruturar-se, eliminando postos de trabalho a favor da automação, e reposicionando-se em novos projectos" Fonte: “Telecommunications providers, like other tech companies, are undergoing restructuring, losing jobs to automation, and pivoting to new projects,” (Relatório da Challenger, Gray & Christmas de Março de 2017) https://www.challengergray.com/press/press-releases/2017-march-job-cut-report-cuts-rise-17-percent-telecom-retail

comentários mais recentes
Anónimo 16.07.2017

Com a afronta ao tecido empresarial por parte do "Costa Rasga contratos" e parceiros de coligação, seria sério não existir ministério da economia.

bucks 16.07.2017

Interesse nacional?? Ou interesse deles?

Anónimo 16.07.2017

Sou obrigado a pagar através de comissões, contribuições e impostos o nível de vida passado, actual e futuro de 2200 assalariados da CGD que não são lá precisos para nada. O sindicato deles, o Sindicato Bancário do Sul e Ilhas (SBSI), já analisou os termos oferecidos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) no programa de “Revogações por Mútuo Acordo”, divulgado na última semana de Junho aos trabalhadores do grupo público. E a sentença é negativa: “As condições propostas aos trabalhadores ficam aquém das expectativas.” E agora pergunto eu, quem regula e supervisiona estas criaturas? As do escândalo CGD e de outros escândalos semelhantes. Há muitos casos destes nas organizações portuguesas. Tem sido o pão nosso de cada dia. Querem continuar a dar-me deste pão que o diabo amassou?

Anónimo 16.07.2017

Para entender a crise de equidade e sustentabilidade que tem afectado as economias desenvolvidas e posto territórios como os de Portugal e Grécia nas más bocas do mundo, é fundamental perceber que para uns serem excedentários ou pagos acima do preço de mercado, outros têm que pagar mais caro quando consomem bens e serviços, pagar mais taxa de imposto quando são tributados, obter menor retorno sobre o investimento quando investem, poupar menos quando aforram, ser pior remunerados, abaixo do seu preço de mercado, quando oferecem trabalho com real procura...

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