Jornalista do Le Monde diz que trabalho de António Borges no Goldman Sachs é um "mistério para mim"
02 Junho 2012, 18:38 por Lusa
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O jornalista do Le Monde Marc Roche e autor do livro "O Banco – Como o Goldman Sachs dirige o mundo" disse à Lusa que o português António Borges é um "mistério", tal como outros antigos "veteranos" da instituição.
O autor do livro publicado em Portugal esta semana disse à Lusa que a doutrina financeira anglo-saxónica liderada pelo banco norte-americano Goldman Sachs está atualmente colocada nos bastidores do poder na Europa o que põe em causa a regulação em nome do lucro, e estabelece um paralelo entre as políticas de austeridade na Europa e a presença de “veteranos” do Goldman Sachs na política europeia.

“Em novembro de 2011, o Fundo Monetário Internacional anunciou a demissão do diretor do seu departamento europeu, o português António Borges, por ‘razões pessoais’. António Borges, 63 anos, passou apenas um ano em Washington, em funções que o levaram a supervisionar alguns dos maiores empréstimos da história da instituição: à Grécia e à Irlanda, ambos membros da zona euro. Este economista, presidente no momento do seu recrutamento de uma organização de ética no setor dos fundos especulativos, tinha sido selecionado pelo FMI pelo seu conhecimento dos mercados financeiros”, escreve Roche na primeira página do livro.

“Oficiosamente, António Borges, que, no seio do Banco de Portugal na década de 1990, foi um dos arquitetos da criação da moeda única, acabou por ser dispensado do FMI. De facto, esta partida poderia estar ligada ao facto de ele ter sido também durante oito anos (2000-2008) um dos dirigentes do Goldman Sachs International, filial europeia do banco americano”, refere o autor.

“Com efeito, o papel do banco americano na maquilhagem das contas gregas em 2002-2003 poderia não ser estranho àquilo que aparece como uma destituição”, continua Roche que refere que a nacionalidade portuguesa do “interessado” jogou contra ele no momento em que a ‘troika’, composta pelo FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, dava ajuda em troca de medidas de rigor “draconianas”.

Para Marc Roche a “filosofia” Goldman Sachs está presente na política europeia através de um grupo de “iluminados” que são “simultaneamente um grupo de pressão, uma associação de colheita de informações, uma rede de ajuda mútua” eficaz, competente e treinada na instituição norte-americana, apesar de se saber muito pouco sobre o que andaram a fazer no Goldman Sachs os “tecnocratas” que atualmente são protagonistas na Europa.

“O que é que eu encontrei sobre esta gente? Muito pouco a não ser que o Goldman Sachs quer esta gente nos bastidores das influências políticas. O que é que eu descobri sobre o senhor Borges? Pouco. Sei que ele esteve no Goldman Sachs mas não sei o que é que ele fez ou em que seção trabalhou. Tal como os outros: Draghi ou Monti”, explicou.

“De vez em quando perguntamos ‘o que diabo andou a fazer no Goldman Sachs ?’ mas eles não respondem. A não ser Dragi que disse ter lidado com situações corporativas e que nunca mexeu em assuntos relacionados com dívida soberana dos países. Mas tal como os outros, o senhor Borges é um mistério para mim”, disse Roche, autor do livro sobre a influência do Goldman Sachs na Europa.

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