Banca & Finanças Líder do Montepio: “Situação reportada não reflecte quadro actual”

Líder do Montepio: “Situação reportada não reflecte quadro actual”

O presidente da Caixa Económica Montepio Geral escreveu aos trabalhadores garantindo que os alertas feitos pelo Banco de Portugal e noticiados pelo Expresso “não reflectem o quadro actual”. Félix Morgado garante que a carta do supervisor que exige mais capital é “preliminar”.
Líder do Montepio: “Situação reportada não reflecte quadro actual”
Bruno Simão/Negócios
Maria João Gago 13 de março de 2017 às 17:28

"A situação reportada não reflecte a situação em 2016 e, portanto, o quadro actual", garante José Félix Morgado, presidente da Caixa Económica Montepio Geral, numa mensagem enviada aos trabalhadores, depois de o Expresso ter noticiado uma carta do Banco de Portugal em que o supervisor aponta "um perfil de risco de nível elevado" à instituição.

 

O banqueiro alerta ainda que o aumento das exigências de solidez impostas ao Montepio, de um rácio mínimo de 10% para 11% previsto na missiva da instituição liderada por Carlos Costa, não é definitivo. "Trata-se de uma versão preliminar de decisão final do supervisor relativamente aos requisitos de capital" da caixa económica. E garante que a administração já respondeu à carta "esclarecendo ou referenciando situações ultrapassadas ao longo de 2016", segundo o documento, a que o Negócios teve acesso e que foi noticiado pelo Eco.

 

Além do elevado nível de risco do Montepio, a carta do Banco de Portugal refere que as exposições estratégicas "não garantem uma gestão sólida" da instituição e assinala que se verifica "uma consistente degradação da qualidade da carteira" de crédito. O supervisor aponta ainda a "fragilidade dos procedimentos e do controlo de qualidade dos dados dos diversos sistemas da instituição" e critica a não disponibilização de relatórios de monitorização de risco sobre activos e operações.

 

Aos trabalhadores, Félix Morgado garante que, "ainda em 2015, procedeu-se à revisão de procedimentos e áreas passíveis de melhoria do controlo e governo interno tendo sido implementados até ao final de 2016 um conjunto de acções que robusteceram o sistema de controlo interno". O banqueiro adianta ainda que a administração informou o Banco de Portugal de todas as iniciativas adoptadas "na resposta à consulta prévia antes referida", ou seja, à carta noticiada pelo Expresso. O líder da instituição diz mesmo que "essa mesma evolução vem sendo reconhecida pelo regulador".

 

Félix Morgado assume ainda o compromisso com o reforço dos procedimentos do Montepio. "A adaptação às melhores práticas é um processo contínuo em que todos estamos comprometidos no sentido de adopção das melhores práticas e recomendações, quer do Banco de Portugal, quer da EBA [Autoridade Bancária Europeia], em estreita colaboração com todas as entidades de supervisão".




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comentários mais recentes
Jr. Pereira Há 1 semana

Uma pergunta simples para entender o caso Montepio: desde a crise de 2008, qual foi o banco, em todos os países do mundo, que ao ter resultados negativos disse imediatamente que estava falido? NENHUM. Falência "técnica" é só o termo usado para esconder a falência oficial e evitar corrida de saques.

António Jorge Há 1 semana

Se há suspeitas que se investigue. Os relatórios de nada servem e as explicações pouco fazem. Sejam claros uns e outros e apresentem provas e fatos visíveis. Conversa fiada já estamos cansados e de ser os salvadores da pátria também. Sejam verdadeiros uns e outros e tudo se resolve

Anónimo Há 1 semana

O antecessor do actual governador do BdP ninguém fala, mas a verdade é que também nada fez...ainda o promoveram para o Banco Europeu, o que está a dar é ser filiado no PS.

jose Há 1 semana

O Marcelo, o Costa e o Centeno andam a dizer que "a banca está sólida e robusta". Não serão as fake news da Geringonça? São as verdades dum Regime suportado pelo Sr. Draghi.

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