Turismo & Lazer Le Consulat: a arte de dormir no Chiado

Le Consulat: a arte de dormir no Chiado

Dois franceses decidiram investir em Lisboa e recuperar um “amor antigo”. A “oportunidade” surgiu no edifício onde funcionou outrora o Consulado do Brasil. A diplomacia faz-se agora pela arte contemporânea. Mesmo enquanto se descansa.
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Wilson Ledo 25 de maio de 2017 às 20:00

O número 22 da Praça Luís de Camões, em Lisboa, esconde um segredo. À entrada, ainda antes de começarem as escadas, umas coloridas e gigantes letras no chão apresentam o espaço: Le Consulat.


No primeiro piso encontramos François Blot. A trabalhar na área dos seguros de saúde, este francês chegou a Lisboa há dois anos. E aí surgiu a "oportunidade": o Consulado do Brasil ia abandonar o edifício onde ele também tinha escritório.


É uma estreia na área do alojamento mas, ao mesmo tempo, um regresso a um "amor antigo" – depois de ter trabalho na criação de guias de arte em Paris. Entre as duas paragens, François Blot foi viajando pelo mundo e percebendo como a oferta – seja em que área for – é tão massificada. E decidiu que estava mais do que na altura para rasgar com isso.


"Não somos só consumidores" é o lema para o Le Consulat. Formalmente surge enquadrado como alojamento local. "Mas de cinco estrelas", remata o empresário. Como o conceito é novo, François Blot – que avança neste negócio com a mulher Valerie Guérend – opta por uma definição mais simples: "É um espaço de cultura":


Juntos investiram dois milhões de euros no edifício, que é arrendado, criando 15 postos de trabalho. Lisboa é a primeira etapa de uma marca que terá representações em Barcelona, Roma e Paris. É precisamente entre Portugal, Espanha, França e Itália que François Blot e Valerie Guérend querem promover trocas culturais com a chancela Le Consulat. A gastronomia e o vinho são os primeiros argumentos.

 

"O último grande ‘spot’ do Chiado"

Além das zonas do restaurante e do bar com um altar do século XVIII vindo de uma capela privada, o primeiro andar é dedicado a exposições. A inaugural, de seu nome "Panorama", está já patente, reunindo 14 artistas emergentes. Todos portugueses. Para estar aqui "não é o factor idade que pesa", explica Adelaide Ginga, responsável pelo projecto artístico do Le Consulat.


A prova chega alguns minutos depois quando os olhos se cruzam com trabalhos de Eduarda Rosa, farmacêutica reformada, ou Ana Caetano, antiga bailarina da Gulbenkian. O que importa é a formação artística e o percurso. Ao longo de sete salas, há um pouco de tudo: pintura, escultura, instalações, vídeo. O acesso é livre, numa tentativa de afirmar o Le Consulat como uma zona de encontro. "O último grande ‘spot’ do Chiado", resume a curadora.


É preciso subir ao segundo e terceiro andares para descobrir o verdadeiro segredo: as 16 suítes decoradas com obras de galerias portuguesas. Apesar de se abrirem fronteiras, os artistas nacionais continuam a ser a maioria. E há muito espaço para a arte: a suíte mais pequena tem 36 metros quadrados.


"O que quero mostrar aqui é a particularidade de Portugal", posiciona François Blot. Cada quarto é entregue a uma galeria, que cede as obras como se esta unidade de alojamento fosse uma extensão natural do seu espaço positivo. Na lista dos parceiros contam-se nomes como Cristina Guerra, Filomena Soares, Pedro Cera, Graça Brandão, Carlos Carvalho ou 3+1.


À entrada, os hóspedes são sensibilizados para as obras que vão rodeá-los nos quartos e medidas de segurança, "tal como se explica como funciona a televisão". A partir daí o tempo faz o seu trabalho. "As pessoas podem dormir com a arte", lembra Adelaide Ginga. E assim se contraria a tendência de uma fruição rápida das criações.


Durante esse convívio, pode surgiu uma vontade: comprar a obra. Todas estão à venda – sejam as dos quartos como as dos artistas emergentes, mesmo que estes últimos não estejam representados por galerias. À medida que as obras forem encontrando novas casas, outras vêm substituí-las.


O processo só pode ser vivido em pleno a partir de 1 de Junho, quando as portas do Le Consulat se abrem no Chiado. Uma noite pode custar entre os 180 e os 480 euros, de acordo com a dimensão da suíte.


A garantia é de uma experiência, em simultâneo, de simplicidade e luxo, onde a arte contemporânea se mistura com o toque antigo dos tectos trabalhados ou dos rádios do início do século XX (mas que é possível controlar através do telemóvel).


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